*Oswaldo Coimbra é escritor e jornalista
Dentro de duas semanas, ocorrerá a 61ª passagem anual da derrubada do presidente eleito João Goulart, por militares e empresários – brasileiros e estrangeiros -, através de um Golpe de Estado.
Dois falsos institutos, financiados por aqueles empresários,ajudaram a tomada do poder pelos golpistas, no dia 1 de abril de 1964, .
A razão imediata para a derrubada de Jango era a defesa que o presidente fazia de alterações na sociedade brasileiras em áreas bancárias, fiscais, eleitorais, urbanas, administrativas, agrárias e universitárias.
Às quais Jango denominava de Reformas de Base.
Com elas, o presidente queria enfrentar a situação socio-econômica brasileira extremamente difícil que, entre outras graves consequência, deixava 54% das crianças em idade escolar fora do sistema educacional.
Duas destas alterações feriam diretamente os interesses dos empresários.
A que previa a regulação dos investimentos estrangeiros, para aumento da participação do Estado nas questões econômicas.
E a que implementaria mudanças no campo, sob o nome de Reforma Agrária.
Para a execução do Golpe Militar, os empresários contrataram um especialista da área de formação de opinião pública, Arlindo Lopes Correa, através dos dois falsos institutos.
E eles os orientou sobre como conseguir o apoio da classe média, decisiva na formação da opinião pública brasileira, para a derrubada de Jango.
E, posterior implantação de um regime militar que servisse aos interesses deles, conforme revela o mais importante estudioso do Golpe Militar, René Dreifuss, em “1964: a Conquista do Estado”.
Uma das alterações propostas por Jango irritava, em particular, os militares antijanguistas.
Aquela com a qual seria oferecido o direito de voto às patentes subalternas das forças armadas, que, até aquele ano, não o tinham.
Assim, como também não o tinham os brasileiros analfabetos, aos quais seria igualmente estendida aquela conquista.
Um dos falsos institutos se autointitulava “paulista, de pesquisas e estudos sociais”, o IPES.
O outro se dizia “brasileiro, de ação democrática”, o IBAD.
O apoio da opinião pública influenciada pela classe média era fundamental para os golpistas do IPES e do IBAD porque membros das Forças Armadas tinham feito uma exigência.
Só sairiam dos quartéis se a empreitada ilegal de derrubada de um presidente eleito parecesse uma aspiração de muitos brasileiros.
Em seu estudo,Arlindo sustentou que os golpistas para obterem uma opinião pública favorável, através da manipulação da classe, tinham de fazer uso de um tipo de propaganda na qual misturassem argumentos racionais com argumentos emocionais.
Os golpistas, então, passaram a buscar este apoio com o emprego de uma guerra psicológica, através dos meios de comunicação, cujo objetivo era instaurar pânico na classe média.
O IPES, com dinheiro que lhe forneciam empresários brasileiros e americanos, passou a abastecer os noticiários de 800 jornais e emissoras de rádio por todo o Brasil, revela ainda Dreifuss.
Com várias remessa semanais de material,inteiramente gratuitas, constituído de informações e análises distorcidas.
Além disto, o falso instituto comprou mais de 80 apresentações semanais nas rádios, por todo o país.
Este material fornecido pelo IPES era, antes, trabalhado por equipes de “manipuladores de notícias”.
As equipes, “preparavam e compilavam material, sob coordenação geral do general Golbey do Couto e Silva, especialista em guerra psicológica”, prossegue Dreifuss.
Na material, “através de associações de idéias, fazia-se uma miscelânea de condenações”.
Tanto João Goulart, como o Partido Comunista recebiam estas condenações.
Mas, também, eram condenados líderes de países comunistas – Tito, Mao, Kruschev -, Cuba, uniões estudantis, sindicatos, reforma agrária, estatização, Partido Trabalhista Brasileiro, corrupção, ineficiência e socialismo.
