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Home Cultura

O grande ator Cláudio Barradas conta como se tornou padre

Oswaldo Coimbra por Oswaldo Coimbra
15/09/2026
in Cultura
O grande ator Cláudio Barradas conta como se tornou padre
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Os jovens paraenses que se sentem vocacionados para a vida de artista e procuram o curso de Teatro da UFPa provavelmente não saibam. 

Mas não foi só o grande artista de nosso estado Cláudio Barradas, que dá nome ao teatro daquele curso, quem causou espanto nos belenses quando decidiu se tornar padre. 

Na geração anterior à dele outra, grande celebridade do mundo das artes, havia causado espanto semelhante nos seus admiradores.

José Mojica, o ator e cantor mexicano, como Barradas, no auge de seu êxito como artista, tomou a mesma decisão.

Em Belém, porém, a decisão de Barradas causou mais impacto porque ele tinha se tornado muito conhecido através dos meios de comunicação locais: rádio, cinema, e, televisão.

E, claro, através do teatro. 

Pouquíssimas pessoas, contudo, sabem como se deu esta mudança de rumo na vida dele.

Como é sabido, Barradas se manteve no clero paraense até sua morte, em junho do ano passado.

Quando já havia se tornado, antes, vigário da Catedral, Vigário Episcopal, e, Cônego Emérito do Cabido Arquidiocesano.

Sem, no entanto, deixar de, esporadicamente, voltar a exercer seu antigo ofício de ator de teatro.

No entanto, das circunstâncias nas quais ocorreu sua ordenação sacerdotal, Barradas raramente tratou em suas entrevistas.

Isto, felizmente, ele deixou registrado quando recebeu um grupo de pesquisadores do cinema da Amazônia, da UFPa, em 2004.

Mas, até hoje, esta sua entrevista foi lida, apenas, por alguns membros do ambiente acadêmico. 

Por isto, tomamos a decisão de, agora, tornar público, pela primeira vez, o que ele disse, com detalhes, sobre sua ordenação sacerdotal. 

“Menti para o monsenhor Nelson” 

Cláudio, é sabido que foi dom Alberto Ramos quem convidou você a retornar para o seminário, quando você já era uma personalidade muito conhecida da nossa cultura. Por que ele fez isto?

Tenho a impressão de que por detrás desta atitude dele estava o monsenhor Nelson Soares, que sempre me viu padre. 

Quando eu saí do seminário, em 1950, o Nelson fez tudo para eu voltar. 

E quase eu volto. 

Tanto que dom Milton Pereira, celebrando uma missa, chegou a dizer: 

“A nossa arquidiocese vai ter uma grande alegria: o Cláudio Barradas vai voltar”. 

Mas naquela ocasião, eu pensei: 

“Na primeira vez em que fui para o seminário, não deu certo; na segunda, não vai dar também”. 

Então, menti para o monsenhor Nelson. Disse: 

“Até que queria voltar. Mas há uma mulher apaixonadíssima por mim. E ela já disse que se mata, se eu fizer isto. E não vou querer este suicídio”. 

Na verdade, havia mesmo uma mulher ligada a mim. Mas só isto. Aliás, uma mulher horrorosa que até me arranjou uma passagem da FAB para o Rio de Janeiro. 

O Nelson me disse: 

“Puxa! Tu trocas Deus pela vida de uma mulher”. 

Passaram-se anos. 

Eu comecei a fazer o espetáculo, o “Via Sacra”, de Henri Ghéon, na Igreja de Santo Alexandre. 

Um espetáculo que meu espírito de autocrítica diz ter sido muito bonito, muito criativo. 

Nele, a cada segundo, mudava a figura cênica dos atores. 

E eu gosto muito da parte plástica, do visual, da encenação do teatro. 

Dom Alberto foi me ver, naquele espetáculo. 

Depois, ele comentou com um dos atores: 

“Se o Cláudio Barradas aceitasse ser padre eu o ordenava imediatamente”. 

Quando o ator me contou isto, eu reagi: 

“Égua! Isola! Vai pra lá! Nunca!”. 

Mas dom Alberto manteve esta sua disposição. E, mais tarde, fez o convite diretamente a mim.

“Cláudio, carne de cabeça, eu te quero!”

O que passou por sua cabeça quando dom Alberto Ramos propôs ordenar você?

