O Partido Trabalhista Brasileiro (PTB), que nasceu do ventre do getulismo, hoje no Pará é o refúgio de quem busca a sobrevivência política, como o ex-governador Simão Jatene, cotado entre os opositores do atual governo estadual como o único em condições de derrotar o projeto hegemônico de reeleição e de poder por longos anos do emedebista Helder Barbalho.
Não será, porém, dentro do PTB – se é que de fato assinará a ficha do trabalhismo no apagar das luzes do fechamento da janela partidária -, que o ex-governador tucano terá paz para montar seu projeto de campanha que visa destronar o empavonado “rei do Norte”. O que aconteceu nesta manhã de sábado, por exemplo, em um hotel de Belém, é apenas o ensaio da briga que começou tímida, se é que assim se pode chamar.
Quem estava no hotel, durante o processo de filiação dos novos petebistas, percebeu que a velha raposa política, o ex-deputado Josué Bengtson, não vai largar o osso com a facilidade que alguns vislumbram. A serviço do governador e armado de interesses inconfessáveis, Bengtson, que é espécie de “rainha da Inglaterra” no PTB regional, onde mal reina e nada governa, deixou claro que não aceita Simão Jatene no partido.
Foi enfático ao declarar que apóia Helder – o que ninguém presente estranhou – e que também apóia a candidatura à reeleição de Jair Bolsonaro. No auditório lotado, as vaias e apupos foram intensos. Bengtson deve ter dito isso pensando nos milhares de votos que prometeu a Helder e imagina ter na igreja do Evangelho Quadrangular.
Contudo, fontes evangélicas da Quadrangular garantem ao Ver-o-Fato que o ex-deputado petebista está em vertiginosa decadência política entre os fiéis. E que Helder é amplamente rejeitado, apesar das benesses prometidas para essa vertente religiosa.
Presente na reunião política, o site O Antagônico narra trechos do que aconteceu nesta manhã, no Radisson Hotel:
“O ex-deputado federal (Josué Bengtson) ficou sozinho sentado na mesa de convidados, visivelmente nervoso. Pouco depois chegaram, todos juntos, o ex-governador Simão Jatene, o delegado Eguchi e os deputados Caveira e Toni Cunha, além de Hidelgardo Nunes, juntamente com o secretário nacional do PTB, Kassyo Santos Ramos e Roberto Jeferson Jr, filho de Roberto Jeferson, cacique nacional do partido.
A partir dai o constrangimento só aumentou. Bengtson, que se diz homem de Deus e democrático, se recusou a falar com a imprensa e tentou barrar a presença do deputado Caveira na mesa, sob a alegação de que o mesmo não estava filiado. De nada adiantou. Caveira discursou e manteve o discurso ácido que lhe é peculiar, afirmando que “Helder Barbalho é o governador mais corrupto da história.”
“Governo corrupto”, diz Caveira
E o deputado foi duro com Bengtson. “Muito me admira uma pessoa se dizer gente de bem e apoiar um governo corrupto, alvo de várias investigações da Polícia Federal”.
Pra piorar a situação, o pastor afirmou, em alto e bom som, que falara ao telefone com Roberto Jeferson no dia anterior. A afirmação assustou o próprio secretário nacional do partido, uma vez que Jeferson está em prisão domiciliar e não pode atender telefone, nem receber pessoas. Acuado, Josué Begtson tentou desconversar, proferindo indiretas e ofensas à direção nacional do PTB, chamando de mentiroso o novo secretário do partido, Evaldo Bichara, que reagiu e quase avança em Bengtson.
Em clima tenso, a reunião prosseguiu, com a filiação de novos membros, entre eles Evaldo Bichara, Yorran Costa, José Megale, Eliane Lima, Everaldo Eguchi, entre outros. Tentando evitar perguntas da imprensa e mais constrangimento, Josué Bengtson fez um discurso rápido, tipo “enterro de leproso”, e deixou a reunião sob vaias. Foi ai que iniciou o discurso de Simão Jatene, iniciando sua fala lamentando a postura de Bengtson.
“Não podemos mais aceitar a imposição de pessoas que não aceitam a democracia. Temos que nos unir em torno de um projeto em prol da sociedade paraense”. Disse o ex-governador Simão Jatene, afirmando que ainda não definiu seu destino político, mas sinalizando com simpatia para o PTB. “Não acredito em salvador da pátria. O poder de mudança e reação contra tudo que ai está depende de cada um de nós”.
Veja o vídeo e ouça as vaias:















