Desde o início da colonização do Brasil, o Gram-Pará era mantido isolado pelas autoridades do Império Português, assim como a Amazônia de modo geral.
“Fechados aos olhos indiscretos e perigosos dos estrangeiros”, diz Athur Cézar Reis, no livro “A Amazônia e a Cobiça Internacional”.
Esta política isolacionista, segundo o autor, não deixava de ter suas razões.
Pois, expedições científicas que tentasse penetrar na região “seguramente não viriam apenas para servir às exigências ou aos interesses da ciência”, afirma Reis.
Ao contrário, dentro da prática, então, habitual, da espionagem, certamente, viriam a serviço dos interesses políticos imperiais, de seus países de origem.
Ocorre, porém, que o rei que comandou o Império de Portugal, dom João V, no seu longo reinado de mais de quatro décadas, entre os anos de 1706 e 1750, quis abrir Portugal para as novas ideias que já circulavam por outros países europeus.
Eram ideias que acompanhavam a ascenção da burguesia, e, promoviam o progresso das ciência, abalando a antiga preponderância do pensamento escolástico, o tradicional da Igreja, nas cortes européias,.
Em seu reinado, por exemplo, tanto a Engenharia como outras ciências afins, como a Astronomia e a Cartografia tiveram grande impulso.
Uma nova política de urbanização foi implementada nas colônias, pela metrópole. Não por acaso, o monarca se tornou conhecido como o Rei-Sol de Portugal.
Tantas foram as bolsas de estudos que ele ofereceu para os portugueses desejosos de estudar no Exterior, que deram-lhe também o epíteto de “Magnânimo”,.
Estes portugueses, quando voltaram a seu país, ganharam destaque na Política, na Medicina, na Cartografia, na Engenharia, e, em diversas outras áreas.
Passaram a ser designados como “os estrangeirados”.
Um exemplo de ‘estrangeirado’ era Manuel de Azevedo Fortes, o influente Engenheiro-Mor do Reino, que tinha estudado Ciências Matemáticas e Experimentais, em Paris.
O rei deixou clara a relevância que conferia à área da Engenharia-Militar a que ele pertencia, através de vários decretos, como os de 29 de dezembro de 1721, e, de 24 de dezembro de 1732.
O primeiro dos dois decretos estabelecia a exigência de que, em cada Regimento de Infantaria, houvesse uma Companhia, onde todos os oficiais fossem engenheiros.
O segundo ampliava o número de Academias Militares, nas quais, se ensinavam disciplinas típicas de escola de construtores, como Fortificações, Topografia e Levantamento de Cartas, junto com outras, ligadas exclusivamente à defesa militar, como Estratégia e Tática.
Tais academia existiam apenas em Lisboa e em Viana. Com o decreto foram fundadas também em Elvas e em Almeida.
As colônias igualmente se beneficiaram com este esforço do rei para fazer progredir a Engenharia portuguesa.
Em 1710, mais um centro de formação de engenheiros-militares, uma Aula Militar, como era chamado, foi reativada no Brasil.
Desta vez em Salvador.
Chamava-se, então, Aula de Fortificação e Artilharia.
Além disto, o celebrado José Fernandes Pinto Alpoim, que se tornaria um dos principais nomes da Arquitetura, do século XVIII, no Brasil, foi enviado para o Rio de Janeiro, com a missão de se tornar professor na Aula Militar daquela cidade.
Ele se manteria no cargo desde 1738 até 1765.
Naquele período, Alpoim fez, no Rio de Janeiro, entre outras obras importantes, a Residência dos Governadores, o Convento de Santa Teresa, a Casa do Bispo e os monumentais Arcos da Carioca.
Aquela admirável produção ajudou-o a passar da patente de Sargento-Mor para a de Brigadeiro.
Alpoim é considerado por Silva Telles como um dos engenheiros-militares mais destacados e atuantes no Brasil-Colônia, e, o mais famoso deles.