Eu caí duro. Foi como um chute na boca do estômago, onde pelo que me consta, um chute dói muito. 

Foi como se dom Alberto, na hora do convite, tivesse sumido da minha frente e Jesus estivesse me dizendo: 

“Cláudio Barradas, carne de cabeça, estás afastado da minha Igreja, detestas os padres, mas eu te quero”. 

Sem nem pensar, respondi para dom Alberto: 

“Aceito”. 

Depois disto, como padre, às vezes, eu fico em situações difíceis porque tenho uma cabeça aberta, e, sabe como é?

Por exemplo, se alguém me perguntar: 

“Devo ou não devo usar camisinha?”. 

Será a minha vez de perguntar: 

“Você está querendo ouvir a resposta do padre ou do homem Cláudio Barradas?” 

Se a pessoa disser que quer a resposta do padre, está lascada porque eu, como padre, pertenço a uma igreja que tem a seguinte lei: quando Roma fala ou você obedece ou cai fora.

Então, eu vou dizer para aquela pessoa: 

“Na Igreja, da qual sou soldado raso, não se pode aceitar a camisinha”. 

Agora, se alguém perguntar isto à pessoa Cláudio Barradas, eu respondo: 

“Se você não pode passar sem sexo, então, use a camisinha porque ela é uma proteção para você”. 

Uma vez, alguém de um jornal me perguntou se, nesta atitude minha, não havia uma contradição. 

Eu não acho que haja contradição. 

Se alguém me disser: 

“Você tem que juntar o homem Cláudio Barradas com o padre”.

Eu respondo que não tenho. O padre é obrigado a seguir certas coisas. O homem, não. 

Também sou a favor de ordenação de mulheres, e, de casamento de padre, embora isto já não sirva para mim porque estou com setenta e quatro anos.

“Um padre feito nas coxas”

Um padre que tenha estas opiniões enfrenta alguma consequência desagrável?

Há padres que tem a vaidade de querer ser bispo. Isto não está nem nos meus sonhos porque para mim a decisão de me tornar padre já foi muita coisa. 

Mas se eu quisesse ser bispo, saberia que o Vaticano manda uma carta para várias pessoas, pedindo informações sobre os interessados no bispado. Eu mesmo já recebi três vezes este tipo de carta. 

É uma carta que pede minúcias sobre o candidato a bispo. Por exemplo, quer saber se ele é a favor do casamento de padres. Se for, já estará descartado.

Bom, retornemos ao convite de dom Alberto. Depois de aceitá-lo, você teve de estudar Teologia, ou ele o dispensou disto?

Tenho uma grande amiga, que é técnica do Museu Emílio Goeldi. Uma vez ela disse para alguém: 

“O Cláudio Barradas é um padre feito nas coxas”. 

Acontece que dom Alberto me ordenou diácono e, pouco tempo depois, morreu. 

Eu gostaria que ele tivesse me ordenado padre. 

Mais tarde, dom Vicente Zico me chamou e disse: 

“Você vai estudar algumas matérias no seminário, só como ouvinte. Não precisa fazer prova nenhuma”. 

Possível razão desta regalia: eu já tinha cursado, por oito anos, o Seminário Nossa Senhora da Conceição, quando, nele, havia aulas de manhã e de tarde, e, se estudava mesmo, de verdade.

Além disto, eu tinha cursado Letras, e, gostava muito de ler. Por isto acharam – ou creio que acharam – que eu tinha embasamento cultural. 

Ah, ah, ah! 

Quando cheguei de volta ao seminário, fiquei um ano assistindo a aulas em várias turmas. 

Pulava de uma turma para outra. E, tive de fazer muitas provas.

Depois disto, dom Vicente já queria me ordenar. Porém, eu disse que ainda queria continuar estudando. Estudei mais um ano, inclusive Filosofia Moral. E, só, então, fui ordenado. 

“Um salto para o infinito”

Como foi a cerimônia de sua ordenação sacerdotal?

Foi badalada porque eu era alguém conhecido do meio artístico.

Na manhã deste dia, me apareceu uma “figura” de um jornal, para me entrevistar. 

Ora, eu sei que a Igreja Católica é tida, ainda hoje, pelo mundo intelectual e artístico, como reacionária, devido, sobretudo a algumas de suas posições atuais, como, por exemplo, sobre pílulas anticoncepcionais. 

