Uma cortina de fumaça, ou de sigilo, sob a alegação de que as investigações não podem ser divulgadas caso os detalhes do escândalo venham à tona, envolve o material apreendido – muitos documentos, computadores, celulares, pendrives, etc material -, além de dinheiro em espécie, joias caríssimas, carrões de luxo e armas, pela Polícia Federal, Controladoria Geral da União (CGU) e Receita Federal, ontem, em Belém e alguns municípios paraenses, onde foram cumpridos 49 mandados de busca e apreensão em 33 endereços de 42 alvos.
Os desvios de dinheiro público alcançam R$ 1,7 bilhão em um estado cujas carências da população são evidentes. Quem acompanhou outro grande escândalo no Pará mais recentemente, o da quadrilha que desviou cerca de R$ 1,2 bilhão, o famoso caso dos respiradores chineses, enquanto milhares de paraenses morriam sem assistência e leitos hospitalares durante a pandemia de Covid-19, sabe que crimes como esse precisam ser cobrados e a punição exemplar aplicada. Mais uma vez, o caso envolveu desvios de recursos da saúde.
A PF pediu o indiciamento do governador Helder Barbalho (MDB), 5 ex-assessores e 2 empresários por “condutas delituosas” na compra de 400 respiradores para tratamento de pacientes da covid-19 em estado grave. Os gastos somaram aproximadamente R$ 50 milhões. Os equipamentos foram adquiridos sem licitação. O resumo dessa ópera: quem não tinha foro privilegiado responde ao processo na Justiça Federal em Belém, mas o principal alvo, Helder Barbalho, numa decisão publicada com exclusividade pelo Ver-o-Fato, teve o inquérito da PF contra ele vergonhosamente arquivado Pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) , a pedido do Ministério Público Federal (MPF).
O impacto desses desvios vai muito além dos números frios de bilhões desviados. Cada centavo desviado do SUS significa uma falta de medicamentos, uma falta de equipamentos, uma falta de profissionais de saúde, e consequentemente, uma falta de atendimento adequado para aqueles que não têm outra opção além do sistema público de saúde.
Isso resulta em filas intermináveis, em diagnósticos atrasados, em tratamentos negligenciados e, em casos extremos, em vidas perdidas prematuramente.
Além disso, esses desvios corroem a confiança da população nas instituições governamentais, minando a credibilidade do sistema de saúde como um todo. Quando os cidadãos percebem que o dinheiro que deveria ser investido em sua saúde está sendo desviado para os bolsos de criminosos, a sensação de impotência e desesperança se instala.
Para as pessoas mais carentes e vulneráveis, que dependem exclusivamente do SUS para receber atendimento médico, essa traição é ainda mais cruel. São pessoas que já enfrentam inúmeras dificuldades em suas vidas, e que agora são privadas até mesmo do direito básico à saúde, tudo por causa da ganância e da corrupção de alguns.
Portanto, é essencial que a sociedade se una para combater esses males, pressionando por medidas eficazes de combate à corrupção e exigindo transparência e responsabilização por parte das autoridades. Somente assim podemos garantir que o SUS cumpra seu propósito de fornecer saúde e dignidade a todos os brasileiros, independentemente de sua condição socioeconômica.
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