O Papão podia ter vencido, mas cometeu uma série de lambanças — para variar — e ainda perdeu um pênalti no final da partida. Porém, conseguiu puxar o Amazonas para o mesmo abismo em que estava, rebaixando o adversário para a Série C de 2026. Paysandu e Amazonas deixaram o gramado da Curuzu abraçados rumo à terceira divisão. Depois de um primeiro tempo que deu calos nos olhos dos pouquíssimos torcedores presentes, a segunda etapa ganhou ares de decisão, contrastando completamente com a apatia inicial.
As equipes passaram a buscar o gol a todo instante. O Paysandu abriu o placar, viu o adversário empatar e virar em sequência, de forma relâmpago, e depois correu atrás de novo empate. Já nos acréscimos, teve a chance da virada, mas Bryan Borges desperdiçou um pênalti que poderia ter dado a vitória bicolor.
Em mais um jogo para cumprir tabela, o Paysandu recebeu o ainda esperançoso Amazonas nesta sexta-feira, dia 14, às 20h (de Brasília), no Estádio da Curuzu, em Belém, na abertura da 37ª rodada da Série B do Brasileiro.
A partida começou com o Paysandu em ritmo de treino, enquanto o Amazonas tentava se agarrar às últimas esperanças de evitar a queda. Mas quem esperava algum traço de emoção se decepcionou rapidamente. Em campo, o ritmo lembrava mais um treino de meio de semana do que um jogo decisivo: toques lentos, pouca intensidade e aparente falta de vontade de ambos os lados — cada um por seus próprios motivos.
O Amazonas até demonstrou certa urgência em alguns lances, mas a falta de qualidade coletiva e a postura fria do rival transformaram o duelo em um jogo arrastado, sem criatividade e praticamente sem chances reais de gol. Em resumo, o espetáculo estava dando calos nos olhos de quem saiu de casa para acompanhar a partida.
Erros e ruindade
O tempo passava e a qualidade técnica não melhorava. A maioria dos chutes a gol parecia destinada a sair do estádio. Entre as duas equipes, o Amazonas — mesmo com um jogador a menos após uma expulsão — ainda foi melhor que o Paysandu. O Lobo fez um primeiro tempo condizente com sua temporada: ruim. O 0 a 0 ao final dos primeiros 45 minutos refletiu exatamente o futebol apresentado.
O segundo tempo começou melhor, com as equipes acelerando o jogo e demonstrando um pouco mais de disposição ofensiva. As substituições surtiram efeito imediato e deram um mínimo de organização e energia aos dois lados — especialmente ao Paysandu, que, com um jogador a mais, passou a controlar a partida, ocupando o campo de ataque e criando uma dinâmica mais favorável.
E a melhora bicolor se transformou em bola na rede. Aos 27 minutos, depois de um bate-rebate na área do Amazonas, a bola sobrou para André Lima, que, com uma “chicotada”, mandou um foguete sem chances para Renan, goleiro do Amazonas. Um golaço! Lobo 1 a 0.
Mas a comemoração foi curtíssima. Aos 31, após evitar o gol de empate com um desarme preciso, o zagueiro Novillo, na sequência do lance, entregou a bola nos pés de Diego Torres, que só empurrou para o fundo da rede. 1 a 1.
E na saída de bola, veio o apagão completo. Luan Silva roubou a bola no meio, tocou para Henrique Almeida, que deixou para Joaquín Torres finalizar na saída de Gabriel Mesquida e virar o jogo. Um lance inacreditável. O Paysandu sendo Paysandu: um time esfacelado em 2025.
Mas o Papão não queria cair sozinho; seu parceiro inseparável, o Amazonas, precisava acompanhar. Aos 46, Wendel cobrou falta rasteira na área, a zaga amazonense se atrapalhou e a bola sobrou para Bryan, que colocou no cantinho de Renan para empatar: 2 a 2.
E o Paysandu queria mais: o empate era pouco. Aos 48, Peterson chutou ao gol, a bola bateu no braço do zagueiro do Amazonas e, após intervenção do VAR, o árbitro marcou pênalti. Na cobrança, Bryan Borges isolou. Os acréscimos foram melhores do que todo o campeonato das duas equipes. Uma loucura.
Depois disso, o Paysandu ainda teve outra chance da virada, mas o zagueiro do Amazonas tirou em cima da linha. Em seguida, o apito final. Foi um segundo tempo muito superior à primeira etapa, sobretudo nos acréscimos. As duas equipes voltaram do intervalo decididas a vencer. No fim, o empate foi justo. 2 a 2.
RAIO X DA PARTIDA
Local: Estádio da Curuzu
Árbitro: Alex Gomes Stefano (RJ)
Árbitro Assistente 1: Luiz Cláudio Regazone (RJ)
Árbitro Assistente 2: Leone Carvalho Rocha (GO)
Quarto Árbitro: Marcello Rudá Neves Ramos da Costa (DF)
VAR: Gilberto Rodrigues Castro Júnior (PE)
Paysandu: Gabriel Mesquita); Edilson, Quintana (Lucão), Novillo e Reverson (Bryan Borges); André Lima, Pedro Henrique; Marlon, Marcelinho (Petterson), Vinni Faria (Carlos Eduardo) e Wendel. Técnico: Ignácio Neto (interino)
Amazonas: Renan; Domingos (Robertinho), Alvariño, Léo Coelho e Fabiano; Larry Vasquez, Rafael Tavares (Luan Silva), Erick Varão, Diego Torres, Henrique Almeida, Willian Barbio (Castrillon). Técnico: Aderbal Lana