A guerra psicológica atingiu em cheio a parcela da Igreja Católica que estava sintonizada com as encíclicas do Papa João XXII, líder da Igreja Católica, naquela fase, “Pacem in Terris”, e, “Mater et Magistra”.
Ambas estimulavam o engajamento dos católicos na luta por Justiça Social.
O que, no Brasil, significava, naquele contexto, defender as Reformas de Base.
O líder cristão Paulo de Tarso Santos, ministro da Educação de Jango, comenta, no livro “1964 e outros anos”, sobre como católicos eram atingidos pelo pânico social criado pelo IPES:
“A Igreja das pregações sociais era mostrada como se fosse formada por apóstatas e, portanto, ela, a classe média, deveria se mobilizar para defender o seu cristianismo ameaçado.
Todos aqueles que, como eu, estavam defendendo uma política social, na linha proposta pelo Concílio Vaticano II, convocado por João XXIII, através das Reformas de Base defendidas por João Goulart, eram apresentados como traidores de sua classe e de seu cristianismo”.
Heloisa Murgel Starling, em “Os Senhores das Gerais” analisou o material impresso usado em Belo Horizonte por uma entidade feminina ligada ao IPES/IBAD.
Nesta guerra psicológica, diz a pesquisadora, a visão de comunismo veiculado ali era “primária e grotesca”,e, por isto aterradora.
Heloisa transcreve, em seu livro, trechos deste material:
“O comunismo é antidemocrático por ser um totalitarismo estatal, antibrasileiro porque luta por submeter nossa pátria ao escravismo russo, anticristão por seu ateísmo essencial.
O comunismo fundou o regime de escravidão e da supressão da liberdade do homem.
Aniquila a pessoa humana transformando-a numa simples peça da engrenagem de seu materialismo dialético”.
A transcrição termina com um trecho mais amedrontador ainda:
“Quer você trocar a vida tranquila e simples do tradicional lar mineiro pela vida que levam aqueles que choram atrás do muro da vergonha ou daquelas que assistem à destruição de seus familiares no paredón, enganados e esmagados pela ditadura vermelha?”.
Em Belém, os golpistas espalharam um documento, assinado por uma entidade fantasma, supostamente comunista, denominada de “CCIPI-Comando de Caça aos Inimigos do Povo Brasileiro”.
Uma cópia do documento falso foi guardada pelo arquiteto Camilo Porto de Oliveira, que, numa atitude rara, sempre se declarou publicamente golpista.
Em linguagem tosca, o texto do documento, com erros de datilografia, trazia uma relação “dos primeiros exploradores do povo” que seriam“justiçados pelo CCIPB, seja com atentados à bala, bomba ou mesmo sequestro de seus filhos”.
O texto prosseguia:
“Esta será uma vingança por todos estes anos em que estes animais capitalistas, exploraram a nós, pobres brasileiros, subjugados por cafajestes, que, na pele de capitalistas, as(sic) vezes, representando nojentas multinacionais, subjugam o pobre povo”.
Depois disto, o documento trazia uma lista apresentada como a de “animais que serão justiçados”.
A lista, com erros, trazia os seguintes nomes de políticos, empresários, arquitetos, assim como de membros de famílias tradicionais do Pará:
“Romulo Maiorana, Otávio Avertano Barreto da Rocha, Hermogenes Udinea Condurú, Elias Psarros, José Miguel Alves, Abilio Diogo Couceiro, Camilo Pôrto de Oliveira, Altino Tavares Pinheiro, Edward Catete Pinheiro, Oziel Carneiro, Antônio Nicolau Viaana da Costa Carlos Zogby, Alcir Bastos meira(sic), Napoleão Nicolau da Costa Jr. , Enéas Vieira, João Wadi Rossi, Roberto Jares Martins, Michel de Mello e Silva”.
Criado o pânico na população do Pará, militares e empresários que promoveram o Golpe de Estado em nosso Estado desencadearam uma perseguição brutal indiscriminada a católicos que lutavam por Justiça Social.
