O encerramento melancólico da CPMI do INSS representa mais do que uma vitória regimental do Palácio do Planalto; é um recado claro sobre a força da blindagem política no Congresso.
Estratégia
A rejeição do relatório do deputado Alfredo Gaspar (União-AL) por 19 votos a 12 — fruto de uma operação cirúrgica que uniu a base governista e o Centrão — jogou no arquivo a proposta de indiciamento de 216 pessoas. Deputados e senadores sem expressão não resistiram aos prêmios prometidos pelo governo: liberação de emendas, nomeações de apaniguados em órgãos federais em seus Estados, e danem-se os aposentados. É o jogo bruto da política suja de DCE universitário.
Ação do governo: vácuo institucional
Na prática, o vácuo institucional deixado pela falta de um documento final paralisa as investigações sobre um rombo estimado em quase R$ 7 bilhões, muito maior se fosse investigado os empréstimos consignados.
País continua refém de quadrilhas
Sem os encaminhamentos formais ao Ministério Público e à Polícia Federal, quem paga a conta da impunidade, mais uma vez, é o aposentado, que segue sem garantias de restituição e refém de um sistema vulnerável a fraudes. A oposição, isolada, viu o rolo compressor governista proteger aliados e assessores ligados ao esquema.
PT e Centrão unidos pela impunidade
A CPMI do INSS encerrou seus trabalhos após rejeitar, por 19 votos a 12, o relatório do deputado Alfredo Gaspar, que propunha o indiciamento de 216 pessoas, em uma sessão marcada por forte articulação da base governista e do Centrão, tensão regimental e debates prolongados. Os aposentados lesados, sabe-se, devido a idade, não são obrigados a votar, mas, se o fizerem, terão no bolso a seguinte lista:
📌 Deputados que votaram CONTRA o relatório de Alfredo Gaspar
(votos contrários que formaram a maioria para rejeitar o parecer)
Soraya Thronicke (Podemos-MS) Randolfe Rodrigues (PT-AP) Jaques Wagner (PT-BA) Eliziane Gama (PSD-MA) Humberto Costa (PT-PE) Jussara Lima (PSD-GO) Rogério Carvalho (PT-SE) Augusta Brito (PT-CE) Teresa Leitão (PT-PE) Meire Serafim (União-AC) Átila Lira (PP-PI) Orlando Silva (PCdoB-SP) Rogério Correia (PT-MG) Ricardo Ayres (Republicanos-TO) Alencar Santana (PT-SP) Paulo Pimenta (PT-RS) Lindbergh Farias (PT-RJ) Neto Carletto (Avante-BA) Dorinaldo Malafaia (PDT-AP)
🟥 Resumo: a maioria governista somou-se ao Centrão e impôs a derrota — um movimento organizado e coeso.
📌 Deputados que votaram A FAVOR do relatório Alfredo Gaspar
(votos favoráveis ao indiciamento de 216 pessoas e aprovação do parecer)
Magno Malta (PL-ES) Marcio Bittar (PL-AC) Izalci Lucas (PL-DF) Eduardo Girão (Novo-CE) Rogério Marinho (PL-RN) Damares Alves (Republicanos-DF) Coronel Fernanda (PL-MT) Coronel Chrisóstomo (PL-RO) Marcel Van Hattem (Novo-RS) Alfredo Gaspar (PL-AL) Adriana Ventura (Novo-SP)
🟦 Resumo: todos os votos favoráveis, exceto o do relator, vieram de partidos oposicionistas (PL e NOVO).
Impacto da divisão política
A composição dos votos revela uma articulação governista eficiente — uniu base e Centrão.
A oposição ficou isolada com 12 votos.
Sem maioria para aprovar nem o relatório alternativo, a CPMI se encerrou sem documento final.
