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Home Cultura

Os bastidores da fundação de Belém

Oswaldo Coimbra por Oswaldo Coimbra
13/08/2026
in Cultura
Os bastidores da fundação de Belém
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Hoje é possível se conhecer os bastidores da fundação de Belém porque os eventos de preparação das naus enviadas ao Gram-Pará, a partir de São Luís, no Maranhão, no dia de Natal do ano de 1615, ficaram registrados num documento oficial.

O documento contém preciosas informações.  

No seu início, revela que sua elaboração se deu no Forte de São Felipe, onde estavam as “pousadas do Capitão-Mor” Alexandre de Moura. 

Portanto, dentro de uma das construções militares levantadas pelo engenheiro-mor do Brasil, Francisco Frias de Mesquita. 

Que também havia levantado o Forte de Guaxunduba, valiosíssimo posto avançado dos soldados lusitanos, no enfrentamento deles com tropas francesas, invasores do Maranhão.

Mesquita, foi personagem importante da recuperação daquela região pelo império português.

Por esta razão recebeu o convite para assinar aquele documento.

Junto ele, o assinaram, também, Alexandre de Moura, o capitão-mor Francisco Caldeira Castelo Branco, escolhido para comandar as três naus, o tabelião Frutuoso Lopes, Diogo de Campos Moreno, outro militar de destaque, e, Francisco Coelho de Carvalho, ex-governador da Paraíba, e, futuro governador do Maranhão/Gram-Pará.

Em seguida, o documento esclarece o motivo para tantas assinaturas de autoridades.

A expedição ia acontecer como execução de uma tarefa confiada a Alexandre de Moura por Gaspar de Souza, 

governador-geral do Brasil. 

Deveria comprovar que Alexandre de Moura tinha realizado o que lhe fora ordenado pelo governador-geral

do Brasil. 

A tarefa dele não era simples, porque, na viagem das naus, em direção ao Gram-Pará, os portugueses poderiam 

se confrontar com outros invasores. 

Devido a isto, o governador-geral – diz o documento – queria que “se fizesse a jornada do Gram-Pará e Rio 

Amazonas e se botassem deles os estrangeiros que ali residem”. 

A necessidade de atribuição desta missão a Alexandre de Moura, tinha surgido devido ao descaso de Portugal 

com a região, desde quando seus navegadores chegarem ao Brasil, no ano de 1500.. 

Certamente o que terá alertado o governo português para as consequências do descaso com a região foi o 

ocorrido, havia pouco tempo, ali mesmo, no Maranhão. 

Nesta capitania, os ainda recentes embates com os franceses fizeram parte de uma história de aventura, digna 

dos grandes romances. 

A história, tal como a reconstituiu Augusto Meira Filho, em sua obra “Evolução Histórica de Belém do Grão-Pará”, é a seguinte.

Entre os corsários de diversos países que aproveitaram o descuido dos portugueses para explorar a região, dois franceses – Jacques Riffaut e Charles Des-Vaux – por volta de 1606, naufragaram em frente à ilha de Santana, nas proximidades de São Luiz. 

Os dois, juntos, numa exibição de capacidade de descortínio, quiseram fundar uma povoação ali, para criar, no Maranhão, um núcleo de colonização francesa, a partir do qual pudessem continuar se aproveitando dos recursos da região. 

O atendimento àquele desejo exigia que um deles retornasse à França para tentar convencer as autoridades daquele país a organizarem uma grande expedição, asseguradora da posse definitiva do Maranhão. 

A missão foi assumida por Jacques Riffaut. 

Ele, porém, não teve êxito e terminou desistindo de retornar ao Maranhão. 

De sua parte, Charles Des-Vaux não tinha perdido tempo. 

Conseguiu integrar-se tão bem à região que passou a conhecer em detalhes, a ponto de se tornar líder de uma comunidade indígena, cuja língua aprendera. 

Tanto sucesso no Maranhão, levou Des-Vaux a achar que poderia, também, ter êxito naquilo em que Riffaut fracassara. 

Ele viajou para a França e lá, de fato, depois de expor a Henrique IV o que vira no Maranhão, conseguiu despertar, no monarca, interesse em ver confirmado seu relato. 