Pois bem, a repórter do jornal era uma mulher que eu não conhecia. 

Ela começou a fazer uma pergunta dizendo o seguinte: 

“Barradas, você virar padre…”. 

Eu a interrompi: 

“Ninguém vira padre. Alguém pode virar Matinta Pereira ou Lobisomem. Eu vou me tornar padre”. 

Ela: 

“Está bem. Mas você se tornar padre é, para você, igual a dar um passo para frente ou a dar três passos para trás?”. 

Estava escrito na cara dela que a resposta que ela daria à pergunta seria a de três passos para trás. Tive um estalo e respondi: 

“Olha, minha querida, eu me tornar padre não é nem um passo para a frente, nem três passos para trás. É um salto para o infinito.”. 

Ela se espantou: 

“Pôxa! Tu me derrubaste”. 

E decidiu: 

“Não tem mais entrevista”.  

“Eu sou como uma abelha”

Você já experimentou, como padre, algo que seja útil a um ator? 

Como padre, eu trabalhei um ano na Igreja da Sé, numa função que se chamava de “coadjutor”. Mas a função era, de fato, a de um padre “lambaio”. 

Dom Mário de Miranda dizia: 

“Coadjutor? Nem tê-lo, nem sê-lo. Quem tem, sofre de dor de cabeça. Quem é, padece”. 

Pois bem, houve uma festa numa casa de estilo holandês, hoje maltratada, da rua do cemitério que pertencia ao Setor de Música da UFPa. 

Ali, iam homenagear o monsenhor Nelson Brandão Soares, vigário da Sé, pelos trabalhos que ele havia feito na área de Música. Como ele não gosta de homenagens, me mandou para aquele evento, no lugar dele. 

Na primeira parte da festa, houve entrega de medalhas, depois foram apresentadas algumas músicas. 

A Márcia Aliverti, grande soprano, ia cantar. 

Na sala, pequenininha, bem em frente da Márcia e de mim, ficou o presidente da Academia Paraense de Letras, com sua mulher e um garoto louro, lindo, um pequeno príncipe, que parecia filho deles. 

Cada vez que a soprano dava um agudo, o garoto se comprimia na cadeira, tentando recuar o máximo dali. E ainda tampava os ouvidos com as mãos. 

A mãe, em seguida, dava um beliscão nele. 

A cantora não viu aquilo. Mas se fosse eu quem estivesse cantando e visse a reação do garoto, ia perder o rebolado. 

Em teatro, numa situação desta, o ator fica indefeso, mesmo que o espetáculo apresentado por ele seja bom. 

Mas só na primeira vez em que isto acontece. Depois, se ele já conhece o público, é diferente.

Você que, como ator, viveu personagens com maneiras de pensar e de agir tão diferentes, como, na condição de padre católico, encara as outras religiões?

Eu não digo que só a minha igreja está certa. 

Eu sou como uma abelha. De onde houver o mel da sabedoria, tiro algo. 

Curto Buda, que é uma grande figura. Curto, também, entre outros, Krishnamurti Rajneesh. 

Enfim, todas as religiões podem, e devem ser, caminhos para Deus. 

Embora Deus seja um só, muitos são os caminhos que levam a Ele. 

(Ilustração: O ator Cláudio Barradas já alçado à condição de Cônego Emérito)

The great actor Cláudio Barradas

recounts how he became a priest

Young people from Pará who feel called to the life of an artist and seek out the Theater program at UFPa likely do not know this.

But Cláudio Barradas—the great artist from our state whose name graces that program’s theater—was not the only one to shock the people of Belém when he decided to become a priest.

In the generation prior to his, another major celebrity from the arts world had caused similar astonishment among his admirers.

José Mojica, the Mexican actor and singer, made the same decision at the height of his artistic success, just as Barradas did.

In Belém, however, Barradas’s decision had a greater impact because he had become widely known through local media: radio, cinema, and television.

And, of course, through the theater.

Yet, very few people know how this change of direction in his life came about.

As is well known, Barradas remained in the clergy of Pará until his death in June of last year.

By then, he had already served as Vicar of the Cathedral, Episcopal Vicar, and Canon Emeritus of the Archdiocesan Chapter.