Não seria, portanto, Dom João V quem iria negar, em 1744, a um membro da Academia Real das Ciências de Paris, Charles-Marie de La Condamine, autorização para descer o Rio Amazonas.
A política de portas abertas praticadas pelo monarca – afirma Arthur Cézar Reis – revelava que os receios do passado tinham sido superados.
“Agora todos poderiam vir. Os estrangeiros eram bem recebidos”.
Condamine havia integrado um grupo de cientistas aos quais a França e a Espanha tinham confiado uma grave missão: nada menos que determinar a verdadeira figura da Terra.
Da comissão participavam outros dois membros da Academia Real das Ciências de Paris, os astrônomos Jean Godin des Odonais e Pierre Bouguer, além de astrônomos espanhóis.
Havia oito anos que este grupo de conceituados astrônomos trabalhava no cumprimento daquela missão.
Desde que, em 1736, obtivera autorização para começar a fazer as observações astronômicas e geométricas necessárias para a determinação do formato da Terra, em atendimento aos interesses da França e da Espanha.
Sobre estas observações, afirma Antônio Baena, num livro escrito em 1838 , o “Compêndio das Eras da Província do Pará”:
“Eram observações astronômicas e geométricas que julgam precisas para medir alguns graus do Meridiano junto ao Equador, dos quais, cotejados com os cálculos, em França, e na Lepônia, perto do Círculo Polar, esperam inferir a verdadeira figura e magnitude da Terra, ponto este sumamente útil para a Geografia e Navegação”.
Naqueles oito anos, os cientistas haviam passado por Cartágena das Índias, Portobelo, Panamá, Guayaquil e Quito.
Uma base de observações eles tinham montado, entre as cordilheiras de Pechincha, Guamani e Pambamamarca, na povoação de Yaruqui, a quatro léguas de Quito.
Ali, realizaram, diz Baena:
“A série trigonométrica das observações, que se praticaram com bastante delicadeza e prolixidade, a fim de ter os Quartos de Círculo em sossego”.
Os Quarto de Círculo, como é sabido, são uma parte fundamental da Geometria Circular, e, tem várias aplicações em diferentes áreas.
O esforço do grupo de pesquisadores, no entanto, aparentemente não teve completo êxito, pois, como mostra Baena, as dúvidas que a expedição científica devia dirimir ainda permaneceram por mais noventa anos, até quando, em 1838, ele escreveu seu livro.
Escreveu Baena:
“Não obstante o grande esmero e os máximos trabalhos de oito anos que duraram as operações, ainda hoje se não sabe ao certo qual seja a verdadeira figura da Terra.
Sobre as hipóteses que os cientistas chegaram a formular sobre o formato da Terra, ele acrescentou:
“Os antigos geômetras a supunham esférica, fundados na observação da forma circular da sombra do nosso planeta sobre o disco da Lua, nas ocasiões de eclipses, e na conformidade dos aumentos e diminuições da altura meridiana das Estrelas quando, partindo da mesma latitude se anda o mesmo caminho sobre diversos meridianos.
Newton a supõem uma elipsoide, abatida nos polos. Huyghens uma esferóide, também abatida nos polos. Bouguer e de Maupertuis dão diversa figura curvilínea aos meridianos terrestres, e D’ Alambert a supôs de figura diferente da esférica”.
A licença para percorrer a Amazônia portuguesa, Condamine recebeu de dom João V, num retorno dele à França.
Ao fazer uso dela, ele chegou a Belém, onde foi cercado de atenções.
“Hóspede das autoridades que tinham ordens expressas de Lisboa para que nada faltasse ao cientista francês”, revela Arthur Cézar Reis.
Mais tarde, Condamine publicou, nas Memórias da Academia Real das Ciências, da França, o que escreveu durante “a viagem filosófica, que fez navegando de Quito para o Amazonas, do qual viu a extensão até onde ele se abisma no amplo bojo do Oceano”, segundo Ladislau Baena.
