O Banco Central decretou nesta quarta-feira (18) a liquidação extrajudicial do Banco Pleno e da Pleno DTVM (corretora de valores e títulos). As duas instituições fizeram parte do grupo Banco Master e foram vendidas no segundo semestre do ano passado ao empresário Augusto Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro.
Rombo ocasionado por Daniel Vorcaro virou poço sem fundo
A instituição e sua distribuidora agora liquidadas somavam 0,04% dos ativos do sistema financeiro, cerca de R$ 7,2 bilhões, somando-se ao bilionário rombo do Fundo Garantidor de Crédito, que já supera R$ 41 bilhões com o golpe de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.
Alertas
A liquidação extrajudicial, segundo o Banco Central, foi motivada pelo comprometimento da situação econômico-financeira da instituição, com deterioração da situação de liquidez, bem como por infringência às normas que disciplinam a sua atividade e inobservância das determinações, segundo o órgão regulador. Em vão, o BC já vinha acompanhando a situação do banco e mandou cartas à instituição sobre as necessidades que fazer aportes para melhorar as condições de liquidez.
Herança maldita
O Banco Pleno herdou cerca de R$ 6 bilhões de CDBs do Master e tentava construir uma carteira de crédito. Porém, não conseguiu fazer uma frente de captação de recursos e nem vender ativos em quantidade suficiente.
Clientes aguardam orientações
As condições e os prazos do processo de liquidação, assim como eventuais orientações a clientes e credores, costumam ser detalhados em atos subsequentes do Banco Central e do liquidante nomeado. Até o momento, não foram divulgadas informações adicionais sobre impactos operacionais para correntistas e investidores das duas casas.
Clientes
Para clientes e credores do Banco Pleno e da Pleno DTVM, é aconselhável acompanhar os comunicados oficiais do Banco Central e do liquidante nomeado, que trarão orientações sobre procedimentos, prazos e canais de atendimento. É necessário reunir contratos, extratos e comprovantes de aplicação para eventual habilitação de crédito no processo de liquidação.
Ressarcimento
Com a liquidação do BC, o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) foi acionado para ressarcir investidores em produtos cobertos, como CDBs, LCIs e LCAs, até o limite de R$ 250 mil por CPF e por instituição, respeitado o teto global de R$ 1 milhão. O caso Master resultou no maior acionamento da história do fundo, com cerca de R$ 41 bilhões reservados para pagamentos. Com a nova liquidação o valor deve subir para R$ 47 bilhões, calculam agentes do setor financeiro.
Veto parcial de Lula à farra de aumentos
Antes de embarcar para mais duas viagens internacionais (Índia e Coreia do Sul) neste final de semana, o presidente Lula vetou parcialmente a farra de aumento na Câmara dos Deputados, Senado e TCU e se alinha a decisão do STF, tomada pelo ministro Flávio Dino.
Bastidores
Ao discutir internamente o veto à criação de despesas obrigatórias de caráter permanente no fim do mandato, auxiliares alertaram Lula que, apoiar aumentos contraria a percepção da opinião pública em ano eleitoral, no qual ele busca a reeleição. A regra fiscal veda a aprovação de despesas que não possam ser integralmente cumpridas dentro do próprio mandato.
Penduricalhos barrados
O veto também aproxima o governo da posição já manifestada pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, que determinou a suspensão de “penduricalhos” pagos a servidores dos Três Poderes (Executivo, Legislativo e Judiciário). O objetivo é conter o avanço de despesas com pessoal fora dos parâmetros estabelecidos e reforçar a disciplina fiscal.
Val-André Mutran é repórter especial para o Portal Ver-o-Fato e está sediado em Brasília.
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