Basta alguém ficar alguns minutos prestando atenção em qualquer local de Belém, que tenha grande fluxo de trânsito, que vai ver uma série de irregularidades praticadas, na grande maioria, por motociclistas, mas envolvendo também motoristas e ciclistas.
É como se não houvesse uma norma reguladora do trânsito, muito menos fiscalização, e a grande maioria age por conta própria, criando suas próprias leis, em total desprezo aos demais cidadãos. Predomina também a cultura da impunidade.
E nessa balbúrdia quase institucionalizada, ninguém tem o direito de reclamar, sob risco de ser agredido ou até levar um tiro de um dos muitos personagens adoentados pelo trânsito local.
Na visão do trabalhador autônomo Lázaro Portal, os principais transgressores das leis de trânsito são os motociclistas, que trafegam sempre com pressa e em alta velocidade. “Os motociclistas, principalmente os mototaxistas e os motoboys, não respeitam nada, muito menos sinal e cortam caminho por qualquer lugar, inclusive calçadas, sem respeitar ninguém, porque eles têm certeza de que há muitas falhas na fiscalização”, constata.
Para o funcionário Público Luís Moreira, os motoqueiros e os ciclistas reclamam bastante, com toda razão, sobre a falta de respeito de motoristas que invadem as faixas ou estacionam nas ciclofaixas, mas são os principais transgressores em avanços de sinais, sem serem punidos por isso.
“Os ciclistas especialmente abusam de furar o semáforo quando está vermelho, muitas vezes na frente de guardas de trânsito, que não têm como aplicar multas neles, pois não existem placas de identificação nesses veículos. Também pedalam na contramão com muita frequência”, constata o servidor.
Para ele, é preciso encontrar algumas maneiras de fazer com que as regras de trânsito sejam obedecidas pelo pessoal do pedal. Quanto aos motociclistas, ele disse que é preciso endurecer mais a fiscalização, até para evitar acidentes, que ocorrem com frequência envolvendo motos.
Segundo Clara Silva Sousa, moradora do Bairro Curió-Utinga, sair de casa para fazer qualquer coisa é uma aventura e tem que estar sempre atenta para não ser atropelada. Ela aponta que motoristas, motoqueiros e ciclistas fazem o que bem entendem, trafegando com velocidade na contramão e nas calçadas do bairro, sem se importarem com os pedestres.
Infrações diárias
Em um semáforo instalado para a passagem de pedestres na Avenida Almirante Barroso, na altura da Travessa Perebebuí, no Bairro do Marco, todos os dias são constatados vários tipos de infrações, pois motoqueiros, motoristas, ciclistas e até carroceiros utilizam o sinal para atravessar para o outro lado da pista.
Até carros da polícia fazem esse tipo de manobra irregular, mas nunca tem um agente da Semob para fiscalizar e punir os abusos. A exceção foi ontem (10), porque o sinal pifou e dois agentes de trânsito estavam controlando o tráfego para a passagem dos pedestres.
As principais vias de Belém sofrem com engarrafamentos nos horários de pico, e não é de hoje. Há excesso de veículos nas ruas, mas não existem políticas de planejamento de trânsito, o que faz da falta de mobilidade urbana uma tendência em alta.
Exemplo dessa bagunça foi o que aconteceu ontem na avenida Bernardo Sayão, no Guamá. Para fugir do engarrafamento, o motorista do veículo invadiu a ciclovia. Veja, abaixo:














