Depois de quatro décadas de lama, poeira e prejuízos, o asfalto venceu. O pesadelo de mais de 40 anos enfrentado por moradores, produtores rurais e motoristas do sudeste do Pará — marcado por atoleiros colossais, veículos quebrados, isolamento e transtornos diários — chegou oficialmente ao fim.
O que durante décadas foi apenas promessa e sonho virou realidade concreta: a BR-422, no trecho entre Tucuruí e Novo Repartimento, está totalmente pavimentada. O Ministério dos Transportes confirmou, pelas redes sociais, a conclusão integral da obra, um divisor de águas para a mobilidade, a economia e a qualidade de vida na região.
Com investimento total de R$ 228 milhões, viabilizado pelo Novo Programa de Aceleração do Crescimento (Novo PAC), foram asfaltados 59,34 quilômetros da rodovia. O momento simbólico da conclusão ocorreu em 15 de novembro de 2025, quando os últimos quatro quilômetros receberam a camada asfáltica, encerrando um capítulo histórico de abandono e abrindo um novo ciclo de desenvolvimento para o sudeste paraense.
Um corredor de progresso
Mais do que ligar dois municípios, a BR-422 — conhecida como Transcametá — cumpre papel estratégico no mapa logístico do Pará. A rodovia conecta-se diretamente à BR-230 (Transamazônica), formando um corredor fundamental para o escoamento da produção agropecuária e para a circulação de mercadorias entre polos como Marabá e Altamira.
Antes do asfalto, o trajeto entre Marabá e Tucuruí, via PA-150, passando por Nova Ipixuna e Jacundá, somava 273 quilômetros e podia consumir até cinco horas de viagem, dependendo das condições da estrada de terra.
Com a BR-422 pavimentada, a distância cai para 252 quilômetros e o tempo médio de deslocamento é reduzido para cerca de três horas e quarenta minutos. O impacto é direto: menos custos com combustível e manutenção, mais segurança e um salto de competitividade para os produtores do Baixo Tocantins.
Em nota divulgada em setembro de 2025, o DNIT destacou que a obra “representa um avanço significativo para a região, ao melhorar a conectividade, as condições de tráfego e impulsionar o desenvolvimento econômico e social, beneficiando moradores, produtores e o comércio local”.
O fim do isolamento histórico
Aberta na década de 1980, a BR-422 jamais havia sido totalmente pavimentada. Por décadas, a população conviveu com a poeira sufocante no verão e com os atoleiros quase intransitáveis durante o inverno amazônico. Pontes de madeira estreitas e precárias, que se tornaram símbolos do atraso, deram lugar a estruturas modernas de concreto, largas e seguras, eliminando gargalos históricos da rodovia.
A pavimentação foi resultado de uma luta persistente da sociedade local. A ordem de serviço foi assinada em julho de 2022, durante o governo Jair Bolsonaro, com investimento inicial de R$ 176 milhões. A execução ficou a cargo do consórcio formado pelas construtoras LCM e Ápia S/A, que instalou em Novo Repartimento uma usina de asfalto para produção de Concreto Betuminoso Usinado a Quente (CBUQ), garantindo ritmo e qualidade à obra.
O acompanhamento permanente da Comissão Pró-Asfalto da BR-422, presidida por Roberto Barbosa, foi decisivo para manter o projeto no radar das autoridades. A presença de lideranças como o deputado federal José Priante, coordenador da bancada paraense, e do superintendente do DNIT no Pará, Diego Benitah, no ato de conclusão, simbolizou a convergência política e institucional que tornou possível a entrega da rodovia.
Transformação social e econômica
Os efeitos da BR-422 asfaltada vão muito além da logística. O acesso facilitado a saúde, educação e serviços públicos, a redução de acidentes e o fim do isolamento histórico transformam a rotina de milhares de famílias. Comerciantes e prestadores de serviços já relatam ganhos logísticos e redução de custos, enquanto cresce a expectativa de novos investimentos, geração de empregos e fortalecimento das cadeias produtivas locais.
Depois de mais de quatro décadas de espera, a lama ficou para trás. A BR-422 deixa de ser sinônimo de atraso e passa a representar integração, desenvolvimento e dignidade para o sudeste do Pará. O sonho antigo, enfim, virou estrada de verdade.
VEJA A OBRA















