O governo peruano declarou estado de emergência em sua fronteira com o Chile e anunciou que reforçará os controles alfandegários com o auxílio das Forças Armadas
Brasília – O governo do Peru declarou estado de emergência em sua fronteira com o Chile e anunciou o reforço dos controles alfandegários com o apoio das Forças Armadas na sexta-feira (29), um dia antes da decisão da Copa Conmebol Libertadores, disputada no Estádio Monumental U, em Lima, capital do Peru, cujos finalistas são os times brasileiros Flamengo e Palmeiras.
A medida, aprovada por decreto na sexta-feira, entra em vigor por 60 dias a partir deste sábado (29), em pleno o jogo de futebol mais importante do Continente, e visa antecipar um possível fluxo de migrantes que buscam deixar o Chile, em decorrência da iminente eleição presidencial, além de combater o crime na região.
A decisão foi tomada em antecipação à possibilidade de vitória do candidato presidencial de extrema-direita chileno, José Antonio Kast, que prometeu a expulsão de imigrantes ilegais, e abriu 20 pontos de vantagem sobre Jeannette Jara, do Partido Comunista e apoiada pela centro-esquerda e pelo presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O estado de emergência se aplicará especificamente aos distritos fronteiriços de Palca, Tacna e La Yarada-Los Palos, na região sul de Tacna.
Decreto e justificativas
Conforme o decreto governamental, o estado de emergência na fronteira peruana tem uma dupla finalidade. Primeiramente, busca gerenciar o “possível fluxo de migrantes que buscam deixar o Chile devido à possibilidade de vitória do candidato presidencial de extrema-direita José Antonio Kast, que prometeu expulsar imigrantes ilegais”. A segunda razão é servir “para combater o crime e outras situações de violência”.
A atuação das forças de segurança foi detalhada, estabelecendo que: “A Polícia Nacional do Peru mantém o controle da ordem interna, com o apoio das Forças Armadas”.
O ministro do Interior peruano, Vicente Tiburcio, que viajou à fronteira em Tacna, confirmou à rádio RPP que o estado de emergência terá duração de 60 dias, com início em 29 de novembro. Ele informou ainda que cinquenta soldados do Exército serão destacados “imediatamente” para o posto fronteiriço peruano de Santa Rosa, com a previsão de que outros 50 militares se juntem a eles nos primeiros dias de dezembro, totalizando cem efetivos.
Cenário migratório e eleições chilenas
A preocupação peruana com o fluxo migratório está intrinsecamente ligada ao contexto político chileno. José Antonio Kast, do Partido Republicano, é apontado como favorito para vencer o segundo turno das eleições chilenas, agendado para 14 de dezembro, contra a esquerdista Jeannette Jara. Kast tem como plataforma a promessa de expulsar 330 mil imigrantes ilegais, a maioria venezuelanos, aos quais ele atribui a responsabilidade pela onda de insegurança no Chile.
A situação na fronteira já demonstra sinais de tensão. A emissora de rádio peruana Radio Tacna transmitiu imagens, no início da manhã da declaração do estado de emergência, de migrantes, incluindo crianças, na rodovia próxima à passagem de fronteira. O ministro da Segurança do Chile, Luis Cordero, já havia reportado anteriormente “uma concentração de migrantes que desejam deixar o país e que encontraram dificuldades para entrar no Peru”, embora sem especificar o número exato de pessoas.
A declaração do estado de emergência e a militarização da fronteira peruana representam uma resposta proativa do governo de Lima a um cenário complexo de migração regional e segurança interna, influenciado diretamente pelos desdobramentos políticos do país vizinho. A medida busca, assim, conter potenciais crises humanitárias e de segurança em sua divisa sul.
* Reportagem: Val-André Mutran (Brasília-DF), especial para o Portal Ver-o-Fato.















