Duas semanas depois da morte por afogamento do líder indígena Tymbektodem Arara, na Terra Indígena Cachoeira Seca, na região do Xingu, sudoeste paraense, a Polícia Federal informou que abriu investigação para apurar se ele pulou no rio por conta própria ou se teria sido jogado de um barco, onde estaria com ribeirinhos.
Informações divulgadas por vários veículos de comunicação do Brasil, após a entrada da Polícia Federal no caso, levantam suspeitas sobre a morte do indígena, pelo fato dele ter sido ameaçado de morte, depois de discursar na ONU, em 28 de setembro deste ano, denunciando invasão da Terra Indígena Cachoeira Seca.
A TI Cachoeira Seca é uma área povoada pelos índios Arara, de 734 mil hectares, localizada nos territórios dos municípios de Altamira, Placas e Uruará, entre os rios Xingu e Iriri, e só foi homologada em 2016, depois de 30 anos de espera. È uma terra invadida ilegalmente por madeireiros e garimpeiros clandestinos.
Inicialmente, a morte do líder indígena, no dia 14 de outubro último, no rio Xingu, foi dada como afogamento acidental, pois ele “teria pulado no rio enquanto estava alcoolizado”. Mas outra versão, que fez a PF entar no caso, aponta para o fato de que ele “teria sido jogado do barco por ribeirinhos, quando estava embriagado”.
O que reforçou a suspeita de provável homicídio foi que Tymbektodem Arara recebeu áudios por aplicativos de mensagens com ameaças de fazendeiros locais, após o discurso na Comissão de Direitos Humanos da ONU, em Genebra, na Suiça. Ele precisou de escolta da Força Nacional para voltar à aldeia.
Se for confirmado que a morte dele foi homicídio, o Pará e o Brasil vão sofrer um desgaste internacional de proporções incalculáveis, que podem ter reflexos negativos na realização da COP 30, marcada para ser realizada em 2025, em Belém.