Invasão e expulsão dos franceses

Foi enviado ao Maranhão para que o rei pudesse se certificar da veracidade das boas infirmações fornecidas por Dês-Vaux, Daniel de La Touche, senhor de Ravardiére. 

Com a confirmação feita por La Touche, o desejo do pirata foi plenamente atendido. 

A França organizou uma expedição para tomar posse definitiva do Maranhão, composta de quinhentos aventureiros, quatro frades capuchinhos e dois historiógrafos, sob a chefia do próprio La Touche. 

No dia 8 de setembro de 1612, como os dois corsários haviam planejado, os franceses fundaram o povoado de São Luiz e passaram a dominar a capitania. 

Esta situação só foi alterada, dois anos depois, em 1614, quando, por fim, as tropas portuguesas conseguiram desalojar os franceses da direção da colônia.

Aquela história o governador-geral do Brasil não queria ver repetir-se no Grão – Pará. 

Na verdade, aquela história não havia se encerrado para o pirata Des-Vaux. 

Depois de expulsarem os franceses da direção da capitania, os portugueses perceberam que podiam tirar proveito do conhecimento que ele detinha da região. 

O pirata tinha viajado pelo Gram-Pará, em companhia de La Touche, tendo ambos visitados o sítio, a 160 quilômetros de Belém, onde mais tarde seria instalado o povoado de Vigia. 

Por isto, os portugueses quiseram reter Des-Vaux em São Luiz.

Após revelar que Moura fora incumbido de expulsar os estrangeiros que tivessem se abrigado no Gram-Pará, o documento assinado por aquelas autoridades traz as informações sobre a região, fornecidas aos portugueses pelo chefe da expedição francesa, La Touche.

O fornecimento delas entrou nas negociações encetadas com os franceses, depois da retomada da posse do Maranhão por Portugal. 

Aquelas informações tinham valor inestimável para os portugueses.

E a obtenção delas, foi, como mostra o documento de 1615, a primeira das providências tomadas por Alexandre de Moura para realizar a tarefa confiada a ele pelo governador-geral. 

De posse delas, os riscos da viagem a ser empreendida até o Gram-Paráficaram menores.

Não só porque através delas se podia vislumbrar o rumo a ser seguido pelas naus portuguesas.

Mas, também, porque representavam uma garantia de La Touche de que não haveria ataques dos franceses inconformados com a derrota. 

Diz o documento: 

“Claramente se sabe que o Pará é uma das bocas do dito Rio das Amazonas da banda de leste, e, que, nela, não ha gente nenhuma, nem fortaleza, mais que dois homens, que ali deixou o senhor Des-Vaux e um que fugiu por criminoso. E que, assim mesmo, no dito Rio das Amazonas não havia gente nenhum, nem fortaleza, o que tudo alem das informações que tinha, lhe havia afirmado o sr. de La Ravardière”.

A simples posse daquelas informações, contudo, como se viu, em seguida, não foi bastante para habilitar os portugueses à condução das naus. 

Os mestres e pilotos da armada portuguesa, prossegue o documento:

“Disseram que não tinham conhecimento nenhum dela (da costa marítima). Nem sabiam como se havia de navegar. E que era certo perderem-se as naus e a gente pelos muitos baixos, que diziam haviam nela”. 

Diante disto, Moura tomou outra providência, como revela o documento: 

“Mandou chamar os pilotos franceses que para este feito tinham mandado ficar no Maranhão”, junto com Des-Vaux.

De início, Moura os achou de pouca valia porque:

“Tampouco nenhum deles se atreveria a levar naus por fora, e que por dentro não podiam ir se não navios pequenos. E que esses não haviam de navegar, se não de dia”.

Depois, Moura resolveu que usaria na expedição navios pequenos. 

O pirata e Castelo Branco

O capitão-mor convocou, então, para ajudar na orientação da viagem um dos pilotos franceses e Des-Vaux, “frances grande língua pratico na terra e muito conhecido nela”. 

Maria de Lourdes Sobral, em “As missões religiosas e o barroco no Pará”, diz que foi Des-Vaux quem, realmente, guiou as naus até a pequena enseada na baía de Guajará, próxima do sítio onde desembarcaria a tropa portuguesa.

No segmento seguinte, já na segunda metade do texto do documento ,é que aparece, pela primeira vez, o nome de Francisco Caldeira de Castelo Branco. 

