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Home Cultura

O trauma causado a Belém pela invasão da casa de Victor Maria da Silva, em 2012

Oswaldo Coimbra por Oswaldo Coimbra
22/09/2026
in Cultura
O trauma causado a Belém pela invasão da casa de Victor Maria da Silva, em 2012
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Como Francisco Bolonha, ele era extremamente sofisticado, um típico paraense do fausto da borracha.

Esta característica do engenheiro Victor Maria seria lembrada,com enternecimento, por outro engenheiro, Judah Levy, em 1993, numa entrevista ao Núcleo de Memória da Engenharia, da FEC -Faculdade de Engenharia, da UFPa. 

Levy pertenceu à primeira geração de alunos da primeira faculdade de Engenharia Civil do Pará, a EEP-Escola de Engenharia do Pará, fundada nos anos de 1930, e, da qual se originou a FEC/UFPa.

Já Victor Maria foi contemporâneo da primeira geração de professores desta escola, cuja direção ficou alguns anos sob a responsabilidade de Bolonha.

Os três engenheiros são nomes exponenciais da História dos Construtores de Belém. 

Bolonha por causa dos palacetes e da vila que construiu. 

Victor Maria, devido à sofisticada reforma do Teatro da Paz conduzida por ele, com os recursos da exportação da borracha do Pará, na Belle Époque do Estado. 

E Judah, como o construtor que deu início ao processo de crescimento vertical de Belém, por volta de 1940.

Com os dois prédios que ele levantou na área da Praça da República, o Piedade e o Renascença.

Ambos com mais de 10 andares de altura, algo jamais visto antes em Belém. 

A lembrança de Victor Maria, por Judah Levy, na sua entrevista, remeteria ao que disse em depoimento, aos mesmos pesquisadores da UFPa, também naquele ano, outro profissional reverenciado em Belém, por sua destacada carreira no passado das construções do Pará.

Osmar Pinheiro de Souza.

Ele foi contemporâneo de Judah Levy, na EEP, frequentou as mesmas salas de aula, e, teve os mesmos professores. 

E, como Judah, morava perto da residência de Victor Maria.

Judah Levy, em sua entrevista para a UFPa, contou que conheceu Victor Maria quando ainda era garoto.

Porque sua casa ficava em frente à do engenheiro, na rua Arcipreste Manoel Teodoro, no trecho onde está a Praça Coaracy Nunes, conhecida como Ferro de Engomar.

Com eram Victor Maria e sua casa 

Os dois ficaram amigos quando Judah começou a estudar na EEP.

Judah relembrou:

“Victor Maria tinha cabelos brancos, como de um poeta. 

Era todo requintado. 

Usava roupa, também, branca. E não gostava de chapéu em sua cabeça. 

Mas usava chapéu-de-sol, igualmente branco, forrado com pano verde, para filtrar a luz do Sol. 

Os fenômenos atmosféricos eram levados em conta por ele,quando agendava um compromisso relacionado às suas obras,com antecedência. 

Ele dizia:

– Dia 18 de novembro, vão começar as chuvas.

Victor recebia aulas de ginástica, quando ninguém tinha hábito de frequentar academia. 

Ele também gostava de comprar queijos para os deixar ‘bichar’, e, comê-los com cerveja”. 

Houve um momento da entrevista de Judah em que sua admiração por Victor Maria ficou mais saliente ainda.

Foi quando ele falou da casa do engenheiro

Disse:

“A casa é uma maravilha. 

Victor Maria a fez dentro do seu estilo de vida. 

Como ia muitas vezes a Paris e à Bélgica, encomendou, lá, os painéis da casa. 

Ele era um engenheiro formidável”. 

Como Judah, Osmar Pinheiro de Souza, também, falou com entusiasmo da casa de Victor Maria, em seu depoimento.

Disse:

“É uma casa belíssima. 

Está lá até hoje. 

Construída pela próprio Victor Maria que, muito depois, quando fez uns retoques nela, desenhou uma setazinha com as letras iniciais de seu nome: VMS”.

O levantamento dos técnicos

O entusiasmo de Judah e Osmar pareceram perfeitamente naturais, para os pesquisadores da UFPa, quando, anos depois, a família de Victor Maria contratou técnicos especializados, a fim de que eles realizassem um levantamento do que a casa era, e, do que ela continha. 