Na Espanha, seus escritos também foram publicados, em dois volumes.
Nestes escritos de Condamine, de acordo com Baena, foram divulgadas:
“As observações astronômicas e geométricas, objeto principal da missão, o debuxo (o delineamento) das marés por onde (os cientistas) navegaram e das terras, por onde transitaram, com as suas particularidades dignas de atenção, como costumes, propriedades e natureza de seus habitantes, climas, intempéries, plantas e outras especulações curiosas de História Natural”.
Aquilo que Condamine escreveu sobre a Amazônia produziu, depois, dois tipos diferentes de reações.
Uma delas, a de supresa, relacionada com sua descrição de Belém, pois ele mostrou que o aspecto da cidade havia melhorado muito com a renda obtida pela região, naquele período, sobretudo, através da exportação do cacau,
Com aquela atividade as ordens religiosas, antes de serem expulsas do Gram-Pará, tinham aumentado seus rendimentos, empregando mão-de-obra indígena.
O envolvimento dos religiosos nesta ramo de atividades comerciais, por sinal, havia levado a Coroa Portuguesa a enviar ao Gram-Pará o desembargador Francisco Duarte dos Santos, como revela Dauril Alden, em “O Significado da Produção de Cacau na Região Amazônica no Fim do Período Colonial: um Ensaio de História Econômica Comparada”.
A missão do desembargador era investigar a procedência das queixas dos colonos portugueses, segundo as quais, as ordens religiosas estavam conseguindo extrair o produto em maior quantidade que todos os leigos juntos, ao privarem-nos de índios, na produção do cacau.
Depois de realizar seus levantamentos, o desembargador informou à Metrópole que a produção de cacau dos religiosos não era tão vasta quanto a alegada pelos colonos. Mas era considerável.
De qualquer modo, como admitiu o desembargador, era procedente a principal razão das queixas públicas contra os missionários.
Pois, de fato, os colonos portugueses não encontravam índios nas aldeias em quantidade suficiente “para equipar o grande número de canoas que enviam para colher o cacau”, escreveu Condamine.
Codamine menciona outros produtos do sertão comercializados pelo Gram-Pará.
Tais como, o cravo, a salsaparrilha, a baunilha, o açucar e o café.
Mas era o cacau, para ele, “a moeda corrente do país”, que constituía “a riqueza dos habitantes”.
O astrônomo francês acrescentou:
“O comércio direto do Pará com Lisboa, donde chega todos os anos um grande comboio, dá as gentes de recursos a facilidade de se proverem de todas as comodidades”.
Assim, para Condamine, Belém era “uma cidade grande”, onde ele ficara hospedado numa “casa cômodamente e ricamente mobiliada, com um grande jardim”.
Na cidade, havia, “ruas bem alinhadas, casas risonhas, a maior parte construída desde trinta anos em pedra e cascalho, igrejas magníficas”.
A menção ao tempo de construção das casas dava idéia das transformações, então, recentes na cidade, produzidas pela exportação do cacau.
Antônio Rocha Penteado, no livro em que também comenta a passagem de Condamine pela capital do Gram-Pará, “Belém – Estudo de Geografia Urbana” -, chama a atenção para a expressão “pedra e cascalho”, com a qual o francês designa os materiais que teriam sido usados nas casas levantadas.
A expressão se relacionava com a técnica de construção de “pedra e cal”.
A outra reação provocada pelos textos de Condamine sobre o Gram-Pará foi a de indignação.
Os livros do astrônomo sobre a região mostram que ele não se prendeu somente à busca de conhecimento científico, como o obrigava sua condição de pesquisador, nem tampouco correspondeu à confiança do Rei de Portugal.
Ao contrário, Condamine, na sua passagem pela Amazônia, “não esqueceu de servir politicamente ao seu país”, como afirma Arthur Cézar Reis, no seu livro sobre a cobiça internacional da Amazônia.