Homem impulsivo, impertinente – segundo a descrição que faz dele o historiador Ernesto Cruz, em “História de Belém” -, Francisco Caldeira, nascido em Castelo Branco, Portugal, tinha, então, 49 anos de idade.

E ocupara o cargo de capitão-mor, no Rio Grande do Norte, entre os anos de 1612 e 1614. 

Em novembro de 1615, ele se encontrava em Pernambuco. 

Foi lá, que recebeu ordem do governador-geral do Brasil para se dirigir ao Maranhão, no comando as caravelas que levariam munições e soldados, em socorro de Jerônimo de Albuquerque, o líder das tropas portuguesas, em luta contra os franceses. 

Estas tropas portuguesas, naquele momento, estavam em trégua com de La Touche, mas mantinham-se aquarteladas em Guaxenduba.

O documento informa que houve um consenso entre os maiorais do Maranhão de que Alexandre de Moura, “de nenhuma maneira” deveria assumir o comando da viagem ao Gram-Pará, “porque não convinha”. 

Por conseguinte, Moura “elegia a Francisco Caldeira de Castelo Branco por capitão da dita jornada, por confiar dele faria o serviço do Rei como era necessario”.

Tal declaração de confiança em Castelo Branco, no entanto, segundo Meira Filho, era somente uma habilidosa manobra de Moura para afastar do Maranhão uma pessoa que ele considerava indesejável ali. 

Para mostrar isto, o autor transcreve um outro documento, um relatório de Moura ao governador-geral, no qual Castelo Branco é acusado de ter permanecido no Maranhão – depois de levar de Pernambuco até lá o reforço às tropas portuguesas -, por um período de tempo maior do que lhe autorizara Gaspar de Souza. 

Castelo Branco, diz o relatório transcrito por Meira Filho, por negar-se a “ir-se embora, de tal modo se deixou ficar naquelas partes que pôs em contingência o bem de seu governo, dando ocasião a que alguns maus intencionados lhe perdessem o respeito”. 

Pior ainda: nas negociações com La Touche, após a vitória dos soldados portugueses, Castelo Branco – diz o relatório -, que deveria se manter discreto na defesa dos interesses de Portugal, assinou pactos com os franceses “com tanta soltura, como se nessas materias fora cabeça, quando não tinha poder para nada”.

Aquelas acusações eram particularmente graves porque tinham sido levadas a Moura pelo próprio comandante das forças portuguesas, Jerônimo de Albuquerque.

Finalmente, do documento constam ainda as demais providências tomadas por Moura para a expedição do “descobridor e primeiro conquistador do Rio Amazonas”, como, com evidente exagero, foi oficialmente chamado  Castelo Branco, antes de sair de São Luiz. 

A ele foram fornecidos 150 homens, três embarcações bem aparelhadas, com amarras novas, retiradas de outros navios, e, mantimentos suficiente para alimentação das tropas, durante cinco meses. 

O capitão-mor foi, também, atendido em outros pedidos de materiais necessários para completar o seu estoque de fornecimentos, com o que “o dito Francisco Caldeira se deu por satisfeito e os mestres das embarcações que vão com ele”, conclui o documento.

(Ilustração: Em sua obra, de 1908, o autor transcreveu documentos antigos)

Behind the Scenes of the Founding of Belém

Today, it is possible to learn about the behind-the-scenes events surrounding the founding of Belém because the preparations for the ships sent to Gram-Pará from São Luís, Maranhão, on Christmas Day in 1615, were recorded in an official document.

The document contains precious information.

At the beginning, it reveals that it was drawn up at Fort São Felipe, where the “lodgings of the Capitão-Mor” Alexandre de Moura were located.

Thus, it was prepared inside one of the military constructions erected by Francisco Frias de Mesquita, Chief Engineer of Brazil.

He had also built Fort Guaxunduba, a most valuable forward post for the Portuguese soldiers in their confrontation with French troops, who had invaded Maranhão.

Mesquita was an important figure in the recovery of that region by the Portuguese Empire.

For this reason, he was invited to sign that document.

Along with him, it was also signed by Alexandre de Moura; the Capitão-Mor Francisco Caldeira Castelo Branco, chosen to command the three ships; the notary Frutuoso Lopes; Diogo de Campos Moreno, another prominent military figure; and Francisco Coelho de Carvalho, former governor of Paraíba and future governor of Maranhão/Gram-Pará.

