Remo e Paysandu protagonizaram um clássico marcado por dois tempos completamente distintos. Na primeira etapa, o Paysandu engoliu o Remo. Os bicolores entraram em campo para disputar um clássico — o mais disputado do mundo — com raça, intensidade e fome de vitória. Do lado remista, a atuação foi decepcionante: o time azulino se mostrou apático, sem alma e desconectado da grandeza do duelo, como se não compreendesse o peso daquele jogo diante de um Mangueirão lotado. Só acordou na etapa final, beneficiado por um gol contra do adversário.
O primeiro tempo terminou em “apenas” 1 a 0 para o Paysandu, mas o placar foi enganoso. Pelo volume de jogo, pela intensidade e pela quantidade de chances criadas, o Papão poderia — e deveria — ter construído uma goleada ainda antes do intervalo. Um gol do Papão anulado, ainda no primeiro tempo, provocou polêmica e reclamações dos bicolores.
Na segunda etapa, o cenário se inverteu. Com o Remo em vantagem numérica após a expulsão de um jogador bicolor ainda no primeiro tempo, o Azulino adiantou suas linhas, passou a pressionar e conseguiu chegar ao empate. Mesmo assim, apesar de ter mais posse de bola, faltou efetividade ao time azulino. O Paysandu, mesmo em inferioridade numérica, seguiu perigoso, competitivo e jamais deixou de lutar. No apito final, o empate deixou um gosto amargo na torcida bicolor, que viu a vitória escapar após um primeiro tempo amplamente dominante.
Em busca de reabilitação depois da derrota no primeiro clássico do ano, diante da Tuna, o Paysandu entrou em campo para enfrentar seu maior rival, o Remo, que, mesmo utilizando uma equipe alternativa, carregava o peso de líder do campeonato. O encontro entre Leão e Papão ocorreu neste domingo (8), às 17h, no Estádio Mangueirão, em partida válida pela quarta rodada do Parazão 2026, com clima de decisão desde o apito inicial.
O VAR, hein
A bola mal havia rolado e o Paysandu já mostrava a postura que se espera em um clássico dessa grandeza. O Papão mordeu a saída de bola, impôs intensidade e transformou a pressão em domínio territorial. Do outro lado, o Remo parecia sentir o ambiente: entrou em campo de forma morosa, com trocas de passes lentas e pouca agressividade.
Não por acaso, as primeiras grandes oportunidades surgiram dos pés bicolores. O gol só não saiu porque a arbitragem assinalou impedimento no lance de Ítalo, em uma jogada extremamente ajustada e controversa. O árbitro chegou a confirmar o gol, levando torcida e jogadores à comemoração, mas voltou atrás segundos depois.
Em seguida, levou a mão ao ouvido e indicou que a anulação havia sido apontada pelo VAR.
Aos 36 minutos, porém, não teve como evitar. Só uma equipe jogava, e era o Paysandu. Após bela jogada de Kauã Hinkel, que serviu Ítalo dentro da grande área, o atacante dominou e finalizou com categoria no canto de Rangel. Paysandu 1 a 0. O placar ainda era modesto diante da superioridade bicolor.
Aos 43 minutos, o clássico ganhou contornos ainda mais tensos. Depois de uma disputa de bola entre Bryan e Pavani, Pikachu se envolveu em confusão com Quintana, gerando uma confusão generalizada. O desfecho foi a expulsão de Bryan, deixando o Paysandu com um jogador a menos.
Em meio a um ambiente carregado de tensão, chegou ao fim a primeira etapa. Foram 45 minutos em que apenas uma equipe esteve, de fato, em campo: o Paysandu. O Remo até ensaiou uma breve blitz após ficar em vantagem numérica, mas quem jogou o clássico com a seriedade exigida foi o Papão.
O azulino, por sua vez, parecia alheio ao que acontecia no estádio — como se não tivesse entendido a dimensão do confronto. O 1 a 0 foi pouco. Por sorte, o Remo não foi para o intervalo carregando uma sacola de gols.
Acordou e empatou
O segundo tempo começou em outro tom. Com um jogador a mais, o Remo finalmente despertou e passou a encurralar o Paysandu, empurrando o rival para o campo defensivo e transformando cada ataque em uma batalha de sobrevivência bicolor. O Papão recuou suas linhas, aceitou a pressão e passou a jogar no limite, apostando nos contra-ataques como única forma de ampliar — ou simplesmente preservar — a vantagem.
A pressão azulina foi intensa até que, aos 12 minutos, o cerco resultou no empate. Em jogada pela esquerda, Diego Hernández finalizou em direção ao gol; a bola desviou em Quintana, que, ao tentar afastar, acabou mandando contra a própria meta. Gol contra. Tudo igual no Mangueirão: 1 a 1.
A resposta do Paysandu veio rapidamente. Aos 16 minutos, mordido pelo empate, o Papão promoveu uma blitz na área remista. Quintana cruzou, a defesa afastou parcialmente e a bola sobrou para Marcinho. Livre, cara a cara com Rangel, o meia bicolor finalizou alto demais — desperdiçando uma chance inacreditável de recolocar o Paysandu à frente. Um gol que não se perde em clássico.
A tônica da partida seguiu o mesmo roteiro. O Remo tinha mais posse de bola e rondava a área adversária, enquanto o Paysandu, mesmo com um jogador a menos, era mais perigoso nos contra-ataques. O Bicolor jogava na raça, sem se apequenar diante da inferioridade numérica. Já o Leão parecia, em determinados momentos, confortável com o empate.
Aos 50 minutos, quando todos aguardavam o apito final, Diego Hernández se irritou com Lucão e desferiu uma cotovelada na nuca do zagueiro bicolor, sendo imediatamente expulso.
Não houve tempo para mais nada. Logo após a expulsão, o árbitro decretou o fim da partida. O segundo tempo foi marcado por um Remo mais presente, que soube aproveitar a vantagem numérica até chegar ao empate, mas não conseguiu transformar posse de bola em virada.
O Paysandu resistiu, competiu e esteve sempre perto do gol. No fim, o empate em 1 a 1 deixou um gosto amargo na torcida bicolor, que viu escapar uma vitória que parecia encaminhada no clássico mais disputado do mundo.
RAIO X DA PARTIDA
Local: Estádio Mangueirão, Belém
Juiz: Rodrigo José Pereira de Lima (PE)
Auxiliares: Rodrigo Figueiredo Henrique Corrêa (RJ) e Luanderson Lima dos Santos (BA)
Cartões amarelos: Quintana e Thalyson (Paysandu); Zé Welison, Yago Pikachu, Eduardo Melo e Catarozzi (Remo)
Cartões vermelhos: Brian Macapá (Paysandu) e Diego Hernández (Remo)
Gols: Italo (Paysandu, 1º tempo) e Quintana contra, no segundo tempo (Remo)
Paysandu: Gabriel Mesquita; Edílson, Castro, Quintana, Bonifazi; Henrico (Libonati), Brian, Marcinho (Thalyson); Kleiton Pego (Danilo Peu); Kauã Hinkel (Luccão) e Ítalo (Thaylon). Técnico: Júnior Rocha.
Remo: Marcelo Rangel; João Lucas, Klaus, Leo Andrade, Cufré (Monti), Zé Welison(Marllon), Pavani (Jaderson), Yago Pikachu, Diego Hernández, Nico Ferreira (Catarozzi) e Eduardo Melo (Kayky Almeida). Técnico: Juan Carlos Osorio.
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