Conseguiram expulsar do clero paraense três religiosos.
Padre Diomar Lopes, assistente espiritual da Juventude Universitária Católica.
Padre Moisés Lindoso, assistente espiritual da Juventude Operária Católica.
E, padre Aluysio Neno, coordenador do Movimento de Alfabetização, promovido pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil.
Além disto, conseguiram a prisão do jovem líder estudantil católico Carlos Alberto Franco.
Paulo de Tarso Santos analisou, assim, no livro citado, a ação dos golpistas “salvadores da sociedade cristã”:
“Se os golpistas ficassem privados do Cristianismo, a que iriam recorrer como fundamento doutrinário da sua intervenção?
Era preciso defender a todo custo o Cristianismo, enquanto pano de fundo ideológico do movimento golpista.
O sentimento cristão foi a sua alavanca.
Todos nós que estávamos apoiando as Reformas de Base não poderíamos de modo algum ser admitidos como cristãos.
Nós, em certa medida, ao usarmos uma linguagem cristã para nos opormos ao movimento golpista, éramos muito mais perigosos que os comunistas.
Muito mais simples, portanto, era nos jogar na vala comum do Comunismo”..
Mas, a campanha de pânico não apenas assustou a classe média.
Também rendeu muitas contribuições de empresários golpistas, gerando a “indústria do anticomunismo”, denunciada pelo “Brasil, Urgente”.
O jornal, editado pelos dominicanos de São Paulo,era lido e distribuído em Belém pelos jovens da Ação Católica, ligados à Juventude Estudantil Católica-JEC.
Numa de suas últimas edições, de março de 1963, o jornal denunciou:
“Monta-se a indústria do anticomunismo com tabuleta na porta, presidente e principalmente caixa registradora.
O produto dessa indústria vende-se por aí, pesado como a vergonha e inútil como o ódio, num clima de perseguição, pressões, demissões e suborno.
O prudente cidadão que ousa criticar com eufemismo e metáforas, a injustiça social é logo qualificado de feroz comunista, com dinamite no bolso, pronto a fazer saltar pelos ares um bonde ou uma carruagem do senhor governador”.
Antes de ser fechado pelos golpistas, o Brasil, Urgente ainda publicou em sua última edição um documento assinado pelo presidente da Ação Católica, Pedro Calil, pelo Assistente eclesiástico do Ação Católica, Dario Bevilaqua, e, pelo Vice-presidente da Federação das Congregações Marianas, padre Luis Gargioni.
No documento, intitulado Manifesto ao Povo Brasileiro, estas autoridades católicas declararam:
“Expressamos nosso profundo constrangimento às explorações da fé e do sentimento religioso do povo brasileiro.
E, à utilização política da religião, criando um clima de divisão na Igreja, a partir de diferenças de opções existentes no plano temporal.
Constatamos que estas atitudes são contrárias ao espírito de unidade vivido pelos cristãos, neste tempo da Igreja em Concílio”.
English translation (tradução para o inglês)
Christianity Was Used to Persecute Christians in Pará in 1964
*Oswaldo Coimbra is a writer and journalist
In two weeks, the 61st anniversary of the overthrow of the elected president João Goulart by military officers and business leaders—Brazilian and foreign—through a coup d’état will take place.
Two fake institutes, funded by those businessmen, helped the coup plotters seize power on April 1, 1964.
The immediate reason for the overthrow of Jango was the president’s defense of changes in Brazilian society in the banking, fiscal, electoral, urban, administrative, agrarian, and university sectors.
These changes were called Basic Reforms (Reformas de Base).
With them, the president sought to address Brazil’s extremely difficult socio-economic situation, which, among other serious consequences, left 54% of school-age children outside the education system.
Two of these reforms directly affected business interests:
The regulation of foreign investments, aimed at increasing the State’s role in economic matters;
And the implementation of changes in the countryside, under the name of Agrarian Reform.
