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Home Cultura

O engenheiro-mor do Brasil assistiu à construção do Forte do Presépio?

Oswaldo Coimbra por Oswaldo Coimbra
18/08/2026
in Cultura
O engenheiro-mor do Brasil assistiu à construção do Forte do Presépio?
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Antes do surgimento da UFPa, em 1957, o estudo do passado, no Pará, como em outros lugares do mundo, estava entregue a intelectuais influenciados pelo Positivismo, doutrina que pretendia estender até as ciências humanas o rigor das ciências exatas. 

Um rigor que se esmerava na citação de dados, extraídos de papéis antigos, onde deveriam ser encontrados, não só os verdadeiros fatos, as suas datas e seus personagens, como a significação definitiva de todos eles.

Esta forma de estudar a História, com o tempo, foi superado pela compreensão de que a verdade do passado não fica cristalizada, congelada, naqueles papéis. 

Na verdade, fica “em suspenso”, como dizia o filósofo Jean Paul Sartre, até que ganhe resignificação, sob a ótica de um novo tempo presente.

No Pará, a busca, desde o começo dos anos de 1900, pela exatidão na reconstituição de um fato do passado veio a criar ampla divergência entre os maiores historiadores da nossa região.

Tratava-se da construção do Forte do Presépio, na fundação de Belém, em 1616.

O forte, para uns pesquisadores, era apenas uma faxina, isto é, feixes de troncos de árvores amarrados e enterrados que garantiram um tipo de proteção aos soldados. 

Para outros, esta muralha protetora não era tão precária, pois teria sido levantada com o uso de pedras lamacentas, encontráveis na sua área.

Esta desentendimento levou à outro, ligado à possibilidade ou à impossibilidade de o engenheiro-mor do Brasil, Francisco Frias de Mesquita ter ou não assistido à construção do forte. 

Afinal, ele estava em São Luís, no final do ano de 1615,quando a expedição de Castelo Branco foi organizada. 

Mas, afinal, que importância pode ter tido a presença dele, em Belém, naquele momento?

Para responder a esta indagação é necessário levar em conta quais eram a formação e as atribuições de um engenheiro-militar, na época. 

Depois, se torna imprescindível analisar melhor quem era, no fim das contas, o engenheiro-mor do Brasil.

A formação e as atribuições de um engenheiro-militar no século XVII e o papel desempenhado por Mesquita no Brasil-Colônia, foram dois dos ítens desenvolvidos por Pedro Carlos da Silva Telles, em “História da Engenharia do Brasil – século XVI a XIX”.

Nesta obra, para dimensionar a importância dos engenheiros-militares, Telles lembra que o século XVII, e mais precisamente o ano de 1638, foi o do aparecimento do primeiro livro, em todo o mundo, no campo da Resistência dos Materiais. 

Chamava-se “As duas novas ciências” e foi escrito por Galileu Galilei. 

No século anterior, tinham sido produzidos outros estudos situados entre os precursores da Engenharia.

Como os de autoria de Leonardo da Vinci, com os quais ele fez a primeira tentativa de utilizar a Estática na determinação das forças atuantes numa estrutura simples. 

Tais estudo, todavia, só chegaram a ser publicados séculos mais tarde, depois de escritos. 

Os primeiros construtores

Diz Telles: 

“Antes dessa época muita gente houve, é claro, que se ocupou de diversas tarefas que hoje são atribuições do engenheiro”. 

Uma prova disto, Telles acrescenta, são as incontáveis e magníficas construções surgidas desde a Antiguidade. 

“Os construtores antigos, mesmo tendo realizado obras difíceis e audaciosas, contavam principalmente com uma série de regras práticas e empíricas”. 

Em muitos casos, eles tinham exatas noções de estabilidade, equilíbrio de forças e centro de gravidade. 

Ainda assim, suas obras resultavam mais de um conhecimento intuitivo do que de cálculo teórico. 

Daí o superdimensionamento da largura das paredes. 

Diz Telles: 

“O construtor, na impossibilidade de calcular, tinha de se garantir nas espessuras e nas seções”.

A Engenharia moderna, ele afirma, nasceu dentro dos exércitos. 

“A descoberta da pólvora e depois o progresso da artilharia, obrigaram a uma completa modificação das obras de fortificação”. 

Estas obras, a partir do século XVII, passaram a exigir profissionais mais habilitados para o seu planejamento e sua execução. 

Já neste período, a palavra “engenheiro” era usada, inclusive em língua portuguesa, para designar o profissional capaz de construir fortificações e fabricar engenhos bélicos. 

Os engenheiros-militares, apesar de não receberem formação dentro do campo da Engenharia, tal como o conhecemos hoje, afirma Telles:

“Como, eram praticamente, as únicas pessoas com algum conhecimento sistemático da arte de construir, foram empregados não só nas obras de fortificações mas também nas de palácios, igrejas, conventos e aquedutos”.

Quanto a Francisco de Frias da Mesquita, ele teve a sorte de estudar num dos poucos cursos que, na época, tratavam de assuntos relacionados com Engenharia. 

Tais cursos eram denominados simplesmente de “Aulas”. 

Mesquita foi aluno de Arquitetura, da Aula dos Paços da Ribeira, em Portugal. 

Em 1603, veio para o Brasil, e, embora aqui, durante algum tempo, fosse o único engenheiro-militar, recebeu do monarca português a nomeação para o cargo de engenheiro-mor do Brasil.

Mesquita viveria 32 anos no Brasil. 

Ao longo deste período, por mais de uma vez, se mostraria um valoroso militar, tanto nos episódios das lutas contra os franceses, no Maranhão, como, em 1624, nos combates contra os holandeses, na Bahia. 

Como construtor Mesquita mereceu a elaboração de um primoroso estudo por parte de dom Clemente da Silva-Nigra. 

Em obras como “Admirável mundo de dom Clemente da Silva-Nigra”, de Luiz Dantas, o religioso é apresentado como um monge beneditino alemão, naturalizado brasileiro, que foi, também, arquivista, professor e historiador. 

Tendo produzido obra vasta e seminal nos campos da História da Arte e da Arquitetura do Brasil Colonial.

O estudo de Silva-Nigra

Seu estudo “Francisco de Frias da Mesquita, engenheiro-mor do Brasil”,foi publicado numa edição de 1945, da Revista do Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional.

E serviu como fonte de informação para para Pedro Carlos da Silva Telles, na elaboração do livro dele “A História da Engenharia no Brasil”. E para Nestor Goulart Reis Filho, quando o autor escreveu “Contribuição ao Estudo da Evolução Urbana do Brasil”. 

Para Goulart Reis Filho, as realizações de Mesquita, como engenheiro do Brasil, compuseram “uma folha de serviços das mais brilhantes”. 

O primeiro destes serviços, mencionados por Telles, foi a construção do Forte do Picão, em Recife, no ano de 1608. 

Em seguida, outros fortes foram erguidos sob a responsabilidade do engenheiro-militar.

O de Macaé, no Rio de Janeiro, em 1613; o de São Diogo, na cidade de Salvador, em 1614. 

Neste mesmo ano, Mesquita construiu, em Natal, o Forte dos Reis Magos, a partir do projeto original do padre jesuíta Gaspar Sampéres.

Se tornou, segundo Telles, o “melhor trabalho de defesa da costa brasileira, na época, verdadeiro orgulho da engenharia militar portuguesa”. 

Nos meses seguintes ao do término desta obra em Natal, teve inicio o período de um ano, no qual Mesquita levantou três outras edificações militares.

Uma, no Rio de Janeiro, o Forte de São Mateus, em Cabo Frio, e, as duas do Maranhão, os de Guaxenduba e de São Felipe, quando os portugueses expulsaram os franceses. 

Algum tempo depois, ele fez o traçado das ruas de São Luiz. 

O outro trabalho de Mesquita que Reis Filho coloca ao lado do Forte dos Reis Magos entre suas obras mais brilhantes, é, como o traçado de São Luiz, posterior à fundação de Belém: o mosteiro de São Bento, no Rio de Janeiro. 

Aquela casa religiosa ele projetou e construiu. 

E, num momento próximo daquele, fez, ainda mais um forte: o de Santa Catarina, localizado em Cabedelo, na Paraíba. 

Porém, o mosteiro, no Rio de Janeiro, não foi única obra religiosa do engenheiro-militar. 

Ele projetou e construiu, também, as igrejas  matrizes de Olinda e de Natal. 

Além disto tudo, a atuação profissional de Mesquita pôde ser notada também em duas outras obras, consideradas por Telles como as mais importantes do período colonial. 

A primeira delas, a casa da Torre de Garcia d’ Ávila, no município de Matão de São João, na Bahia. 