The document then explains why so many authorities signed it.

The expedition was to be carried out in fulfillment of a task entrusted to Alexandre de Moura by Gaspar de Souza, Governor-General of Brazil.

It was necessary to prove that Alexandre de Moura had carried out what had been ordered by the Governor-General of Brazil.

His task was not a simple one, because, during the voyage of the ships toward Gram-Pará, the Portuguese might come into confrontation with other invaders.

For this reason, the Governor-General, the document states, wanted “the expedition to Gram-Pará and the Amazon River to be undertaken and the foreigners residing there to be driven out.”

The need to entrust this mission to Alexandre de Moura had arisen because of Portugal’s neglect of the region ever since its navigators arrived in Brazil in 1500.

Certainly, what alerted the Portuguese government to the consequences of its neglect of the region was what had happened, not long before, in Maranhão itself.

In that captaincy, the recent clashes with the French were part of an adventure story worthy of the great novels.

The story, as reconstructed by Augusto Meira Filho in his work “Evolução Histórica de Belém do Grão-Pará,” is as follows.

Among the corsairs from various countries who took advantage of Portuguese neglect to explore the region, two Frenchmen—Jacques Riffaut and Charles Des-Vaux—were shipwrecked around 1606 opposite Santana Island, near São Luís.

Together, demonstrating remarkable foresight, the two wanted to establish a settlement there in order to create, in Maranhão, a center of French colonization from which they could continue exploiting the resources of the region.

Fulfilling that ambition required one of them to return to France and try to persuade the authorities there to organize a major expedition that would secure definitive possession of Maranhão.

Jacques Riffaut undertook the mission.

He was unsuccessful, however, and eventually gave up any attempt to return to Maranhão.

For his part, Charles Des-Vaux had not wasted any time.

He managed to integrate himself so thoroughly into the region that he came to know it in detail, to the point of becoming the leader of an Indigenous community, whose language he had learned.

His success in Maranhão led Des-Vaux to believe that he, too, could succeed where Riffaut had failed.

He traveled to France and, there, after telling Henry IV what he had seen in Maranhão, he succeeded in arousing the monarch’s interest in having his account confirmed.

The Invasion and Expulsion of the French

Daniel de La Touche, Seigneur de La Ravardière, was sent to Maranhão so that the king could ascertain the truth of the favorable information provided by Des-Vaux.
With La Touche’s confirmation, the pirate’s wish was fully granted.
France organized an expedition to take definitive possession of Maranhão, consisting of five hundred adventurers, four Capuchin friars, and two historiographers, under the command of La Touche himself.
On September 8, 1612, as the two corsairs had planned, the French founded the settlement of São Luís and took control of the captaincy.
This situation changed only two years later, in 1614, when, at last, Portuguese troops succeeded in driving the French from control of the colony.
The Governor-General of Brazil did not want to see that story repeated in Grão-Pará.
In fact, that story had not come to an end for the pirate Des-Vaux.
After expelling the French from control of the captaincy, the Portuguese realized that they could take advantage of the knowledge he possessed of the region.
The pirate had traveled through Gram-Pará in the company of La Touche, and the two had visited the site, 160 kilometers from Belém, where the settlement of Vigia would later be established.
For this reason, the Portuguese wanted to retain Des-Vaux in São Luís.
After revealing that Moura had been entrusted with the task of expelling any foreigners who had taken refuge in Gram-Pará, the document signed by those authorities provides information about the region supplied to the Portuguese by the head of the French expedition, La Touche.
The provision of this information formed part of the negotiations undertaken with the French after Portugal regained possession of Maranhão.
That information was of inestimable value to the Portuguese.
And obtaining it was, as the 1615 document shows, the first measure taken by Alexandre de Moura to carry out the task entrusted to him by the Governor-General.
With this information in hand, the risks of the journey to Gram-Pará were reduced.
Not only because it made it possible to envisage the course to be followed by the Portuguese ships,
but also because it represented an assurance from La Touche that there would be no attacks by Frenchmen unwilling to accept their defeat.
The document states:
“Clearly, it is known that Pará is one of the mouths of the said Amazon River on the eastern side, and that there are no people or fortress there, except for two men whom Senhor Des-Vaux left there and one who fled because he was a criminal. And likewise, in the said Amazon River there were no people or fortress, all of which, in addition to the information he already had, had been confirmed to him by Sr. de La Ravardière.”
The mere possession of that information, however, as was soon seen, was not enough to enable the Portuguese to navigate the ships.
The masters and pilots of the Portuguese fleet, the document continues:
“They said that they had no knowledge whatsoever of it (the maritime coast). Nor did they know how it was to be navigated. And that it was certain that the ships and the people would be lost because of the many shoals that, they said, were found there.”
In view of this, Moura took another measure, as the document reveals:
“He ordered the French pilots who had been instructed to remain in Maranhão for this purpose” to be summoned, together with Des-Vaux.
At first, Moura considered them of little use because:
“None of them would dare to take ships outside, and inside they could only go in small vessels. And these could only navigate by day.”
Moura then decided that he would use small vessels for the expedition.

