A Secretaria de Segurança Pública e Defesa Social do Pará divulgou o levantamento dos crimes violentos letais intencionais – homicídios, latrocínios e lesões corporais seguidas de morte – registrados nos três primeiros meses de 2023, em todo o território paraense.
Segundo a Segup, de janeiro a março deste ano foram registrados 464 casos de crimes contra a vida. Os números são bem maiores do que os já publicados pelos portais de notícias espalhados por todo o estado.
Números altos, que não podem mais ficar engavetados.As ruas e a insegurança pública falam mais do que frias estatísticas.
O governo, por sua vez, comemora a redução atual dos crimes contra a vida em relação aos anos anteriores e a “preservação de 326 vidas este ano”, detalhe este que intriga os observadores do sistema de segurança pública regional.
De acordo com a Secretaria Adjunta de Inteligência e Analise Criminal (Siac), vinculada à Segup, ocorreram 146 casos em janeiro deste ano, o que “aponta, só no primeiro mês de 2023, a preservação de 48 vidas, com base no indicador do número de crimes violentos, se comparado ao mesmo período do ano passado”.
A propaganda oficial do governo diz que “a preservação de vidas mês a mês e ano a ano é reflexo dos investimentos, medidas adotadas e ações integradas na área de segurança pública, garantindo assim, a maior prevenção na prática de crimes de uma forma estratégica e de acordo com cada região do estado”.
Mas na visão de observadores, no dia a dia da população, o que mais se vê nas ruas são vítimas sendo executadas sem piedade, a toda hora, em qualquer lugar, por atiradores audaciosos, que aparecem de surpresa em motocicletas ou carros e, sem esconder os rostos, na maioria das vezes, descarregam suas armas nos alvos, mirando geralmente a cabeça e o peito das vítimas.
“Como pode o estado afirmar que preserva vidas, se não consegue proteger nem mesmo os seus próprios membros?”, questiona um observador, referindo-se aos assassinatos de agentes de segurança nos últimos anos e, recentemente, o do sargento Silva Lima, da Polícia Militar, que estava ameaçado de morte pelo chefe do Comando Vermelho no Pará.
“O sargento Silva Lima foi ameaçado de morte pelo então chefe do Comando Vermelho no Pará, “L 41” (morto depois no Rio de Janeiro), pediu socorro aos seus superiores, registrou queixa, mas mesmo assim foi executado na frente de casa, junto com uma mulher. Então, questiona-se: se o sistema de segurança não protege um membro da segurança pública ameaçado, como pode proteger um cidadão comum?”, quer saber o observador.
A falácia propagada pela mídia milionária do governo de Helder Barbalho, que diz ter “preservado 326 vidas neste ano” com relação aos anos anteriores, não resiste a uma pergunta que desmonta essa conta esdrúxula: por que não preservou as vidas dos 464 mortos apenas nestes primeiros 92 dias de 2023? Isto sem falar nas vidas das mais de três dezenas de policiais assassinados.















