A tarde ainda corria sob o sol pesado da sexta-feira (13) quando o silêncio de uma casa no Bairro Palmares II, em Parauapebas, foi rasgado por tiros. Não foi briga de rua. Não foi emboscada em esquina escura. Foi invasão. Foi execução dentro de casa.
Dois homens armados, vestidos com calças e camisas de mangas longas — como quem já chega decidido a não deixar rastros — atravessaram o portão e transformaram a residência em cenário de uma novela policial macabra. Sem discussão prolongada, sem aviso além do estampido das armas, dispararam várias vezes contra Joyce Silva Gomes e Walisson Mendonça Freitas, conhecido como “Iury”.
Ela sobreviveu. Ele tombou.
Quando a guarnição do Grupamento de Prevenção Ativa (GPA), da Polícia Militar, chegou, encontrou o que restou do ataque: cápsulas espalhadas, desespero e sangue no chão. Joyce havia sido socorrida por uma equipe médica do próprio bairro, estabilizada até a chegada do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), que a levou ao Hospital Geral de Parauapebas. Lutava pela vida.
Walisson, porém, não teve a mesma chance. Morreu ainda no local, transformando a sala da casa em cenário definitivo de um crime frio e calculado.
Testemunhas relataram que os atiradores chegaram em uma motocicleta Honda XRE. Antes de fugir, ainda fizeram um gesto seco para que uma pessoa saísse do local — como se controlassem cada movimento ao redor, como se o bairro inteiro estivesse sob mira. Depois, desapareceram pelas ruas, deixando apenas o eco dos disparos e o medo instalado.
O caso passou às mãos da Polícia Civil, que abriu investigação para identificar e capturar os autores.
Barbárie naturalizada
É esse o retrato da violência que corrói o sudeste do Pará, região marcada por crescimento econômico acelerado, circulação intensa de dinheiro, disputas territoriais e um submundo que prospera nas frestas da desigualdade social. Em cidades como Parauapebas, onde a mineração convive com bolsões de vulnerabilidade, a linha entre prosperidade e brutalidade é, muitas vezes, tênue.
Invadir uma casa em plena luz do dia e executar alguém diante de testemunhas revela mais que ousadia criminosa: revela naturalização da barbárie. A residência — último reduto de segurança do cidadão comum — já não é garantia de proteção. O medo deixou de ser apenas noturno. Agora bate à porta às duas da tarde.
Enquanto os autores seguem foragidos, a pergunta que ecoa não é apenas “quem matou?”, mas “até quando?”. O sudeste do Pará vive sob tensão permanente, onde histórias como essa se repetem com uma frequência que assusta — e banaliza o horror.