Sua fachada, com três janelas, exibia um estilo Art Nouveau. 

Era revestida de azulejos portugueses do século XIX.

Todo seu telhado, na fachada e na lateral da casa, tinha pequenos pilares, uns ao lado dos outros, numa sequência intercalada por medalhões. 

E, sobre eles, na fachada, havia quatro cálices de louça, arrematando a parte superior da residência.

As três janelas da fachada da casa possuíam balcão de ferro fundido, do estilo Art Nouveau, com grades trabalhadas, no mesmo estilo.

A soleira da porta de entrada era construída com pedras de lioz portuguêsas.

A porta, em acapu, estilo Neoclássico, trazia porta-cartas em bronze belíssimo.

Por fim, ainda naquele setor, o portão da porta de entrada da casa era de ferro fundido, também em estilo Art Nouveau.

Na sua fachada lateral, nove janelas se sucediam.

Todas com balcões de ferro fundido e soleira, também, em pedra de lioz português, idênticos ao da fachada principal.

Depois das janelas, havia o portão da garagem.

No interior da residência Victor Maria se empenhou em criar novas belezas. 

No hall de entrada da casa, havia piso de cerâmica inglesa, com a figura de um dragão, e, motivos florais.

E uma pequena escada de quatro degraus, voltada para os cômodos de seu interior, com antiderrapante em bronze.

Em seguida, a casa tinha duas saletas.

As paredes da primeira saleta eram de flandres, trabalhado em alto relevo.

E, pintadas à mão, até o teto, tendo dois painéis aplicados nelas,também, em flandres, simbolizando duas estações do ano: Primavera e Outono. 

Seu rodapé, de acapu, tinha frisos em alto relevo. 

O teto, também em flandres, era todo trabalhado e pintado à mão, como era próprio do estilo Art-Nouveau.

A segunda saleta do hall de entrada possuía piso de tábuas corridas, parede de reboco liso, pintado.

E, teto, também, em flandres trabalhado, em alto relevo e pintado à mão.

Pau amarelo, acapu, cerâmica francesa

Tanto a sala principal da casa, como a sua alcova, tinha piso de pau amarelo e acapu, formando desenhos geométricos.

As paredes delas, de reboco liso pintado, tinham rodapé de acapu, com frisos em relevo.

O teto da sala, em estuque branco, formava desenhos em alto relevo.

Nele, havia um lustre de ferro fundido, com tulipas em cristal.

Em seguida, a varanda da moradia. Ela dispunha de uma janela dotada de grades de ferro fundido. 

Suas folhas eram de acapu.

Metade, em vidro, com desenhos de ferro batido Art-Nouveau. E, outra metade, com venezianas de acapu. 

O teto da varanda era todo em flandres trabalhado, com desenhos coloridos em motivos de outono pintado à mão, em seu alto relevo.

Havia um arremate que ficava entre o teto de flandres e umazulejo francês verde.

O arremate era feito por uma fila de azulejos com motivos litúrgicos: cálices, uvas, folhas de parreira e fita.

Três lustres tinham sido instalados naquela área do teto da casa. 

Depois, existia uma outra saleta, íntima, usada nos jantares da família do engenheiro.

Seu piso era em cerâmica francesa estilo Art Nouveau.

Arrematava o piso um corrimão reto, de ferro laminado.

Ele servia para definir uma área livre, ligada à saleta, visto que seu piso era contínuo até o outro lado da casa.

Era nessa área livre que a família dava suas festas. 

E, promovia reuniões com seus amigos.

As paredes desta área estavam cobertas com azulejos portugueses de três variedades, de cores diversas, sobressaindo neles a “flor de Chagas”, um tema constante neste tipo de azulejo.

Na parede lateral direita da saleta íntima, existia uma pia de louça inglesa do século XIX, com saboneteira e ralo em bronze.

Os azulejos na parte superior da pia eram brancos, com arremates, também, brancos.

Todos os demais azulejos desta parede tinham, porém, arrematescom azulejos verde musgo, pequenos.

Telha Marselha, azulejo português

O teto da varanda da casa era de telhas Marselha, de barro de cor natural, do século XIX, colocadas sobre estrutura de ferro fundido estilo Art Nouveau.

Existia também, no telhado desta saleta, uma abertura para a entrada de luz natural, com telhas de vidro sobre uma estrutura de ferro galvanizado, estilo Art Nouveau. 