📌 Impacto da votação no INSS (efeitos imediatos e estruturais)
A rejeição do relatório Alfredo Gaspar na última sessão da CPMI do INSS produziu três efeitos centrais:
1️⃣ Encerramento da CPMI sem relatório final – A comissão terminou sem nenhuma conclusão oficial, o que gera: ausência de recomendações formais ao Ministério Público, CGU e Polícia Federal; paralisação do esforço institucional de fiscalização das fraudes previdenciárias; perda de 7 meses de trabalho investigativo sem consolidação jurídica. Isso representa um vácuo institucional justamente no momento em que R$ 2,82 bilhões em fraudes, ações suspeitas e reembolsos são tema urgente para aposentados e pensionistas.
2️⃣ Fortalecimento político do governo dentro da CPMI – A base governista mobilizou seus votos e o Centrão para rejeitar o texto, preservando:
aliados citados; assessores próximos ao Planalto; integrantes do alto escalão vinculados ao esquema investigado. O resultado consolidou o controle político do Executivo sobre comissões mistas no Congresso.
3️⃣ Consequências práticas para o INSS – A votação tem forte impacto operacional:
🔹 a) Menor pressão institucional para investigar fraudes Sem relatoria aprovada, as denúncias levantadas não seguem automaticamente para órgãos de investigação.
🔹 b) Mantém vulnerabilidades estruturais – A CPMI identificou falhas graves, mas a falta de relatório impede:
☞ recomendações de aperfeiçoamento de sistemas; ações contra empresas ligadas a golpes; responsabilização administrativa.
🔹 c) Atinge diretamente aposentados com restituições pendentes.
O relatório rejeitado detalhava práticas fraudulentas que levaram ao rombo de bilhões e ao atraso nas restituições marcadas para 20 de março de 2026. A ausência de encaminhamentos legislativos atrasa reparações e reduz a transparência.
📌 A votação que derrubou o relatório Gaspar:
☞ blindou o governo politicamente, desmobilizou investigações sensíveis, impediu resposta institucional ao rombo previdenciário, prejudicou aposentados, que seguem sem clareza sobre os mecanismos de fraude.
Helder Barbalho e a guerra pela segunda vaga no Pará
Se em Brasília o cenário é de articulações de bastidor, no Pará o xadrez para o Senado em 2026 já é jogado à luz do dia. Levantamento do Paraná Pesquisas confirma o que os atores políticos locais já sentiam: o governador Helder Barbalho (MDB) navega em céu de brigadeiro, consolidando entre 49,4% e 50,1% das intenções de voto e garantindo, virtualmente, a primeira das duas vagas em disputa.
Campo de batalha
O verdadeiro campo de batalha está na segunda cadeira. O senador Zequinha Marinho (Podemos) e o ministro Celso Sabino (sem partido) travam um empate técnico acirrado (29,6% a 28%, respectivamente). Com a pulverização dos votos entre outros nomes fortes, como Joaquim Passarinho (PL) e Chicão (MDB), a definição dessa segunda vaga dependerá umbilicalmente das alianças partidárias e da bênção de Lula Planalto (PT) e de Flávio Bolsonaro (PL).
O avanço do Podemos e o relógio da janela partidária
Faltando poucos dias para o fechamento da janela partidária, em 3 de abril, o Podemos demonstra apetite voraz. Sob a batuta da deputada Renata Abreu (SP), a sigla filiou lideranças estratégicas, com destaque para a ofensiva no Pará, apadrinhada por Zequinha Marinho. A chegada do prefeito de Ananindeua, Dr. Daniel, e de parlamentares como Olival Marques (ex-MDB) e do ex-deputado federal Vavá Martins (ex-Republicanos) encorpa o partido para 2026.
Janela partidária desidrata MDB no Pará e consolida avanço estratégico do Podemos
O movimento impõe um revés direto ao MDB, que perderá dois deputados federais. Os holofotes agora se voltam para a Dra. Alessandra Haber, deputada federal mais votada do Pará em 2022 e esposa de Dr. Daniel: seu destino partidário, a ser definido até o apagar das luzes da janela, pode reconfigurar ainda mais as forças na Câmara. Vale lembrar que o dia 4 de abril é a data fatal para qualquer novo candidato regularizar sua filiação visando o pleito.
Val-André Mutran é repórter especial para o Portal Ver-o-Fato e está sediado em Brasília.
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