O paraense Rodrigo Nogueira, de 27 anos, natural do município de Alenquer, decidiu deixar o conforto do lar, a estabilidade financeira e a vida tranquila que mantinha em Manaus, capital do Amazonas, para atuar diretamente no front da guerra na Ucrânia. Atualmente, ele integra a Guarda Nacional Ucraniana “Khartiia”, motivado pelo ideal de lutar pela liberdade do país e contra a invasão russa.
Especialista em operações com cães, Rodrigo era militar da Força Aérea Brasileira antes de se voluntariar para o conflito. Segundo ele, a decisão foi impulsionada pelo desejo de ir além da rotina militar que levava no Brasil e de lutar pelo direito de existir de um povo cuja história conhecia apenas por livros e noticiários. Rodrigo está na Ucrânia desde junho de 2025.
“Eu vim pra Ucrânia em junho de 2025. Eu vim com o propósito de ajudar o povo ucraniano e também para obter experiência em um conflito de larga escala. E a experiência aqui tá sendo bem boa, né? E também, bem insana, intensa em questão de combate, do front e tudo mais”, contou Rodrigo.
A guerra na Ucrânia já dura quase quatro anos e é considerada o conflito mais mortal na Europa desde a Segunda Guerra Mundial. Inserido em um grupo que atua diretamente na linha de frente, Rodrigo relata que os confrontos são constantes, marcados por artilharia pesada e alto risco.
Em uma de suas missões, ele combateu na região de Kupyansk. Durante a operação, enfrentou combates intensos e perdeu amigos brasileiros em meio ao fogo cruzado.
“Tivemos um combate aproximado com o inimigo, onde perdi dois amigos. Um drone kamikaze explodiu a 3 metros de mim. Somos um grupo de assalto [combate aproximado], vamos pro tudo ou nada”, disse.

De acordo com Rodrigo, apesar de o treinamento para o front ser pesado e eficaz, nada prepara completamente os voluntários para a intensidade do combate real. Ainda assim, ele afirma não reclamar da experiência. Pelo contrário, demonstra gratidão pela oportunidade de atuar na Guarda Nacional Ucraniana e diz esperar ver concretizado o sonho de um mundo melhor, com o povo ucraniano vivendo em paz.
Mesmo vivendo a realidade dura da guerra e realizando o ideal de lutar pelo povo ucraniano, Rodrigo afirma que não esquece suas origens no Brasil e revela do que mais sente falta. “O que eu sinto mais falta aí do Brasil é a cultura, a culinária e um ou dois familiares”.
Enquanto Rodrigo segue atuando no front, a situação diplomática da guerra permanece indefinida. Na semana passada, enviados de Moscou, Kiev e dos Estados Unidos se reuniram em Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos, mas a rodada de negociações terminou sem avanços concretos.
No último domingo (1º), o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, anunciou uma nova rodada de negociações de paz entre delegações da Rússia e da Ucrânia, prevista para quarta e quinta-feira (4 e 5) desta semana.
O governo de Kiev enfrenta pressão dos Estados Unidos para aceitar um acordo que interrompa a guerra, que já se estende por quase quatro anos. Ao mesmo tempo, o país lida com uma campanha de ataques aéreos que devastou o sistema de energia durante um dos invernos mais frios dos últimos anos.