A parede esquerda da saleta de jantar íntimo, tinha, no seu acabamento, os mesmos azulejos da outra parede do lado direito.

Havia também, na casa, uma área para a circulação dos seus habitantes, a qual dava acesso aos quartos, ao jardim interno, à cozinha, aos banheiros e ao quintal.

Seu piso era de tábuas corridas de pau amarelo e acapu.

A parede direita desta área era formada por oito janelas e duas portas.

Até a altura destas janelas a parede era coberta de azulejos portugueses, com florões azuis.

Todas as janelas tinham venezianas de acapu, com grades de ferro fundido de rara beleza.

Já a parede esquerda da área de circulação estava coberta por azulejo português, até uma altura de 2 metros, sendo o restante de reboco liso pintado de branco. 

Todas as portas a que a área de circulação dava acesso eram distintas umas das outras.

Não havia, assim, portas iguais em todo o setor íntimo e de serviço da casa.

A porta dos fundos da área tinha gradil de ferro fundido, duas folhas em acapu, e, soleira em pedra de lioz róseo português.

O teto da área era de madeira, pintado de branco.

A casa dispunha de três quartos, todos com piso de tábua corrida de pau amarelo e acapu.

Louça inglesa, serpentina americana

Nas paredes do primeiro quarto, havia azulejos franceses decorados

Em seu canto lateral esquerdo, estavam dois painéis de azulejos franceses, pintados à mão, em alto relevo.

Ali, havia também uma pia de louça inglesa, da fábrica de Brothers Hanley Limited.

Dos seus azulejos para cima, o reboco das paredes do quarto era liso, pintado. 

O seu teto tinha as mesmas características do da alcova: forro de madeira rebaixado, com lustre em ferro fundido estilo ArtNouveau. 

Os forros dos três quartos eram de madeira, pintada de branco esmalte sintético.

Três banheiros serviam aos moradores da casa.

Um, com sanitário e box, para empregados.

E, outro, só com sanitário.

O terceiro continha sala de banho.

Sua louça era inglesa, com ferragens e serpentina americanas, da fábrica J. B. Clow & Sons Chicago.

A família usava os dois últimos banheiros.

As paredes dos três banheiros eram de azulejos portugueses, com motivo floral “azul da Prússia”, até a altura de 2 metros. 

No restante das paredes havia azulejo branco.

Seus tetos eram de madeira em forma de regulável, pintado de branco.

Também as paredes da cozinha tinham azulejos portugueses, porém, brancos e marrons.

O teto dela era de madeira, pintado de branco. 

As peças usadas na cozinha eram inglesas do séc. XIX, da fábrica Doulton & Cº Limited Lambeth London.

Tinham sido preservadas em perfeito estado. 

Quanto ao quintal da casa, existiam nele duas construções.

Uma, com estúdio fotográfico, servia para guardar móveis e outros materiais.

A outra construção era o antigo moinho.

Nele se bombeava a água para o consumo da casa.

Em meio a tantos cuidados tomados por Victor Maria para tornar encantadora sua residência, nela se destacavam os elementos de maior valor artístico e comercial empregados por ele.

Nove painéis franceses

Eram os nove painéis de azulejos antigos, fabricados na França pela Boulanger & Cie.     

O primeiro, mostrava uma belíssima paisagem suíça pintada à mão em alto relevo.

O segundo, trazia o tema da primavera, representada na figura de uma donzela característica da época. 

O terceiro. mostrava a figura de um fidalgo português do séculoXVII, com sua vestimenta característica daquele século.

O quarto, tinha um flamingo, cercado de paisagem animal, pintada à mão, em alto relevo.

O quinto, mostrava uma natureza morta, com várias espécies de aves, um coelho, faisão e outras aves menores, abatidas.

O sexto, continha paisagem floral, tendo, como fundo, um pequeno barco no mar.

O sétimo, mostrava o busto de uma mulher de perfil, caracteristicamente Art Nouveau, ladeada de motivos florais. 

O oitavo, representava a caça. Uma dama num cavalo branco, acompanhada de um cachorro, tendo, ao fundo, uma paisagem de árvore e um castelo, num terceiro plano.

O nono, mostrava o brasão da família com as iniciais V.M.S., de Victor Maria da Silva, ao centro. 