A segunda obra, o Forte de São Marcelo, também chamado de Forte do Mar, “a mais importante obra de defesa de Salvador”, levantado em frente à parte antiga da cidade, “sobre um rochedo emergente do mar”, diz Telles. 

Frias de Mesquita em Belém?

Theodoro Braga  foi quem mais se empenhou em demonstrar a presença em Belém deste valoroso engenheiro-militar durante a construção do Forte do Presépio.

Ele tinha um motivo. Pintor respeitado, havia se recusado a mostrar o forte como faxina, no quadro sobre a fundação de Belém, encomendado a ele pelo intendente Antônio Lemos.

Num ensaio publicado em 1908, com o título de “A fundação da cidade de Nossa Senhora de Belém”, ele argumentou que não faria sentido supor que um construtor da estatura de Frias de Mesquita viria a Belém para construir algo tão precário. 

Com isto, assumiu a obrigação de provar que o engenheiro-mor esteve em Belém. 

O que julgou ter feito com a descoberta por ele de um documento na Biblioteca Nacional.

Onde foi arquivado com a identificação de “Arquivo Geral de Índias – Patronato 2-5-I-27. Olandezes e Francezes e Inglezes hacian en las riberas del Rio de las Amazonas & en 4 de abril de 1615”.

Mas, Theodoro Braga não foi o único pesquisador a registrar a presença de Mesquita entre os companheiros de viagem de Castelo Branco. 

Arthur Cézar Ferreira Reis, ao tratar da expedição de Castelo Branco, no livro “A época colonial”, afirma, sobre a expedição de Castelo Branco: 

“Francisco Frias Mesquita, engenheiro-mor do Estado do Brasil, levava a incumbência da construção de um estabelecimento fortificado”. 

Um outro estudioso, Carlos Roque, em “História dos Municípios do Pará”, menciona Frias entre os membros da expedição.

E, o escritor Leandro Tocantins, em “Santa Maria de Belém do Grão -Pará”, afirma: 

Com Castelo Branco, ao Gram-Pará “vêm o piloto-mor Antônio Vicente Cochado, o tabelião Frutuoso Lopes, o provedor e engenheiro Francisco Frias de Mesquita e o intérprete da língua indígena Charles de Vaux, um francês”.

Estes autores, porém, constituem-se em exceções. 

Os demais pesquisadores silenciam sobre a inclusão de Frias de Mesquita entre os membros da expedição de Castelo  Branco.

Até mesmo Augusto Meira Filho, tão minucioso e cuidadoso, omite, em sua obra “Evolução Histórica de Belém do Grão-Pará” o nome do engenheiro-militar na lista de companheiros de Castelo Branco. 

Onde, entretanto, esta omissão do nome do engenheiro-militar se torna gritante é no estudo de Manoel Barata “Formação Histórica do Pará”.

Nele, o historiador se revela movido pela  preocupação de fazer justiça a quem esteve nas naus comandadas por Castelo Branco, sem ter sido mencionado pelos cronistas antigos. 

A mente de Barata, ao se preocupar com isto, contudo, estava voltada apenas para André Pereira, o mensageiro de Castelo Branco que levou a notícia da chegada ao Gram-Pará até o rei de Portugal. 

Para corrigir aquilo que ele considera uma “inexplicável omissão”, Barata fornece vários dados biográficos de André Pereira. 

Depois, com igual empenho, ele se dedica, no final de seu texto, ao piloto das naus, Antônio Vicente Cochado, sobre quem disserta por quase 30 linhas. 

Quanto a Frias de Mesquita, nada diz.

(Ilustração: Imagem de engenheiro militar, em “A Engenharia no Brasil”, de Carmem Marques)

Did the chief engineer of Brazil witness

the construction of the Presépio Fort?

Before the emergence of UFPa, in 1957, the study of the past in Pará—just as in other parts of the world—was in the hands of intellectuals influenced by Positivism, a doctrine that sought to extend to the human sciences the same rigor found in the exact sciences. A rigor that prided itself on citing data extracted from old documents, where one was expected to find not only the true facts, their dates, and their protagonists, but also the definitive meaning of all of them.

This way of studying History was eventually surpassed by the understanding that the truth of the past is not crystallized, frozen, within those papers. In fact, it remains “in suspension,” as the philosopher Jean-Paul Sartre said, until it gains new meaning under the lens of a new present time.

