Quatro alunas da Escola Estadual de Ensino Médio Irmã Dulce, em Parauapebas, no sudeste do Pará, desenvolveram um projeto que transforma o caroço de açaí em uma alternativa para auxiliar no tratamento de água impactada por resíduos minerais. A iniciativa, que une sustentabilidade e inovação, garantiu vaga entre os semifinalistas da 13ª edição brasileira do Solve for Tomorrow Brasil.
Batizado de “Euterpe-Aqua: Da Biomassa do Açaí à Tecnologia de Recuperação Hídrica”, o projeto investiga a extração de taninos presentes no caroço da fruta para produzir um coagulante natural, que poderá ser utilizado no tratamento da água.
A pesquisa surgiu a partir da observação de dois problemas presentes no município de Parauapebas: o descarte em grande quantidade dos caroços de açaí e os impactos causados pela atividade mineradora sobre os recursos hídricos.
De acordo com o professor Roberto Costa da Silva, orientador da equipe, a ideia nasceu da curiosidade das próprias estudantes ao observarem um resíduo comum na comunidade.
“O projeto nasceu de uma pergunta muito simples sobre algo que vemos sendo descartado todos os dias na comunidade. Uma das alunas começou a pesquisar o que poderia ser feito com o caroço do açaí e encontrou o tanino. A partir daí, elas perceberam que poderiam unir esse resíduo a uma problemática muito presente em nossa cidade”, explica.
Competição nacional
O projeto paraense está entre os semifinalistas da edição de 2026 do Solve for Tomorrow Brasil, programa voltado a alunos e professores do Ensino Médio de escolas públicas.
A iniciativa incentiva o desenvolvimento de projetos baseados na abordagem STEM, que reúne Ciências, Tecnologia, Engenharia e Matemática.
Segundo a organização, a edição deste ano registrou um aumento de 7,7% no número de projetos inscritos em comparação com 2025. Também houve crescimento de 11% na participação de estudantes mulheres.
Usina piloto automatizada
Como parte da pesquisa, as estudantes estão desenvolvendo uma usina piloto automatizada para realizar a extração dos taninos presentes no caroço de açaí.
O equipamento utiliza a plataforma Arduino para controlar etapas do processo, como o aquecimento e a agitação da biomassa, permitindo que os testes sejam realizados de forma automatizada.
Atualmente, a equipe trabalha no aprimoramento do protótipo e na realização de testes de extração. Além disso, as alunas estudam alternativas para aproveitar os resíduos que permanecem após o processo, buscando ampliar o potencial sustentável da iniciativa.
Para o professor Roberto Costa da Silva, o projeto também representa uma oportunidade de aproximar as estudantes da ciência e mostrar como o conhecimento pode ser aplicado para solucionar problemas reais da comunidade.
“Elas estão percebendo que a ciência não está distante da realidade delas. Elas observam um problema, pesquisam, fazem descobertas, aplicam o conhecimento e pensam em como aquela solução pode beneficiar outras pessoas”, afirma Roberto.










