Enquanto o Congresso acelera o fim da escala 6×1 de olho nas urnas e os Correios leiloam seu patrimônio histórico, o Supremo tenta frear o afrouxamento da inelegibilidade em meio à tradicional romaria da elite do poder a Lisboa.

O preço do patrimônio no xadrez urbano da incompetência administrativa dos Correios
A reestruturação dos Correios ganha um capítulo emblemático com a venda do histórico Palácio dos Correios para a Prefeitura de São Paulo. A transação, fechada em R$ 79,5 milhões, não é apenas uma transferência de ativos, mas um movimento estratégico de gestão urbana no Vale do Anhangabaú.
O edifício, que já abrigou a administração central da estatal e consumiu R$ 30 milhões em reformas municipais durante seu período de cessão, agora será o epicentro do monitoramento da capital paulista, o chamado D24.
O movimento evidencia a urgência da estatal em fazer caixa com ativos subutilizados — estratégia que se estende ao leilão de 34 imóveis pelo país, incluindo o valioso Complexo Baumann, em São Paulo, e um terreno na cobiçada Marambaia, em Belém. A liquidação de tijolos e concreto revela o tamanho do desafio logístico e financeiro que a empresa enfrenta para se manter competitiva.
Em outros Estados, o destaque é o leilão de um complexo comercial com 41,9 mil m2 de área construída na Pituba, bairro tradicional de Salvador (BA). Avaliado em R$ 159,3 milhões, o imóvel pode sair pelo lance mínimo de R$ 130,3 milhões. Os lances acontecem por meio da plataforma VIP Leilões, onde também podem ser obtidos mais detalhes dos imóveis.

Haverá vários imóveis que serão apregoados no Pará
Clique aqui https://correios.vipleiloes.com.br/agenda e confira as ofertas de imóveis em leilão. Um exemplo é o terreno de 17.154,26 M², no bairro da Marambaia, em Belém do Pará, em leilão único em breve (acesse aqui https://correios.vipleiloes.com.br/evento/detalhes/embrevecorreios4).
Populismo trabalhista e a conta na Constituição
Para quem pensa que já viu tudo (de ruim) acontecer nas administrações petistas na condução do país, o arsenal dos desastres comandados por Lula parece não ter fim. A iminente aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que extingue a escala 6×1 e reduz a jornada de trabalho para 40 horas semanais é o retrato de um Congresso que legisla com os olhos nas urnas e as costas para a economia, a pedido do demiurgo sentado na cadeira do Palácio do Planalto.
O acordo costurado entre o governo e a Câmara dos Deputados estabelece uma transição irrisória de 14 meses, ignorando solenemente os alertas do setor produtivo sobre o aumento do custo da hora trabalhada.
Ao tentar embutir na Constituição uma rigidez inédita no mundo, o Brasil flerta com o aumento da inflação e do desemprego, penalizando justamente quem a medida promete proteger.
A manobra de atrelar a PEC ao aumento dos limites do Simples Nacional e do MEI — uma pauta antiga que custará R$ 50 bilhões aos cofres públicos — escancara o toma lá dá cá. Em vez de focar no ganho de produtividade, a classe política prefere a ilusão de que canetadas geram riqueza.
A votação da PEC deve ir ao Plenário nesta quarta-feira, ou, no mais tardar, na quinta.

Ficha limpa no fio da navalha
O Supremo Tribunal Federal (STF) encontra-se diante de uma encruzilhada que pode redefinir o cenário eleitoral de 2026. O voto do ministro Luiz Fux, acompanhando a relatora Cármen Lúcia, sinaliza uma resistência da Corte às tentativas do Congresso de afrouxar a Lei da Ficha Limpa.
A lei sancionada pelo Executivo, que antecipa a contagem do prazo de inelegibilidade para o momento da condenação e reduz as punições para improbidade, é vista como um retrocesso moral.
A manifestação de Fux reforça a tese de que flexibilizar essas regras equivale a conceder uma anistia velada a políticos condenados. Com o placar em 2 a 0 contra as mudanças, os próximos votos ditarão se o Brasil manterá o rigor contra a corrupção ou se abrirá as portas para o retorno de figuras carimbadas (corruptas) da velha política ao jogo democrático.

A romaria do Poder a Lisboa
O já tradicional Fórum de Lisboa, ironicamente apelidado de “Gilmarpalooza”, consolida-se mais uma vez como o principal ponto de encontro extraoficial da República.
A confirmação de figuras de proa como os ministros Alexandre de Moraes e Flávio Dino, o procurador-geral Paulo Gonet e o presidente da Câmara, Hugo Motta, evidencia a força de atração do evento organizado pelo decano Gilmar Mendes, empresário que nas horas vagas posa de ministro.
Enquanto o fórum promete debater a “nova ordem internacional”, nos bastidores, o que impera é o networking de alto nível entre autoridades, empresários e lobistas. O recuo da Câmara dos Deputados, que desistiu de bancar os R$ 46 mil para a ida de seu diretor-geral após questionamentos da imprensa, mostra que, embora a romaria seja prestigiada, a tolerância pública com o turismo institucional financiado pelo contribuinte está cada vez menor.
Val-André Mutran é repórter especial para o Portal Ver-o-Fato e está sediado em Brasília.
Esta Coluna não reflete, necessariamente, a opinião do Portal Ver-o-Fato, e é responsabilidade de seu titular.















