Um aluno da Universidade Federal Rural da Amazônia (Ufra) foi preso em flagrante na quarta-feira (8), suspeito de perseguir uma professora no campus de Paragominas, no sudeste do Pará. De acordo com a Polícia Civil, a investigação aponta que a conduta do estudante contra a docente vinha ocorrendo de forma reiterada desde 2025, após ele ter sido reprovado em uma disciplina ministrada por ela.
A ocorrência foi registrada depois que a Polícia Militar foi acionada pela própria universidade, que informou sobre uma situação de importunação envolvendo a professora durante um evento acadêmico realizado no campus.
Segundo a polícia, a prisão foi formalizada pelo crime de perseguição majorada, previsto no Código Penal. O caso foi encaminhado à delegacia após os envolvidos serem conduzidos pela Polícia Militar para a realização dos procedimentos cabíveis.
A identidade do estudante não foi divulgada pelas autoridades. Também não foram informados o curso em que ele está matriculado nem a disciplina em que teria sido reprovado.
Professora relata sequência de intimidações desde 2025
Em depoimento prestado à Polícia Civil, a professora afirmou que o estudante teria ficado inconformado com a reprovação em uma disciplina ministrada por ela em 2025. A partir desse episódio, segundo a vítima, passaram a ocorrer sucessivas ações de intimidação e tentativas de desestabilização psicológica.
Entre os episódios relatados pela docente estão bilhetes deixados em seu carro, filmagens não autorizadas realizadas durante as aulas, arrastamento de móveis, batidas de portas enquanto ela ministrava as disciplinas e o envio de mensagens consideradas por ela como ameaçadoras.
A professora também declarou que o aluno insistia em solicitar amizade em seu perfil no Instagram.
Ainda de acordo com a vítima, áudios apresentados à autoridade policial reforçariam a intenção do investigado de perturbá-la.
Em um dos trechos atribuídos ao estudante, ele afirma que queria “pirraçar” a professora e que faria “de tudo para atormentar a vida dela”.
Medidas protetivas chegaram a ser solicitadas
Os relatos apresentados pela professora já haviam motivado, em 2025, um pedido de medidas protetivas de urgência.
Posteriormente, essas medidas foram revogadas por decisão judicial. Conforme o entendimento da Justiça, não havia contexto de violência doméstica e familiar entre as partes, mas sim uma relação de natureza acadêmica.
Mesmo após essa decisão, segundo o depoimento da docente, o estudante voltou a se aproximar dela durante um evento promovido pela universidade na manhã de quarta-feira (8), mantendo a mesma intenção de provocá-la e desestabilizá-la emocionalmente.
Ainda conforme o relato da professora, a aproximação foi impedida pelo marido dela, que também estava presente no local. A situação evoluiu para uma discussão, levando ao acionamento da Polícia Militar.
Polícia aponta indícios suficientes para prisão em flagrante
Após analisar os elementos reunidos durante o atendimento da ocorrência e o histórico apresentado pela vítima, a Polícia Civil concluiu que “havia indícios suficientes de perseguição na forma majorada, já que a conduta teria sido praticada contra mulher”.
Com base nessa avaliação, o estudante recebeu voz de prisão em flagrante.
O procedimento agora segue à disposição do Ministério Público e do Poder Judiciário.
Ufra afirma que adotou medidas para proteger servidora
Em nota, a Universidade Federal Rural da Amazônia informou que “adotou providências imediatas para resguardar a integridade da servidora”.
A instituição declarou ainda que “a equipe de segurança acompanhou a situação desde o início e que a professora está sendo acolhida pela equipe psicossocial da Pró-Reitoria de Gestão de Pessoas (Progep)”.
A universidade informou também que “equipes psicossocial e pedagógica devem visitar o campus para prestar apoio à comunidade acadêmica”.
Além disso, a Ufra afirmou que “está adotando medidas administrativas para apuração dos fatos” e repudiou “qualquer forma de violência, intimidação, assédio ou conduta que comprometa a segurança da comunidade universitária”.
Por fim, a instituição destacou que, em maio de 2026, instituiu o Programa Institucional de Prevenção e Enfrentamento ao Assédio e à Discriminação.