Naquela época, de infindáveis e difíceis discussões entre as potências imperiais sobre os limites das fronteiras de suas terras na América do Sul, ele usou o peso que tinha sua palavra, no quadro das ciências, para tentar beneficiar a França, diz Reis.
Fez isso, num momento em que a França estava em litígio com Portugal por causa dos limites entre a Guiana francesa e Amazônia lusa.
Condamine sustentou a inverdade de que o Rio Vicente Pinzón não era, como afirmavam os luso-brasileiros, o Rio Oiapoque, mas um braço do Rio Araguari.
O Oiapoque era um rio autônomo, 50 léguas acima do Vincente Pinzón, ele asseverou.
A mentira seria refutada mais tarde por um “homem de grande ilustração e energia”, o jesuíta Bento da Fonseca, informa Reis.
O religioso foi quem, no momento da expulsão dos jesuítas da Amazônia, atuou em Lisboa, junto às autoridades civis e eclesiásticas, como Procurador Geral das Missões do Maranhão e Pará.
Condamine o havia conhecido durante sua passagem por Belém.
(Ilustração: Condamine, no quadro de 1753, pintado por Maurice Quentin de La Tour)
The French Scientist Who Came to the Amazon to Study the Shape of the Earth
Since the beginning of the colonization of Brazil, Grão-Pará had been kept isolated by the authorities of the Portuguese Empire, as had the Amazon in general.
“Closed to the indiscreet and dangerous eyes of foreigners,” says Arthur Cézar Reis in the book A Amazônia e a Cobiça Internacional.
According to the author, this isolationist policy was not without its reasons.
For scientific expeditions attempting to penetrate the region “certainly would not come merely to serve the demands or interests of science,” Reis states.
On the contrary, within the then customary practice of espionage, they would surely come in service of the imperial political interests of their countries of origin.
It happened, however, that the king who ruled the Portuguese Empire, John V of Portugal, during his long reign of more than four decades, between 1706 and 1750, wished to open Portugal to the new ideas already circulating through other European countries.
These were ideas that accompanied the rise of the bourgeoisie and promoted the progress of science, shaking the old predominance of scholastic thought — the traditional doctrine of the Church — in the European courts.
During his reign, for example, both Engineering and related sciences such as Astronomy and Cartography received great encouragement.
A new urbanization policy was implemented in the colonies by the metropolis. It was no coincidence that the monarch became known as the Sun King of Portugal.
So many scholarships did he offer to Portuguese eager to study abroad that he was also given the epithet “the Magnanimous.”
These Portuguese, upon returning to their country, gained prominence in Politics, Medicine, Cartography, Engineering, and many other fields.
They came to be known as “the foreign-influenced scholars.”
An example of such a figure was Manuel de Azevedo Fortes, the influential Chief Engineer of the Kingdom, who had studied Mathematical and Experimental Sciences in Paris.
The king made clear the importance he attached to Military Engineering through several decrees, such as those of December 29, 1721, and December 24, 1732.
The first of these decrees established the requirement that every Infantry Regiment should contain one Company in which all officers were engineers.
The second expanded the number of Military Academies, where disciplines typical of builders’ schools were taught, such as Fortifications, Topography, and Cartographic Surveying, together with subjects linked exclusively to military defense, such as Strategy and Tactics.
Such academies had previously existed only in Lisbon and Viana. With the decree, they were also founded in Elvas and Almeida.
The colonies likewise benefited from this royal effort to advance Portuguese engineering.
In 1710, yet another training center for military engineers — a Military Class, as it was then called — was reactivated in Brazil.
This time, in Salvador.
It was known as the School of Fortification and Artillery.
Moreover, the celebrated José Fernandes Pinto Alpoim, who would become one of the foremost names in eighteenth-century Brazilian architecture, was sent to Rio de Janeiro with the mission of becoming a professor at that city’s Military Academy.