Tinha também uma fileira de azulejos que trazia a figura de um cisne, numa paisagem. 

A seriedade do levantamento

Esta casa dos sonhos daquele construtor sensível da Belle Époque do Pará se manteve íntegra até o ano de 2005.

Com mostrou aquele levantamento já mencionado, do qual retiramos as informações deste texto.

Ele foi feito porque a família de Victor Maria vendeu o imóvel naquele ano para os proprietários da rede de lojas Esplanada.

Este documento ficou em posse de uma bisneta de Victor Maria, a jornalista Mônica Silveira.

Em poder de ela se mantiveram, também, dois recortes de jornais que atestaram a seriedade e a consistência dos dados reunidos pelos técnicos contratados pelos descendentes do engenheiro.

O primeiro recorte tem um texto publicada no dia 25 de novembro de 1987, quando Hélio Gueiros era o governador do Pará, que diz o seguinte:

“Sem contar com ajuda governamental, de artesão especializado em recuperações ou de um historiador, os herdeiros de Victor Maria da Silva, secretário de Obras do Estado, no governo Augusto Montenegro, precisaram de um ano para reconstituir a decoração do Casarão do Ferro de Engomar.

A decoração do casarão, com valiosas peças arquitetônicas do século passado, inclui: lustres, ventiladores, tetos, pisos, paredes.

Todos conservados com suas cores originais”. 

O segundo recorte é de uma publicação de quatro anos mais tarde. 

Veiculada no dia 13 de fevereiro de 2001, já no governo de Almir Gabriel.

Diz ele:

“O Casarão do Ferro de Engomar, em Batista Campos, é um raro exemplo de conservação do patrimônio arquitetônico de Belém. Graças ao empenho da família Silva, o sobrado mantém detalhes que lembram a Belle Époque”.

O abandono da residência

No entanto, desgraçadamente, a residência de Victor Maria entrou num processo de degradação progressiva, depois que sua família a vendeu.

Ela deteriorou ao longo de sete anos, quando o pior aconteceu.

A repetição de um tipo de crime conhecido no Pará.

E que consiste em aguardar, friamente, a completa ruína de umimóvel, de valor histórico-artístico. 

Impondo-lhe a privação de providências necessárias à manutenção de seu bom estado, assim como a privação de medidas indispensáveis à segurança dele.

Até que o imóvel desabe, e, em seu terreno possa ser levantadomais um espigão inexpressivo, cujos apartamentos são vendidos por altos preços.

Ou mais grave ainda, para que seu terreno seja usado como estacionamento.

Isto aconteceu, depois da demolição da casa de Judah Levy, na Avenida Nazaré. 

O maior crime contra a casa

No caso da casa de Victor Maria o maior crime ocorreu numa noite do início do ano de 2012.

Os moradores da  Praça Ferro de Engomar foram acordados com batidas fortes de martelo nas paredes internas do casarão.

Naquele momento, por acaso, membros do Forum Landi e da Fotoativa circulavam nas imediações.

E, preocupados com o barulho, conseguiram pular para dentro do casarão por uma janela.

Onde descobriram uma gang que rouba e vende azulejos para colecionadores e antiquários inescrupulosos.

Os bandidos estavam destruindo exatamente o que o casarão tinha de maior valor: seus nove painéis franceses. 

A gang foi afugentada graças aos “quixotes do Fórum Landi e da Fotoativa”, como eles foram chamados.

Mas os painéis já estavam danificados. 

Hoje o casarão que entusiasmou Judah Levy e Osmar Pinheiro, com sua beleza e requinte, está irreconhecível, à espera de quem venha salvá-lo da completa destruição. 

(Ilustração: Victor Maria da Silva)

The trauma inflicted on Belém by the 2012

break-in at Victor Maria da Silva’s home

Like Francisco Bolonha, he was extremely sophisticated—a quintessential *Paraense* from the era of the rubber boom’s opulence.

This trait of engineer Victor Maria would be recalled with fondness by another engineer, Judah Levy, in a 1993 interview with the Engineering Memory Center (Núcleo de Memória da Engenharia) at the FEC (Faculty of Engineering) of UFPa.

Levy belonged to the first generation of students at the EEP (School of Engineering of Pará), founded in the 1930s, from which the FEC/UFPa originated.

