O Pará foi o estado com o maior número de conflitos agrários registrados na Amazônia Legal no primeiro semestre de 2026, com 90 ocorrências. O número coloca o estado à frente do Amazonas e de Rondônia, que tiveram 63 registros cada, segundo levantamento da Comissão Pastoral da Terra (CPT).
Ao todo, a Amazônia Legal concentrou 446 dos 841 conflitos agrários registrados no Brasil entre janeiro e junho deste ano. Isso significa que mais da metade das ocorrências contabilizadas no país ocorreu na região.
Depois do Pará, aparecem no ranking o Acre, com 58 conflitos, e o Maranhão, com 57. Na sequência estão Amapá (39), Mato Grosso (35), Tocantins (23) e Roraima (18).
O cenário de conflitos também é acompanhado por diferentes formas de violência contra trabalhadores rurais, povos indígenas, quilombolas e outras comunidades que vivem no campo.
Entre os conflitos por terra registrados na Amazônia Legal, 361 envolveram violência contra a ocupação e a posse. Entre as principais ocorrências estão invasões (92), omissão e conivência (71), desmatamento ilegal (70) e contaminação por agrotóxicos (63).
O estado também aparece entre os territórios afetados pela contaminação por minério. Das 195 ocorrências de violência contra a pessoa relacionadas a esse tipo de contaminação, todas foram registradas em um único caso, em Jacareacanga.
Segundo a CPT, a situação está relacionada ao garimpo ilegal de ouro na bacia do rio Tapajós e atinge a Terra Indígena Munduruku.
A liderança do Pará no número de conflitos ocorre em um cenário de violência que também atinge outros estados da região.
Dos seis assassinatos registrados em conflitos no campo em todo o Brasil no primeiro semestre de 2026, cinco ocorreram na Amazônia Legal.
Entre os casos está o massacre ocorrido em abril, em Lábrea (AM), que matou três posseiros, incluindo um adolescente de 14 anos. Em fevereiro, Roraima registrou a morte do comunicador e jovem liderança Wapichana Gabriel Ferreira, encontrado após dez dias desaparecido.
Além dos conflitos, a Amazônia Legal registrou 84 manifestações no primeiro semestre, reunindo pelo menos 18 mil pessoas.
As mobilizações ocorreram por meio de atos públicos, marchas, protestos, romarias, bloqueios de rodovias e ocupações de prédios públicos. Entre as principais reivindicações estão a demarcação de terras indígenas, o combate aos agrotóxicos, o enfrentamento à violência e à impunidade, além de pautas relacionadas à mineração, à água e às condições de trabalho.















