Um dia você vai olhar para os seus pais e perceber que envelheceram. Os traços de juventude se esconderam e, agora, resta as linhas do tempo por todo lado da pele, cabelo e movimentos. O olhar, a gargalhada e a presença ainda remontam ao eterno, esbelto e protetor, mas é fato que os dias passaram como a água pelos dedos.
Você vai sair de casa, depois seus irmãos, permanecendo as memórias, os dias de luta e glória. Mas por que mesmo saímos de casa? Sempre há um motivo pertinente e necessário. É preciso crescer. Mas quem mora com os pais não necessariamente está fadado ao fracasso, pode apenas gostar de ter e ser a companhia de quem sempre o acompanhou.
Tenho uma amiga que encontrou o homem quase perfeito. Bonito, atraente, respeitador, proativo, bom filho e financeiramente estável. Mas quase perfeito. Declinou após descobrir que aos 26 anos ainda mora com os pais. Ela mora de aluguel, fora de casa desde os 17. Não combina. Parecia ser um insulto. É pra tanto?
Fato é que o ninho dos pais vai ficando vazio. O encontro cotidiano substituído por finais de semana. A vida segue e longe, já no nosso próprio território, nós filhos nos percebemos repetindo costumes, palavras e frases. Como nossos pais. O tempo não brinca como nós brincávamos.
Quando sua última roupa for tirada do guarda-roupa, tenha compaixão pelo sentimento que se sucede. Um dia seremos nós no ninho, vendo os passarinhos ganhar o céu.