Victor Maria, meanwhile, was a contemporary of the school’s first generation of professors—an institution Bolonha directed for several years.

All three engineers are towering figures in the history of Belém’s builders.

Bolonha, for the mansions and the residential complex (*vila*) he built.

Victor Maria, for the sophisticated renovation of the *Teatro da Paz* (Peace Theater) he oversaw, funded by Pará’s rubber exports during the state’s *Belle Époque*.

And Judah, as the builder who initiated the process of vertical growth in Belém around 1940.

This began with the two buildings he erected near *Praça da República*: the *Piedade* and the *Renascença*.

Both were over ten stories high—something never before seen in Belém.

Judah Levy’s recollections of Victor Maria echoed the testimony given that same year to the same UFPa researchers by another professional revered in Belém for his career in the state’s construction history:

Osmar Pinheiro de Souza.

He was a contemporary of Judah Levy at the EEP; they attended the same classes and had the same professors.

And, like Judah, he lived near Victor Maria’s residence. In his interview with UFPa, Judah Levy recounted that he met Victor Maria when he was still a boy.

This was because his house was located across from the engineer’s, on Arcipreste Manoel Teodoro Street—specifically on the stretch where Coaracy Nunes Square (known as “Ferro de Engomar”) is situated.

What Victor Maria and his house were like

The two became friends when Judah began studying at the EEP.

Judah recalled:

“Victor Maria had white hair, like a poet’s. He was a man of great refinement.

He wore white clothing, too. And he didn’t like wearing a hat on his head.

But he did use a sunshade—also white and lined with green fabric to filter the sunlight.

He took atmospheric conditions into account when scheduling appointments related to his projects in advance.

He would say:

‘The rains will start on November 18th.’

Victor took gymnastics lessons back when going to a gym wasn’t a common habit.

He also liked buying cheeses, letting them age until they developed mold, and eating them with beer.”

There was a moment during Judah’s interview when his admiration for Victor Maria became even more apparent.

It was when he spoke about the engineer’s house.

He said:

“The house is a marvel. Victor Maria built it to suit his lifestyle.

Since he frequently traveled to Paris and Belgium, he commissioned the house’s panels from there.

He was a formidable engineer.”

Like Judah, Osmar Pinheiro de Souza also spoke enthusiastically about Victor Maria’s house in his account.

He said:

“It is a beautiful house.

It is still standing today.

It was built by Victor Maria himself; much later, when he made some touch-ups to it, he designed a small arrow featuring his initials: VMS.”

The Survey by the Specialists

The enthusiasm shown by Judah and Osmar seemed perfectly natural when, years later, Victor Maria’s family hired specialists to survey the property and its contents.

Its three-windowed façade displayed an Art Nouveau style and was clad in 19th-century Portuguese tiles.

The roofline—along both the front and side of the house—featured a row of small pillars interspersed with decorative medallions.

Crowning the upper part of the residence on the façade were four ceramic urns.

The three front windows featured Art Nouveau cast-iron balconies with intricate wrought-iron railings in the same style.

The entrance threshold was constructed of Portuguese *lioz* limestone.

The Neoclassical-style *acapu* wood door featured a beautiful bronze letter slot.

The entrance gate was made of cast iron, also in the Art Nouveau style.

A series of nine windows lined the side façade.

Like those on the main façade, they all featured cast-iron balconies and thresholds made of Portuguese *lioz* limestone.

Beyond the windows lay the garage gate.

Inside the residence, Victor Maria strove to create new elements of beauty.

The entrance hall featured English ceramic flooring adorned with a dragon motif and floral patterns.

A small, four-step staircase led toward the interior rooms, featuring bronze non-slip treads.

The walls of the small sitting room were clad in embossed tin sheeting.

They were hand-painted up to the ceiling and featured two applied tin panels symbolizing two seasons of the year: Spring and Autumn.

The *acapu* wood baseboards featured embossed detailing. The ceiling, also made of stamped tin, was intricately worked and hand-painted, in keeping with the Art Nouveau style.

The second small room off the entrance hall featured wide-plank flooring and smooth, painted plaster walls.

The ceiling was also made of stamped tin—featuring high-relief detailing and hand-painted finishes.

Yellowheart, acapu, and French ceramics

Both the living room and the bedroom featured flooring made of yellowheart and acapu wood, arranged in geometric patterns.