To carry out the military coup, businessmen hired a specialist in public opinion formation, Arlindo Lopes Corrêa, through the two fake institutes.
He advised them on how to secure the support of the middle class—decisive in shaping Brazilian public opinion—for the overthrow of Jango.
And for the subsequent implementation of a military regime that would serve their interests, as revealed by the leading scholar of the coup, René Dreifuss, in 1964: The Conquest of the State.
One of Jango’s proposed changes particularly angered anti-Goulart military officers:
The measure that would grant voting rights to lower-ranking members of the armed forces, who, until then, did not have that right.
The same applied to illiterate Brazilians, who would also gain suffrage.
One of the fake institutes called itself the “São Paulo Institute for Social Research and Studies” (IPES).
The other presented itself as the “Brazilian Institute for Democratic Action” (IBAD).
Support from public opinion—shaped by the middle class—was crucial for the coup plotters linked to IPES and IBAD because members of the Armed Forces had made a demand:
They would only leave their barracks if the illegal enterprise of overthrowing an elected president appeared to be the aspiration of many Brazilians.
In his study, Arlindo argued that to obtain favorable public opinion through manipulation of the middle class, the coup plotters needed to use a type of propaganda that combined rational arguments with emotional appeals.
The plotters then sought this support through psychological warfare carried out via the media, aiming to instill panic in the middle class.
IPES, funded by Brazilian and American businessmen, began supplying news content to 800 newspapers and radio stations throughout Brazil, Dreifuss further reveals.
With several weekly shipments of entirely free material consisting of distorted information and analysis.
In addition, the institute purchased more than 80 weekly radio programs across the country.
This material provided by IPES was first processed by teams of “news manipulators.”
These teams “prepared and compiled material under the general coordination of General Golbery do Couto e Silva, a specialist in psychological warfare,” Dreifuss continues.
In this material, “through associations of ideas, a mixture of condemnations was created.”
Both João Goulart and the Communist Party were targets of these condemnations.
But so were leaders of communist countries—Tito, Mao, Khrushchev—as well as Cuba, student unions, labor unions, agrarian reform, state ownership, the Brazilian Labour Party, corruption, inefficiency, and socialism.
Psychological warfare directly affected sectors of the Catholic Church aligned with the encyclicals of Pope John XXIII, who led the Church at the time: Pacem in Terris and Mater et Magistra.
Both encouraged Catholic engagement in the struggle for Social Justice.
In Brazil, in that context, this meant supporting the Basic Reforms.
Christian leader Paulo de Tarso Santos, Jango’s Minister of Education, comments in the book 1964 e outros anos on how Catholics were affected by the social panic created by IPES:
“The Church of social preaching was portrayed as if it were made up of apostates and, therefore, the middle class should mobilize to defend its threatened Christianity.
All those who, like me, were defending a social policy along the lines proposed by the Second Vatican Council, convened by John XXIII, through the Basic Reforms advocated by João Goulart, were presented as traitors to their class and to their Christianity.”
Heloisa Murgel Starling, in Os Senhores das Gerais, analyzed printed material used in Belo Horizonte by a women’s organization linked to IPES/IBAD.
In this psychological war, she states, the view of communism conveyed was “primitive and grotesque,” and therefore terrifying.
She transcribes excerpts of this material:
“Communism is anti-democratic because it is a state totalitarianism, anti-Brazilian because it seeks to subject our homeland to Russian slavery, anti-Christian due to its essential atheism.
Communism has established a regime of slavery and suppression of human freedom.
It annihilates the human person, transforming them into a mere cog in the machinery of its dialectical materialism.”
The transcription ends with an even more frightening passage:
“Do you want to exchange the calm and simple life of the traditional Minas Gerais household for the life of those who cry behind the wall of shame, or of those who witness the destruction of their relatives before the firing squad, deceived and crushed by the red dictatorship?”
In Belém, the coup plotters spread a document signed by a phantom entity, supposedly communist, called the “CCIPI—Command for the Hunting of Enemies of the Brazilian People.”