All the while, however, he never stopped occasionally returning to his former craft as a stage actor.

Nevertheless, Barradas rarely spoke in interviews about the circumstances surrounding his priestly ordination.

Fortunately, he did put this on record when he met with a group of researchers studying Amazonian cinema from UFPa in 2004.

But to this day, that interview has been read only by a few members of the academic community.

For this reason, we have decided to make public—for the first time—the detailed account he gave regarding his priestly ordination.

“I Lied to Monsignor Nelson”

Cláudio, it is well known that it was Dom Alberto Ramos who invited you to return to the seminary when you were already a well-known cultural figure. Why did he do that?

I get the impression that behind his decision was Monsignor Nelson Soares, who always saw me as a priest.

When I left the seminary in 1950, Nelson did everything he could to get me to come back.

And I almost did.

So much so that Dom Milton Pereira, while celebrating Mass, even said:

“Our archdiocese is going to have great joy: Cláudio Barradas is coming back.”

But at that moment, I thought:

“The first time I went to the seminary, it didn’t work out; the second time, it won’t work either.”

So, I lied to Monsignor Nelson. I said:

“I’d actually like to go back. But there’s a woman who is madly in love with me. And she’s said she’ll kill herself if I do that. I don’t want that suicide on my conscience.”

In truth, there *was* a woman in my life. But that was all. A hideous woman, actually—one who even got me an Air Force ticket to Rio de Janeiro.

Nelson said to me:

“Wow! You’re trading God for a woman.”

Years went by.

I began staging the play *Via Sacra* by Henri Ghéon at the Church of Santo Alexandre.

A production that, looking back with a critical eye, I consider to have been very beautiful and very creative.

In it, the actors’ stage formations changed every second.

And I really love the visual and aesthetic aspects of theater staging.

Dom Alberto came to see the show.

Afterwards, he remarked to one of the actors:

“If Cláudio Barradas agreed to become a priest, I’d ordain him immediately.”

When the actor told me this, I reacted:

“Wow! God forbid! Get out of here! Never!” But Dom Alberto maintained this intention of his. And later, he extended the invitation directly to me.

“Cláudio—you stubborn mule—I want you!”

What went through your mind when Dom Alberto Ramos proposed ordaining you?

I was floored. It was like a kick to the gut—and as far as I know, a kick there really hurts.

It was as if, at the moment of the invitation, Dom Alberto had vanished from my sight and Jesus was saying to me:

“Cláudio Barradas—you stubborn mule—you’ve drifted away from my Church, you detest priests, but I want you.”

Without even thinking, I answered Dom Alberto:

“I accept.”

Since then, as a priest, I sometimes find myself in difficult situations because I have an open mind—and you know how it is.

For example, if someone asks me:

“Should I use a condom or not?”

It becomes my turn to ask:

“Do you want to hear the answer from the priest or from the man, Cláudio Barradas?”

If the person says they want the priest’s answer, they’re out of luck, because as a priest, I belong to a Church with a specific rule: when Rome speaks, you either obey or you leave.

So, I tell that person:

“In the Church—where I am but a foot soldier—condoms cannot be accepted.”

Now, if someone asks Cláudio Barradas the person, I answer:

“If you can’t go without sex, then use a condom, because it’s a form of protection for you.”

Once, a newspaper reporter asked me if there wasn’t a contradiction in this attitude of mine.

I don’t think there is a contradiction.

If someone tells me:

“You have to merge the man Cláudio Barradas with the priest.”

I answer that I don’t. The priest is bound to follow certain things. The man is not.

I am also in favor of the ordination of women and of priests getting married—though that no longer applies to me, since I’m seventy-four years old.

“A hastily made priest”

Does a priest who holds such views face any unpleasant consequences?

There are priests who harbor the vanity of wanting to become bishops. That isn’t even in my dreams, because, for me, the decision to become a priest was already a huge step.

But if I *did* want to be a bishop, I’d know that the Vatican sends letters to various people asking for information about those being considered for the role. I’ve received that kind of letter three times myself.

It’s a letter asking for minute details about the episcopal candidate. For instance, it wants to know if he supports priestly marriage. If he does, he’s immediately ruled out.

Well, let’s go back to Dom Alberto’s invitation. After accepting it, did you have to study theology, or did he exempt you from that?