The smooth, painted plaster walls featured acapu baseboards with relief moldings.

The living room ceiling, finished in white stucco, displayed high-relief designs.

Suspended from it was a cast-iron chandelier with crystal shades.

The home’s veranda featured a window fitted with cast-iron grilles.

Its casements were made of acapu wood.

The upper section was glazed, featuring Art Nouveau wrought-iron detailing, while the lower section consisted of acapu louvers.

The veranda ceiling was entirely clad in decorative tin plating, featuring hand-painted, high-relief, colorful autumn-themed motifs.

A decorative border separated the tin ceiling from a band of green French tiles.

This border consisted of a row of tiles featuring liturgical motifs: chalices, grapes, grapevine leaves, and ribbons.

Three chandeliers were installed in that section of the ceiling.

A smaller, private sitting room was used for the engineer’s family dinners.

Its floor was paved with Art Nouveau-style French ceramic tiles.

The flooring was bordered by a straight, rolled-iron railing.

This railing defined an open area connected to the sitting room, as the flooring extended continuously to the other side of the house.

It was in this open area that the family hosted parties.

And held gatherings with friends.

The walls of this area were covered in three varieties of Portuguese tiles in various colors, prominently featuring the “nasturtium” (*flor de Chagas*) motif—a recurring theme in this type of tilework.

On the right-hand wall of the private sitting room, there was a 19th-century English porcelain sink, complete with a bronze soap dish and drain. The tiles above the sink were white, with white trim as well.

Marseille tiles, Portuguese tiles

However, all the other tiles on this wall featured small moss-green tile accents.

The veranda ceiling featured 19th-century natural-colored clay Marseille tiles, laid over an Art Nouveau-style cast-iron structure.

There was also an opening in the roof of this small room to admit natural light, featuring glass tiles set in a galvanized iron structure in the Art Nouveau style.

The left wall of the intimate dining room was finished with the same tiles found on the wall opposite it.

The house also included a circulation area for the occupants, providing access to the bedrooms, the internal garden, the kitchen, the bathrooms, and the backyard.

Its flooring consisted of long planks made of *pau-amarelo* and *acapu* wood.

The right wall of this area featured eight windows and two doors.

Up to the height of these windows, the wall was clad in Portuguese tiles featuring blue floral motifs.

All the windows had *acapu* wood shutters and cast-iron grilles of exceptional beauty.

As for the left wall of the circulation area, it was clad in Portuguese tiles up to a height of two meters, with the remaining upper section finished in smooth, white-painted plaster.

Each of the doors accessible from the circulation area was unique.

Thus, there were no identical doors throughout the house’s private and service sections.

The area’s back door featured a cast-iron grille, double *acapu* wood leaves, and a threshold made of pink Portuguese *lioz* stone.

The ceiling in this area was made of wood and painted white.

The house contained three bedrooms, all featuring flooring made of long *pau-amarelo* and *acapu* planks. The walls of the first room featured decorated French tiles.

In the left corner, two hand-painted French tile panels in high relief were installed.

There was also an English earthenware sink from the Brothers Hanley Limited factory.

English fixtures, American coil heater

Above the tiled wainscoting, the bedroom walls were smooth and painted.

The ceiling shared the same features as that of the alcove: a dropped wooden ceiling with an Art Nouveau cast-iron chandelier.

The ceilings in all three bedrooms were made of wood painted with white synthetic enamel.

Three bathrooms served the household.

One, containing a toilet and shower stall, was for the staff.

Another contained only a toilet.

The third was a full bathroom.

Its fixtures were English, while the hardware and coil heater were American, manufactured by J. B. Clow & Sons of Chicago.

The family used the latter two bathrooms.

The walls in all three bathrooms were clad in Portuguese tiles featuring a “Prussian blue” floral motif, extending to a height of two meters.

The upper sections of the walls featured plain white tiles.

The ceilings were made of wood and painted white.

The kitchen walls also featured Portuguese tiles, though in white and brown.

Its ceiling was made of wood and painted white.

The fixtures used in the kitchen were English, dating from the 19th century and manufactured by Doulton & Co. Limited of Lambeth, London.

They have been preserved in perfect condition.

As for the backyard, it contained two outbuildings.

One was a photographic studio used to store furniture and other materials.

The other structure was the old windmill.

It was used to pump water for household consumption.