The Pirate and Castelo Branco
The Capitão-Mor then summoned one of the French pilots and Des-Vaux to help guide the voyage, describing the latter as a “Frenchman, a great linguist, experienced in the land and very well known there.”
Maria de Lourdes Sobral, in As Missões Religiosas e o Barroco no Pará, says that it was Des-Vaux who actually guided the ships to the small inlet in Guajará Bay, near the site where the Portuguese troops would disembark.
It is in the following section, already in the second half of the document, that the name of Francisco Caldeira de Castelo Branco appears for the first time.
An impulsive, impertinent man—according to the description given of him by historian Ernesto Cruz in História de Belém—Francisco Caldeira, born in Castelo Branco, Portugal, was then 49 years old.
He had served as Capitão-Mor in Rio Grande do Norte between 1612 and 1614.
In November 1615, he was in Pernambuco.
It was there that he received orders from the Governor-General of Brazil to proceed to Maranhão in command of the caravels carrying ammunition and soldiers to reinforce the Portuguese troops led by Jerônimo de Albuquerque, who were fighting the French.
At that time, these Portuguese troops were observing a truce with La Touche but remained quartered at Guaxenduba.
The document reports that there was a consensus among the leading authorities of Maranhão that Alexandre de Moura should “under no circumstances” take command of the expedition to Gram-Pará, “because it was not advisable.”
Consequently, Moura “chose Francisco Caldeira de Castelo Branco as captain of the said expedition, trusting that he would perform the King’s service as was necessary.”
According to Meira Filho, however, this declaration of confidence in Castelo Branco was merely a skillful maneuver by Moura to remove from Maranhão someone whom he considered undesirable there.
To demonstrate this, the author transcribes another document, a report by Moura to the Governor-General, in which Castelo Branco is accused of having remained in Maranhão—after bringing reinforcements from Pernambuco to the Portuguese troops—for a period longer than the time authorized by Gaspar de Souza.
Castelo Branco, says the report transcribed by Meira Filho, by refusing to “go away, remained in those parts in such a manner that he put the welfare of his government at risk, giving some ill-intentioned people an opportunity to lose respect for him.”
Worse still, during the negotiations with La Touche after the Portuguese soldiers’ victory, Castelo Branco—says the report—who should have remained discreet in defending Portugal’s interests, signed agreements with the French “with such freedom, as though he were in charge of these matters, when he had no authority whatsoever.”
Those accusations were particularly serious because they had been brought to Moura by the commander of the Portuguese forces himself, Jerônimo de Albuquerque.
Finally, the document also records the other measures taken by Moura for the expedition of the “discoverer and first conqueror of the Amazon River,” as Castelo Branco was officially called, with evident exaggeration, before leaving São Luís.
He was provided with 150 men, three well-equipped vessels, with new ropes taken from other ships, and enough provisions to feed the troops for five months.
The Capitão-Mor was also granted other requests for materials needed to complete his supply stock, whereupon “the said Francisco Caldeira declared himself satisfied, as did the masters of the vessels accompanying him,” the document concludes.
(Illustration: In his 1908 work, the author transcribed ancient documents)

Tags: Belém do ParácolunaculturaDestaqueHistória
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Oswaldo Coimbra é escritor, jornalista e pesquisador.

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