I have a close friend who is a technician at the Emílio Goeldi Museum. She once said to someone:

“Cláudio Barradas is a hastily made priest.”

The thing is, Dom Alberto ordained me as a deacon and died shortly thereafter.

I wish he had been the one to ordain me as a priest.

Later, Dom Vicente Zico called me in and said:

“You’re going to study a few subjects at the seminary, just as an auditor. You won’t need to take any exams.”

A possible reason for this special treatment: I had already spent eight years at the Nossa Senhora da Conceição Seminary—back when classes were held both morning and afternoon, and you really, truly studied.

On top of that, I had a degree in Language and Literature and loved to read. So they thought—or I believe they thought—that I had a solid cultural foundation.

Ha, ha, ha!

When I returned to the seminary, I spent a year sitting in on classes across various groups.

I’d hop from one class to another. And I *did* end up having to take plenty of exams.

After that, Dom Vicente wanted to ordain me right away. But I said I wanted to keep studying. I studied for another year, including Moral Philosophy. And only then was I ordained.

“A Leap into the Infinite”

What was your priestly ordination ceremony like?

It attracted a lot of buzz because I was a well-known figure in the arts.

That morning, a reporter from a newspaper showed up to interview me.

Now, I know that the Catholic Church is still viewed by the intellectual and artistic worlds as reactionary—primarily due to certain current stances, such as its position on birth control pills.

Well, the reporter was a woman I didn’t know.

She began her question by saying:

“Barradas, you becoming a priest…”

I interrupted her:

“No one *becomes* a priest [in the sense of transforming into something else]. Someone might turn into a *Matinta Pereira* or a werewolf. I am going to *become* a priest.”

She said:

“Fair enough. But is becoming a priest, for you, like taking a step forward or taking three steps backward?”

It was written all over her face that, in her view, the answer was “three steps backward.” I had a sudden flash of inspiration and replied:

“Look, my dear, becoming a priest is neither a step forward nor three steps backward. It is a leap into the infinite.”

She was taken aback:

“Wow! You really floored me.”

And she decided:

“The interview is over.”

“I am like a bee”

Have you ever experienced something as a priest that would be useful to an actor?

As a priest, I worked for a year at the Cathedral—the *Sé*—in a role called “coadjutor.” But the job was, in fact, that of a “dogsbody” priest.

Dom Mário de Miranda used to say:

“A coadjutor? Better neither to have one nor to be one. Whoever has one suffers from headaches; whoever is one, suffers.”

Well, there was a party at a Dutch-style house—now in a state of neglect—on the street leading to the cemetery; the house belonged to the UFPa Music Department.

They were there to honor Monsignor Nelson Brandão Soares, the vicar of the Cathedral, for his work in the field of music. Since he dislikes being honored, he sent me to the event in his place.

The first part of the party involved a medal presentation, followed by some musical performances.

Márcia Aliverti, a great soprano, was set to sing.

In the room—which was tiny—sitting right across from Márcia and me, was the president of the *Academia Paraense de Letras* (Paraense Academy of Letters) with his wife and a beautiful blond boy—a little prince—who appeared to be their son.

Every time the soprano hit a high note, the boy would huddle into his chair, trying to pull back as far as possible, while also covering his ears with his hands.

His mother would then give him a pinch.

The singer didn’t see it. But if I were the one singing and saw the boy’s reaction, I would have lost my composure.

In theater, faced with a situation like that, an actor is defenseless, even if the performance itself is excellent.

But that only happens the first time. Later on, if the actor already knows the audience, it’s different.

As an actor, you have inhabited characters with such vastly different ways of thinking and acting; how, then, do you view other religions in your capacity as a Catholic priest? I do not claim that only my church is right.

I am like a bee; wherever there is the honey of wisdom, I gather something from it.

I appreciate the Buddha—a great figure. I also appreciate, among others, Krishnamurti and Rajneesh.

Ultimately, all religions can—and should—be paths to God.

Although God is one, there are many paths that lead to Him.

(Illustration: Actor Cláudio Barradas, already elevated to the status of Canon Emeritus)

Tags: Cláudio BarradascolunaculturaDestaqueHistória
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Oswaldo Coimbra

Oswaldo Coimbra

Oswaldo Coimbra é escritor, jornalista e pesquisador. Email: oswaldocoimbra1@gmail.com

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