São 17 mandados que atingem desembargador afastado, ex-procurador do Estado e o ex-governador Claudio Castro em investigação sobre sonegação e decisões irregulares em mais um escândalo de proporções bíblicas
Brasília – A Polícia Federal realizou, na manhã desta sexta‑feira (15), uma operação autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que teve como alvos o ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro (PL) e outros 16 investigados por supostas irregularidades envolvendo o grupo Refit no setor de combustíveis. A ação ocorreu no estado e incluiu um pedido de inclusão do empresário Ricardo Magro na Difusão Vermelha da Interpol, dado como foragido, e considerado pelas autoridades “o maior sonegador de impostos do Brasil”.
A operação cumpre 17 mandados de busca e apreensão ligados a suspeitas de favorecimento ao grupo Refit por meio de decisões judiciais e atos administrativos. Além de Cláudio Castro, foram alvos nomes influentes do Judiciário, do Ministério Público e do setor empresarial fluminense.
Entre os principais investigados está Ricardo Magro, controlador da Refit. Por residir no exterior, a PF solicitou que o nome dele fosse incluído na lista internacional de procurados. Magro já foi investigado por corrupção e por fraudes envolvendo fundos de pensão, tendo sido preso em 2016 e posteriormente absolvido. Segundo a Receita Federal, Magro é acusado de sonegar mais de R$ 50 bilhões em impostos.
Outro alvo é Renan Miguel Saad, ex-procurador do Estado, exonerado duas semanas antes pelo governador interino Ricardo Couto, que também preside o Tribunal de Justiça.
A ação também mencionou Guaraci Vianna, desembargador afastado pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) após decisões consideradas irregulares e favoráveis à Refit.
Origem das investigações
A operação decorre de desdobramentos da “Operação Carbono Oculto”, que expôs suspeitas de fraudes no mercado de combustíveis e indícios de infiltração de organizações criminosas na cadeia de distribuição de combustíveis, setor infiltrado por grandes organizações criminosas que utilizam o setor para lavar dinheiro sujo do crime. Já a Refit tornou-se ponto central das apurações devido ao histórico de litígios fiscais e decisões judiciais atípicas.
As investigações indicam um possível alinhamento entre agentes do Executivo, do Judiciário e do Ministério Público em favor do grupo empresarial, criando um ambiente propício à continuidade de práticas questionadas por órgãos de controle.
Atores e posições de poder
A operação atinge diferentes esferas institucionais:
☞ Executivo: o ex-governador Cláudio Castro;
☞ Judiciário: o desembargador afastado Guaraci Vianna;
☞ Ministério Público: o ex-procurador Renan Miguel Saad;
☞ Setor empresarial: Ricardo Magro, controlador da Refit.
Esse conjunto de atores, segundo a apuração, teria favorecido decisões e ações que beneficiaram o grupo em disputas tributárias e administrativas.
Implicações imediatas
A ofensiva policial amplia o alcance das investigações sobre o mercado de combustíveis no Rio de Janeiro, setor historicamente marcado por disputas fiscais. A inclusão de Magro na Difusão Vermelha da Interpol indica que a apuração pode avançar para desdobramentos internacionais.
Além disso, o caso tende a intensificar o debate sobre a relação entre agentes públicos e grandes grupos econômicos, sobretudo em um cenário que envolve figuras de alto escalão das estruturas de poder.
A operação chega num momento delicado da pré-campanha presidencial do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) flagrado em áudio pedindo dinheiro para um filme que conta a história do vida do pai (Jair Bolsonaro), para o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, e preso por fraudes financeiras, dentre um rosário de crime.
A operação desta sexta-feira relata indícios de uma articulação complexa envolvendo membros do Executivo, do Judiciário e do Ministério Público em torno de decisões que teriam favorecido a Refit, enquadrada na nova lei de Devedores Contumazes.
Com a participação de figuras centrais de diferentes poderes, a investigação pode gerar repercussões institucionais importantes no Rio de Janeiro, ao mesmo tempo que traz impactos para o setor de combustíveis e para o combate à sonegação fiscal.
Os desdobramentos dependerão das próximas diligências, da análise de provas e das respostas das instituições envolvidas. A operação reforça a continuidade das apurações iniciadas meses antes e evidencia a atuação da PF e do STF em casos envolvendo grandes conglomerados econômicos.
* Reportagem: Val-André Mutran (Brasília-DF), especial para o Portal Ver-o-Fato.















