Uma operação do 46º Batalhão da Polícia Militar desarticulou, no final da semana, parte de uma facção criminosa que vinha aterrorizando Novo Progresso. Três suspeitos morreram após confronto, e um arsenal, drogas e veículos usados em crimes foram apreendidos — uma resposta dura diante do avanço preocupante de organizações criminosas na Amazônia.
Segundo a reportagem do jornal Folha do Progresso, a ação começou por volta das 16h, na Rua Nogueira, Bairro Industrial, durante rondas ostensivas da equipe comandada pelo 1º tenente Rosivaldo, juntamente com o 3º sargento Derivaldo, o Cabo Reis e o soldado Guedes. Os policiais encontraram uma motocicleta Honda Fan 125 preta, sem placa, estacionada em uma oficina — justamente o veículo apontado como usado em uma série de roubos e homicídios recentes na cidade.
O mecânico informou que buscou a motocicleta para reparos na rua Cedro Rosa. Ao chegar ao endereço, a PM abordou Dafny Balani Carlos, a “Mascote”, que carregava 191 gramas de maconha, 53 gramas de cocaína, 56 gramas de crack e 58 de haxixe — um volume que, pela variedade e quantidade, evidencia o funcionamento de uma rede de distribuição estruturada.
“Mascote” confessou que as drogas pertenciam a dois faccionados conhecidos: Joyceani Sales de Sousa, a “Malévola”, e Marcos Eduardo Alves Pessoa, o “Anjo”, ambos com mandados de prisão em aberto e integrantes de uma organização criminosa com atuação regional. Ela ainda revelou que a dupla se escondia em uma residência na rua Ayrton Senna, bairro Otávio Onetta, e conduziu a guarnição até o endereço.
Ao chegar ao local, a polícia foi recebida a tiros. Segundo o relatório, os agentes revidaram com “uso moderado e proporcional da força letal”. No confronto, “Malévola”, “Anjo” e um terceiro suspeito não identificado, conhecido como “Mickey” — apontado como piloto de fuga da facção — foram baleados. Eles chegaram a ser socorridos, mas morreram no Hospital Municipal. Nenhum policial ficou ferido.
A operação resultou ainda na apreensão de três veículos usados pela facção (uma Honda Fan preta, uma Honda Pop branca e um Space Fox prata), além de armas de fogo — entre elas um revólver .38, um .32 com munições deflagradas e uma arma caseira calibre .28 —, celulares, uma placa veicular e R$ 84 em espécie.
Dafny Balani Carlos foi conduzida à Delegacia de Polícia Civil junto do material apreendido. Investigações seguem para identificar outros integrantes da organização.
Ação e reação
Estamos diante de duas faces da mesma realidade que se torna cada vez mais nítida na Amazônia: o crescimento acelerado de facções criminosas e a resposta firme das forças de segurança. A estrutura encontrada, a quantidade de drogas, a variedade de armas e o uso de motos específicas para crimes mostram que a criminalidade organizada já opera em moldes urbanos em áreas remotas da região.
Por outro lado, operações como esta — rápidas, qualificadas e com inteligência direcionada — mostram que a polícia tem conseguido desarticular núcleos importantes antes que se estabeleçam de forma definitiva. O confronto que terminou com três suspeitos mortos revela o grau de agressividade desses grupos, mas também a capacidade de reação do Estado.
No atual cenário amazônico, cada operação bem-sucedida representa mais que uma ação pontual: é uma contenção necessária contra redes que tentam se expandir sobre cidades vulneráveis, muitas delas afastadas dos grandes centros e mais sujeitas à influência de facções vindas de outros estados.
A PM, neste caso, agiu de maneira eficiente e cirúrgica — e isso, na realidade da Amazônia, faz toda a diferença.















