O ano do Paysandu foi um dos mais decepcionantes dos últimos tempos. A temporada começou de forma amarga, com a perda do Campeonato Paraense para o maior rival, o Clube do Remo, que voltou a erguer o troféu após três anos de jejum. A derrota no Parazão marcou o início de uma verdadeira avalanche de frustrações em 2025, escancarando não apenas as fragilidades do elenco bicolor, mas também o despreparo, a falta de maturidade e a incompetência demonstrada pela nova diretoria na condução do clube.
O maior temor da torcida bicolor se concretizou na noite de 31 de outubro, em pleno Halloween. O Paysandu confirmou o rebaixamento para a Série C do Campeonato Brasileiro após perder de virada por 2 a 1 para o Atlético Goianiense, no estádio Antônio Accioly. Quis o destino que a queda viesse justamente diante do mesmo adversário que também havia rebaixado o clube em 2018.
Com apenas cinco vitórias em 35 partidas, o Papão registrou a pior campanha de sua história na Série B, somando 18 derrotas — mais da metade dos jogos disputados — e confirmando, de forma antecipada, a descida para a terceira divisão em 2026.
Planejamento e gestão
Para boa parte da torcida bicolor, o desfecho não surpreendeu. O ano de 2025 começou com erros de planejamento e terminou refletindo a instabilidade que marcou toda a temporada. O título da Copa Verde, conquistado nos pênaltis contra o Goiás, foi um dos poucos momentos de alívio, especialmente após o gol de empate aos 49 minutos do segundo tempo, marcado pelo chileno Matías Cavalleri.
Sob a filosofia do então executivo Felipe Albuquerque, o clube apostou em um elenco “enxuto”, porém de qualidade. Na prática, o plano se mostrou insustentável: uma série de lesões, desempenho abaixo do esperado de reforços e a participação simultânea em cinco competições desgastaram o grupo.
A responsabilidade pela gestão recai principalmente sobre o presidente Roger Aguilera, que assumiu o clube em 2025 com o discurso de modernização do CT e valorização das categorias de base. Nenhuma das principais promessas, porém, se concretizou. O mandato,
que começou com expectativas de renovação, ficará marcado por problemas administrativos, atrasos salariais e falta de transparência.
Troca de técnicos como quem troca de roupa
A instabilidade também atingiu o banco de reservas. O Paysandu iniciou o ano com Márcio Fernandes, responsável por evitar o rebaixamento em 2024, mas o treinador foi demitido ainda em fevereiro. Em seu lugar, chegou Luizinho Lopes, que permaneceu até junho, o mesmo caiu após uma sequência de 11 partidas sem vitória na Série B e o vice estadual diante do Clube do Remo.
O terceiro técnico, Claudinei Oliveira, trouxe um breve alento à torcida. Sob seu comando, o time alcançou três vitórias consecutivas — incluindo um triunfo no clássico — goleou o Coritiba fora de casa e chegou a ficar nove jogos invicto. No entanto, a queda de rendimento nas rodadas seguintes levou à sua demissão em setembro.
Na reta final, o clube apostou novamente em Márcio Fernandes, numa tentativa derradeira de reação. Contudo, o retorno do treinador que foi sinônimo de fracasso no clube, “precisou mostrar” para o presidente Roger Aguilera que ele estava errado mais uma vez. O trabalho do técnico concretizou o que todos estavam esperando: O rebaixamento e a lanterna da competição.
Rossi e outras ilusões
Entre as maiores decepções da torcida bicolor em 2025, uma das mais comentadas foi a chegada, há muito especulada, do atacante Rossi, ex-Vasco. Natural de Prainha (PA) e assumidamente bicolor, o jogador desembarcou na Curuzu no início do ano como a contratação de peso da gestão e a esperança de dias melhores.
Nos primeiros meses, Rossi correspondeu às expectativas, sendo destaque no Campeonato Paraense e na Copa Verde. No entanto, o bom momento durou pouco, com o início da Série B, o atacante passou a conviver com seguidas lesões — consequência do excesso de minutos em campo e do elenco reduzido à disposição da comissão técnica. O resultado foi uma participação limitada: apenas 17 jogos dos 38 da competição nacional. O desempenho irregular, aliado à queda de rendimento do time, transformou a passagem do paraense em uma das maiores frustrações da temporada — encerrada com o rebaixamento e uma saída discreta, pela porta dos fundos.
Para completar o cenário de apostas frustradas, a gestão Aguilera tentou explorar o mercado alternativo sul-americano, mirando atletas de clubes da segunda Divisão Chilena, Paraguaia e Argentina. A estratégia buscava repetir o “efeito Esli García”, revelação
venezuelana de 2024 que chegou ao clube por baixo custo e se tornou peça-chave naquela campanha.
Desta vez, porém, o desfecho foi completamente diferente do esperado. Jogadores como Benítez, Pedro Delvalle e Ramón Martínez chegaram com status de reforços importantes, mas deixaram o clube sem deixar saudades, acumulando atuações apagadas, críticas da torcida e até pendências trabalhistas. O saldo final da temporada evidenciou a falta de critério em um planejamento que, mais uma vez, não resistiu às exigências da Série B. Fora de campo, ficou claro que ocupar a cadeira mais importante do clube exige preparo, responsabilidade e conhecimento — não dá para “brincar” de ser presidente.
Essa matéria é de autoria e pesquisa de Lucas Condurú Rêgo