He would remain in the position from 1738 until 1765.
During that period, Alpoim designed in Rio de Janeiro, among other important works, the Governors’ Residence, the Convent of Santa Teresa, the Bishop’s House, and the monumental Arcos da Carioca.
This admirable body of work helped him rise from the rank of Sergeant Major to that of Brigadier.
Alpoim is considered by Silva Telles one of the most distinguished and active military engineers in Colonial Brazil, and the most famous among them.
It would not, therefore, be Dom João V who, in 1744, would deny a member of the Royal Academy of Sciences of Paris, Charles-Marie de La Condamine, permission to descend the Amazon River.
The open-door policy practiced by the monarch — Arthur Cézar Reis states — revealed that the fears of the past had been overcome.
“Now everyone could come. Foreigners were well received.”
Condamine had been part of a group of scientists to whom France and Spain had entrusted a grave mission: nothing less than determining the true shape of the Earth.
The commission also included two other members of the Royal Academy of Sciences of Paris, the astronomers Jean Godin des Odonais and Pierre Bouguer, in addition to Spanish astronomers.
For eight years this group of renowned astronomers had been engaged in carrying out that mission.
Since 1736, when they had obtained authorization to begin the astronomical and geometrical observations necessary for determining the Earth’s shape, in fulfillment of the interests of France and Spain.
Regarding these observations, Antônio Baena wrote in his 1838 book Compêndio das Eras da Província do Pará:
“They were astronomical and geometrical observations considered necessary to measure certain degrees of the Meridian near the Equator, from which, compared with calculations made in France and Lapland, near the Polar Circle, they hoped to infer the true figure and magnitude of the Earth — a matter of the utmost usefulness for Geography and Navigation.”
During those eight years, the scientists had passed through Cartagena de Indias, Portobelo, Panama, Guayaquil, and Quito.
They established an observation base between the mountain ranges of Pichincha, Guamani, and Pambamarca, in the settlement of Yaruqui, four leagues from Quito.
There, says Baena:
“They carried out the trigonometric series of observations, practiced with great delicacy and thoroughness, in order to keep the Quadrants at rest.”
Quadrants, as is known, are a fundamental component of Circular Geometry and have applications in many different fields.
The effort of the research group, however, apparently did not achieve complete success, for, as Baena shows, the doubts the scientific expedition was meant to settle remained unresolved for another ninety years, until 1838, when he wrote his book.
Baena wrote:
“Despite the great care and the utmost labors of the eight years during which the operations lasted, even today it is still not known with certainty what the true figure of the Earth may be.”
On the hypotheses scientists had formulated regarding the Earth’s shape, he added:
“The ancient geometers supposed it spherical, based on the observation of the circular form of our planet’s shadow upon the disk of the Moon during eclipses, and on the conformity of the increases and decreases in the meridian height of the stars when, departing from the same latitude, one travels the same distance along different meridians.
Newton supposed it an ellipsoid flattened at the poles. Huyghens, a spheroid likewise flattened at the poles. Bouguer and de Maupertuis assigned different curvilinear figures to the terrestrial meridians, and D’Alembert supposed it of a figure different from the spherical.”
Condamine received from Dom João V permission to travel through Portuguese Amazonia on his return journey to France.
Making use of it, he arrived in Belém, where he was surrounded with attentions.
“A guest of the authorities, who had express orders from Lisbon that nothing should be lacking for the French scientist,” reveals Arthur Cézar Reis.
Later, Condamine published in the Memoirs of the Royal Academy of Sciences of France what he had written during “the philosophical voyage he made navigating from Quito to the Amazon, whose extension he observed until it plunges into the vast bosom of the Ocean,” according to Ladislau Baena.
In Spain, his writings were also published in two volumes.
In these writings, according to Baena, there appeared:
“The astronomical and geometrical observations, the principal object of the mission, the sketches of the tides through which the scientists navigated and of the lands through which they traveled, together with their noteworthy particularities, such as the customs, properties, and nature of their inhabitants, climates, storms, plants, and other curious speculations of Natural History.”