Amidst the great care Victor Maria took to make his residence enchanting, the elements of the highest artistic and commercial value that he employed stood out.

Nine French panels

These were nine antique tile panels manufactured in France by Boulanger & Cie.

The first depicted a stunning Swiss landscape, hand-painted in high relief.

The second featured a spring theme, represented by a maiden dressed in the style of the era.

The third showed a 17th-century Portuguese nobleman in period attire.

The fourth featured a flamingo amidst a hand-painted landscape, rendered in high relief.

The fifth displayed a still-life composition featuring various bird species—including a rabbit, a pheasant, and smaller game birds—that had been hunted.

The sixth depicted a floral landscape with a small boat at sea in the background.

The seventh showed a woman’s bust in profile—in a characteristic Art Nouveau style—flanked by floral motifs.

The eighth represented a hunting scene: a lady on a white horse accompanied by a dog, set against a landscape of trees with a castle visible in the distance.

The ninth displayed the family coat of arms, featuring the initials V.M.S. (for Victor Maria da Silva) at the center.

There was also a row of tiles depicting a swan within a landscape setting.

This dream home, created by a discerning builder from Pará’s Belle Époque, remained intact until 2005.

This was confirmed by the aforementioned survey, from which the information in this text was drawn.

The survey was conducted because Victor Maria’s family sold the property that year to the owners of the Esplanada retail chain.

The document remained in the possession of Victor Maria’s great-granddaughter, the journalist Mônica Silveira.

The seriousness of the survey

She also held onto two newspaper clippings that attested to the seriousness and consistency of the data gathered by the specialists hired by the engineer’s descendants.

The first clipping contains a text published on November 25, 1987—when Hélio Gueiros was the governor of Pará—which states the following:

“Without government assistance, or the help of a restoration artisan or a historian, the heirs of Victor Maria da Silva—who served as State Secretary of Public Works during the Augusto Montenegro administration—spent a year restoring the décor of the *Casarão do Ferro de Engomar* [Ironing-Iron Mansion].

The mansion’s décor, featuring valuable architectural elements from the previous century, includes chandeliers, ceiling fans, ceilings, floors, and walls.

All preserved in their original colors.”

The second clipping comes from a publication dated four years later.

It appeared on February 13, 2001, during the administration of Almir Gabriel.

It states:

“The *Casarão do Ferro de Engomar* in the Batista Campos neighborhood is a rare example of architectural heritage preservation in Belém. Thanks to the efforts of the Silva family, the mansion retains details reminiscent of the *Belle Époque*.”

Unfortunately, however, Victor Maria’s residence began to deteriorate progressively after his family sold it; it fell into disrepair over the course of seven years, until the worst finally happened.

Once again, a familiar type of crime played out in Pará.

It consists of coldly waiting for a property of historical and artistic value to fall into complete ruin.

This involves deliberately withholding the measures necessary to maintain the building in good condition, as well as neglecting essential security precautions.

The goal is for the building to collapse, clearing the way for yet another nondescript high-rise tower to be built on the site, with apartments sold at high prices. Or, even worse, for the land to be used as a parking lot—which is what happened next, following the demolition of Judah Levy’s house on Avenida Nazaré.

The greatest crime against the house

In the case of Victor Maria’s house, it so happened that one night in early 2012, residents of Praça Ferro de Engomar were awakened by the loud sound of hammering against the mansion’s interior walls.

By chance, members of the Forum Landi and Fotoativa groups were in the vicinity.

Concerned by the noise, they managed to climb into the mansion through a window.

There, they discovered a gang stealing and selling tiles to unscrupulous collectors and antique dealers.

The criminals were destroying the very thing that gave the mansion its greatest value: its nine French tile panels.

The “Quixotes of Forum Landi and Fotoativa”—as they came to be known—managed to drive the gang away.

However, about thirty percent of each panel had already been stripped of its tiles.

Today, the mansion that once captivated Judah Levy and Osmar Pinheiro with its beauty and refinement is unrecognizable, waiting for someone to save it from total destruction.

(Illustration: Victor Maria da Silva)

Tags: Belém do ParácolunaculturaDestaqueHistória
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Oswaldo Coimbra

Oswaldo Coimbra

Oswaldo Coimbra é escritor, jornalista e pesquisador. Email: oswaldocoimbra1@gmail.com

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