In Pará, the pursuit—beginning in the early 1900s—of precision in reconstructing a past event led to a broad divergence among the greatest historians of our region. The issue was the construction of the Presépio Fort, at the founding of Belém in 1616.

For some researchers, the fort was merely a faxina, that is, bundles of tree trunks tied together and buried, providing a basic form of protection for the soldiers. For others, this protective wall was not so precarious, as it would have been built using muddy stones found in the area.

This disagreement led to another, related to the possibility—or impossibility—of the chief engineer of Brazil, Francisco Frias de Mesquita, having witnessed the construction of the fort. After all, he was in São Luís at the end of 1615, when Castelo Branco’s expedition was organized. But, ultimately, what importance could his presence in Belém at that moment have had?

To answer this question, it is necessary to consider what the training and duties of a military engineer were at the time. Then, it becomes essential to better analyze who, after all, the chief engineer of Brazil actually was.

The training and duties of a military engineer in the 17th century, as well as the role played by Mesquita in Colonial Brazil, were two of the topics developed by Pedro Carlos da Silva Telles in History of Engineering in Brazil — 16th to 19th Century.

In this work, to illustrate the importance of military engineers, Telles recalls that the 17th century—and more precisely the year 1638—saw the publication of the first book in the world in the field of Strength of Materials. It was titled Two New Sciences and was written by Galileo Galilei.

In the previous century, other studies had been produced that are considered precursors of Engineering. Among them were works by Leonardo da Vinci, in which he made the first attempt to use Statics to determine the forces acting on a simple structure. These studies, however, were only published centuries later, long after they were written.

The first builders

Telles writes: “Before that period, many people, of course, carried out various tasks that today fall under the responsibilities of an engineer.” As proof of this, Telles adds, there are the countless and magnificent constructions that arose since Antiquity. “The ancient builders, even when undertaking difficult and daring works, relied mainly on a series of practical and empirical rules.” In many cases, they had precise notions of stability, balance of forces, and center of gravity. Even so, their works resulted more from intuitive knowledge than from theoretical calculation. Hence the oversized thickness of the walls. Telles says: “The builder, unable to calculate, had to rely on thicknesses and crosssections.”

Modern Engineering, he states, was born within the armies. “The discovery of gunpowder and later the progress of artillery required a complete modification of fortification works.” From the 17th century onward, these works began to demand more skilled professionals for their planning and execution. Already in this period, the word engineerwas used—even in Portuguese—to designate the professional capable of building fortifications and manufacturing war machines.

Military engineers, despite not receiving training in the field of Engineering as we know it today, Telles affirms: “Since they were practically the only people with some systematic knowledge of the art of building, they were employed not only in fortification works but also in palaces, churches, convents, and aqueducts.”

As for Francisco de Frias da Mesquita, he was fortunate to study in one of the few courses at the time that dealt with subjects related to Engineering. These courses were simply called Aulas (“Lessons”). Mesquita studied Architecture at the Aula dos Paços da Ribeira, in Portugal. In 1603, he came to Brazil, and although for some time he was the only military engineer here, he received from the Portuguese monarch the appointment to the position of chief engineer of Brazil.

Mesquita would live 32 years in Brazil. Throughout this period, on more than one occasion, he proved to be a valiant soldier—both in the episodes of the battles against the French in Maranhão and, in 1624, in the fights against the Dutch in Bahia.

As a builder, Mesquita deserved a masterful study by Dom Clemente da SilvaNigra. In works such as The Admirable World of Dom Clemente da SilvaNigra, by Luiz Dantas, the cleric is presented as a German Benedictine monk, naturalized Brazilian, who was also an archivist, professor, and historian. He produced a vast and seminal body of work in the fields of Art History and Architecture of Colonial Brazil.

SilvaNigra’s study

His study “Francisco de Frias da Mesquita, Chief Engineer of Brazil”was published in a 1945 issue of the Revista do Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. It served as an information source for Pedro Carlos da Silva Telles in the preparation of his book History of Engineering in Brazil, and for Nestor Goulart Reis Filho when he wrote Contribution to the Study of Brazil’s Urban Evolution.

For Goulart Reis Filho, Mesquita’s achievements as Brazil’s engineer formed “one of the most brilliant service records.” The first of these services, mentioned by Telles, was the construction of the Picão Fort in Recife, in 1608. After that, other forts were erected under the military engineer’s responsibility: Macaé Fort, in Rio de Janeiro, in 1613; São Diogo Fort, in Salvador, in 1614.