What Condamine wrote about the Amazon later produced two different types of reaction.
One was surprise, related to his description of Belém, for he showed that the appearance of the city had greatly improved due to the wealth obtained by the region during that period, above all through the exportation of cacao.
Through this activity, the religious orders — before being expelled from Grão-Pará — had increased their revenues by employing Indigenous labor.
The involvement of the religious orders in this branch of commercial activity had, incidentally, led the Portuguese Crown to send the magistrate Francisco Duarte dos Santos to Grão-Pará, as revealed by Dauril Alden in The Significance of Cacao Production in the Amazon Region at the End of the Colonial Period: An Essay in Comparative Economic History.
The magistrate’s mission was to investigate the validity of the Portuguese colonists’ complaints that the religious orders were managing to extract greater quantities of cacao than all laymen combined by depriving them of Indigenous workers in cacao production.
After conducting his inquiries, the magistrate informed the metropolis that the cacao production of the religious orders was not as vast as the colonists claimed. But it was considerable.
In any case, as the magistrate admitted, the principal reason behind the public complaints against the missionaries was justified.
For indeed, the Portuguese colonists could not find enough Indigenous people in the villages “to equip the great number of canoes they send to gather cacao,” Condamine wrote.
Condamine also mentions other products from the hinterland traded through Grão-Pará.
Such as cloves, sarsaparilla, vanilla, sugar, and coffee.
But cacao was, for him, “the country’s current currency,” constituting “the wealth of its inhabitants.”
The French astronomer added:
“The direct commerce of Pará with Lisbon, from which every year a great convoy arrives, gives people of means the facility to provide themselves with all comforts.”
Thus, for Condamine, Belém was “a large city,” where he stayed in “a comfortably and richly furnished house with a large garden.”
In the city there were “well-aligned streets, cheerful houses, most of them built within the last thirty years in stone and gravel, magnificent churches.”
The mention of the construction period of the houses gave an idea of the then recent transformations in the city produced by cacao exports.
Antônio Rocha Penteado, in the book Belém – Estudo de Geografia Urbana, in which he also comments on Condamine’s passage through the capital of Grão-Pará, draws attention to the expression “stone and gravel,” used by the Frenchman to designate the materials supposedly employed in the houses that had been erected.
The expression was related to the construction technique known as “stone and lime.”
The other reaction provoked by Condamine’s texts about Grão-Pará was indignation.
The astronomer’s books about the region show that he did not limit himself solely to the pursuit of scientific knowledge, as his condition as a researcher required, nor did he correspond to the trust placed in him by the King of Portugal.
On the contrary, during his passage through the Amazon, Condamine “did not forget to serve his country politically,” as Arthur Cézar Reis states in his book about the international covetousness surrounding the Amazon.
At that time, amid endless and difficult discussions among the imperial powers over the limits of their territories in South America, he used the weight his word carried within the sciences in an attempt to benefit France, Reis says.
He did this at a moment when France was in dispute with Portugal over the borders between French Guiana and Portuguese Amazonia.
Condamine sustained the falsehood that the Vicente Pinzón River was not, as the Luso-Brazilians claimed, the Oiapoque River, but rather a branch of the Araguari River.
The Oiapoque, he asserted, was an autonomous river fifty leagues above the Vicente Pinzón.
The falsehood would later be refuted by “a man of great learning and vigor,” the Jesuit Bento da Fonseca, reports Reis.
It was this clergyman who, at the time of the expulsion of the Jesuits from the Amazon, acted in Lisbon before the civil and ecclesiastical authorities as General Procurator of the Missions of Maranhão and Pará.
Condamine had met him during his stay in Belém.
(Illustration: Condamine, in the 1753 portrait painted by Maurice Quentin de La Tour.)















