Nesta semana, um episódio controverso na Feira do Livro de Belém gerou um turbilhão de críticas e um clamor por uma posição oficial. O que deveria ser um ambiente de celebração da cultura e do conhecimento foi marcado por uma performance erótica, carregada de obscenidades e palavrões, que chocou o público presente e gerou uma enxurrada de críticas nas redes sociais.
A Secretaria Estadual de Cultura (Secult), sob a gestão da secretária Úrsula Vidal, tem sido o alvo das críticas, especialmente pela falta de uma resposta clara sobre o ocorrido. A nota divulgada pela secretária, na qual afirmou desconhecer o teor da performance, levantou questões sobre o nível de controle e supervisão dentro do órgão que ela dirige.
A declaração de Vidal não apenas gerou descontentamento, mas também evidenciou uma preocupante falta de alinhamento entre a liderança da Secretaria e o conteúdo promovido em eventos culturais sob sua responsabilidade. A nota tirou o corpo fora de qualquer responsabilidade da Secult na performance por ela própria autorizada.
Diante desse cenário, a ausência de um posicionamento do governador do Pará, Helder Barbalho, é especialmente notável. Conhecido por seu perfil conservador e sua ênfase em valores familiares, Barbalho tem se posicionado publicamente como alguém que preza pela moralidade e pelo respeito aos costumes tradicionais.
Suas postagens nas redes sociais frequentemente destacam seu lado familiar e conservador, contrastando com a postura permissiva observada na gestão da cultura.
Medo de perder votos para Igor?
O que leva Barbalho a manter silêncio sepulcral sobre o episódio? Este é um momento em que a sociedade paraense aguarda uma declaração firme da maior autoridade do Estado.
Será que o governador está hesitando em se manifestar por temer uma repercussão negativa em um período eleitoral, com a campanha para a eleição municipal de seu primo Igor Normando à Prefeitura de Belém em andamento? Se for o caso, tal postura pode ser vista como uma tentativa de evitar uma posição que poderia alienar eleitores com diferentes visões sobre o que deve ser promovido culturalmente.
A controvérsia expõe uma dicotomia entre a imagem pública de Barbalho e a realidade da administração cultural em seu governo. A Feira do Livro, como um evento voltado para a promoção da cultura, deveria ser um espaço de respeito e sensibilidade para com o público.
No entanto, o episódio revelou uma desconexão preocupante entre os valores defendidos pelo governador e as práticas culturais patrocinadas por sua administração.
É imperativo que Helder Barbalho se posicione sobre a questão e explique suas razões para a ausência de uma resposta pública. A falta de uma declaração pode ser interpretada como um desdém pelo desconforto causado à sociedade e à sua própria base conservadora.
A transparência e a responsabilidade são essenciais para manter a confiança do público e garantir que eventos culturais estejam em consonância com os valores que a administração do Estado preza.
Nelson Rodrigues, lembra
Em suma, a sociedade paraense espera que o governador se manifeste, alinhando suas ações e declarações com os princípios que promove em seu ambiente familiar. A postura silenciosa de Barbalho deixa uma lacuna que precisa ser preenchida com uma resposta que reforce a integridade e o respeito aos valores que ele, em teoria, defende.
Nelson Rodrigues, em sua infinita genialidade, costumava dizer que o brasileiro “é o maior hipócrita da face da Terra”. Porque, na opinião dele, “é mineiro com sua família, mas sueco com a família dos outros”.