In that same year, Mesquita built, in Natal, the Forte dos Reis Magos, based on the original design by the Jesuit priest Gaspar Sampéres. According to Telles, it became “the best coastal defense work in Brazil at the time, a true pride of Portuguese military engineering.”

In the months following the completion of this work in Natal, began a oneyear period during which Mesquita erected three other military structures: one in Rio de Janeiro, São Mateus Fort in Cabo Frio, and two in Maranhão—Guaxenduba and São Felipe—built when the Portuguese expelled the French. Some time later, he laid out the street plan of São Luís.

Another work by Mesquita that Reis Filho places alongside the Forte dos Reis Magos among his most brilliant achievements is, like the layout of São Luís, posterior to the founding of Belém: the São Bento Monastery in Rio de Janeiro. He both designed and built that religious house. And around that same period, he built yet another fort: Santa Catarina Fort, located in Cabedelo, Paraíba.

However, the monastery in Rio de Janeiro was not the only religious work by the military engineer. He also designed and built the main churches of Olinda and Natal.

Beyond all this, Mesquita’s professional activity can also be seen in two other works considered by Telles as the most important of the colonial period. The first is the Torre de Garcia d’Ávila manor house, in the municipality of Matão de São João, Bahia. The second is São Marcelo Fort, also known as Forte do Mar, “the most important defensive work in Salvador,” built in front of the old part of the city, “on a rock emerging from the sea,” says Telles.

Frias de Mesquita in Belém?

Theodoro Braga was the one who most dedicated himself to demonstrating the presence in Belém of this valiant military engineer during the construction of the Presépio Fort. He had a reason. A respected painter, he had refused to depict the fort as a faxina in the painting about the founding of Belém, commissioned by the city administrator Antônio Lemos.

In an essay published in 1908, titled “The Founding of the City of Our Lady of Belém”, he argued that it would make no sense to suppose that a builder of Frias de Mesquita’s stature would come to Belém to construct something so precarious. With that, he took upon himself the obligation to prove that the chief engineer had indeed been in Belém. He believed he had done so through the discovery of a document in the National Library, where it was archived under the identification: “Arquivo Geral de Índias – Patronato 25I27. Olandezes e Francezes e Inglezes hacian en las riberas del Rio de las Amazonas & en 4 de abril de 1615.”

But Theodoro Braga was not the only researcher to record Mesquita’s presence among Castelo Branco’s travel companions. Arthur Cézar Ferreira Reis, when discussing Castelo Branco’s expedition in his book “The Colonial Era”, states: “Francisco Frias Mesquita, chief engineer of the State of Brazil, was entrusted with the construction of a fortified establishment.”

Another scholar, Carlos Roque, in “History of the Municipalities of Pará”, mentions Frias among the members of the expedition. And the writer Leandro Tocantins, in “Santa Maria de Belém do GrãoPará”, affirms: With Castelo Branco, to the GrãoPará “came the master pilot Antônio Vicente Cochado, the notary Frutuoso Lopes, the steward and engineer Francisco Frias de Mesquita, and the interpreter of the Indigenous language Charles de Vaux, a Frenchman.”

These authors, however, are exceptions. Other researchers remain silent regarding the inclusion of Frias de Mesquita among the members of Castelo Branco’s expedition. Even Augusto Meira Filho, so meticulous and careful, omits the military engineer’s name in his work “Historical Evolution of Belém do GrãoPará” from the list of Castelo Branco’s companions.

Where this omission becomes most striking is in Manoel Barata’s study “Historical Formation of Pará”. In it, the historian reveals himself driven by the concern to do justice to those who were aboard the ships commanded by Castelo Branco but were not mentioned by the early chroniclers. Barata’s attention, however, was directed solely toward André Pereira, Castelo Branco’s messenger who carried the news of the arrival in GrãoPará to the king of Portugal. To correct what he considered an “inexplicable omission,” Barata provides several biographical details about André Pereira. Then, with equal dedication, he focuses at the end of his text on the ships’ pilot, Antônio Vicente Cochado, about whom he writes nearly thirty lines. As for Frias de Mesquita, he says nothing.

(Illustration: Image of a military engineer, in “Engineering in Brazil,” by Carmem Marques.)

Tags: BrasilcolunaculturaDestaqueengenheiroForte do PresépioHistória
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Oswaldo Coimbra

Oswaldo Coimbra é escritor, jornalista e pesquisador.

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