A copy of the false document was preserved by architect Camilo Porto de Oliveira, who, in a rare stance, always publicly declared himself a supporter of the coup.
Written in crude language and containing typing errors, the document listed the “first exploiters of the people” who would be “punished by CCIPB, whether by shootings, bombs, or even kidnapping their children.”
The text continued:
“This will be revenge for all these years in which these capitalist animals exploited us, poor Brazilians, subjugated by scoundrels who, under the guise of capitalists, sometimes representing filthy multinational corporations, subjugate the poor people.”
After this, the document presented a list described as “animals who will be punished,” including politicians, businessmen, architects, and members of traditional families from Pará.
“Romulo Maiorana, Otávio Avertano Barreto da Rocha, Hermogenes Udinea Condurú, Elias Psarros, José Miguel Alves, Abilio Diogo Couceiro, Camilo Pôrto de Oliveira, Altino Tavares Pinheiro, Edward Catete Pinheiro, Oziel Carneiro, Antônio Nicolau Viaana da Costa Carlos Zogby, Alcir Bastos meira(sic), Napoleão Nicolau da Costa Jr. , Enéas Vieira, João Wadi Rossi, Roberto Jares Martins, Michel de Mello e Silva”.
With panic established among the population of Pará, military officers and businessmen who promoted the coup in the state launched a brutal and indiscriminate persecution of Catholics who fought for Social Justice.
They succeeded in expelling three religious figures from the Pará clergy:
Father Diomar Lopes, spiritual advisor to the Catholic University Youth;
Father Moisés Lindoso, spiritual advisor to the Catholic Worker Youth;
And Father Aluysio Neno, coordinator of the Literacy Movement promoted by the National Conference of Brazilian Bishops.
In addition, they secured the arrest of young Catholic student leader Carlos Alberto Franco.
Paulo de Tarso Santos analyzed the actions of the coup plotters—“saviors of Christian society”—as follows:
“If the coup plotters were deprived of Christianity, what would they turn to as the doctrinal foundation of their intervention?
It was necessary at all costs to defend Christianity as the ideological backdrop of the coup movement.
Christian sentiment was their lever.
All of us who supported the Basic Reforms could in no way be accepted as Christians.
To some extent, by using a Christian language to oppose the coup movement, we were far more dangerous than the communists.
It was therefore much simpler to throw us into the common pit of Communism.”
But the campaign of panic did not only frighten the middle class.
It also generated significant contributions from pro-coup businessmen, giving rise to the “anti-communism industry,” denounced by the newspaper Brasil, Urgente.
This newspaper, edited by Dominican friars in São Paulo, was read and distributed in Belém by young members of Catholic Action linked to the Catholic Student Youth (JEC).
In one of its final editions, in March 1963, the newspaper denounced:
“The anti-communism industry is being set up, with a sign at the door, a president, and above all a cash register.
The product of this industry is sold around, heavy as shame and as useless as hatred, in a climate of persecution, pressure, dismissals, and bribery.
The prudent citizen who dares to criticize social injustice, even with euphemisms and metaphors, is immediately labeled a fierce communist, with dynamite in his pocket, ready to blow up a tram or a carriage of the governor.”
Before being shut down by the coup plotters, Brasil, Urgente published in its final issue a document signed by Catholic leaders, including Pedro Calil, Dario Bevilaqua, and Father Luis Gargioni.
In the document, titled Manifesto to the Brazilian People, these authorities declared:
“We express our deep embarrassment at the exploitation of the faith and religious sentiment of the Brazilian people.
And at the political use of religion, creating a climate of division within the Church based on differences of opinion in temporal matters.
We note that these attitudes are contrary to the spirit of unity experienced by Christians in this time of the Church in Council.”
(Illustration: The newspaper created by Dominican friar Carlos Josaphat on the eve of the military coup.)















