Os meninos do Papão mostraram-se aguerridos, dominaram o primeiro tempo, marcaram dois gols, seguraram o placar na segunda etapa e venceram os medalhões do Remo no primeiro jogo da decisão do Parazão 2026, no RE-PA 782. No fim, o bicolor saiu aplaudido e ovacionado de campo por sua fiel torcida. O Leão praticamente não entrou em campo na primeira etapa: foi um mero espectador, vendo o rival ser superior e construir o resultado.
Na volta do intervalo, o Remo apresentou outra postura. Passou a ter mais posse de bola, pressionou os bicolores e tentou encurralar o adversário, mas era pouco efetivo e demonstrava dificuldades para criar no ataque. Até que surgiu o pênalti a favor dos azulinos: o Leão diminuiu o placar e, a partir daí, o jogo virou ataque contra defesa. O Remo tentou de todas as formas, mas não conseguiu o empate. No fim, um resultado muito bom a favor do Lobo.
Pela terceira vez consecutiva, os dois gigantes do futebol do Norte voltaram a medir forças na decisão do Campeonato Paraense. De um lado, o Clube do Remo, invicto até aqui, embalado pela confiança de quem atravessou o estadual sem conhecer a derrota. Do outro, o Paysandu Sport Club, dono da melhor campanha, sustentado por números que traduzem regularidade e força ao longo da competição.
O Leão Azul sonha com o bicampeonato e com a histórica 49ª taça. Já o Papão da Curuzu, maior vencedor do torneio, persegue o 51º título para reafirmar sua hegemonia. As equipes entraram em campo neste domingo, às 17h, no Estádio Olímpico do Pará, o Mangueirão, em Belém. Mais um capítulo do clássico que move paixões e divide o Pará ao meio.
O Paysandu começou pressionando o Remo desde os primeiros momentos. Já o Leão, chegou para o clássico dormindo e assistia, acuado diante da intensidade e da fome do maior adversário.
Bolas na rede
Depois de dois avisos que quase abriram o marcador, o terceiro golpe foi fatal. Aos 6 minutos, após recuperar a bola no meio-campo, o Papão armou o bote: Marcinho levantou a cabeça e encontrou Caio Mello na intermediária. O meia bicolor dominou e soltou um balaço, seco, no canto. Marcelo Rangel ainda se esticou inteiro, mas não alcançou. A rede azulina balançou cedo no Mangueirão. Golaço do Lobo. 1 a 0.
Com a vantagem no placar, o Paysandu recuou as linhas, fechou os espaços e passou a esperar o momento exato para ferir no contra-ataque. O Remo, dono da posse, rodava a bola sem objetividade e pouco ameaçava, mal conseguia finalizar a gol. Gabriel Mesquita, seguro sob as traves bicolores, era praticamente um espectador privilegiado do clássico.
Até que a única equipe que entrou em campo foi coroada novamente. Aos 32 minutos, Thayllon avançou pela direita, ergueu a cabeça e cruzou na medida para a área. Marcinho apareceu como elemento surpresa e mandou firme para o fundo da rede. Era o segundo do Papão: 2 a 0. O Leão estava assustado na partida.
Depois do segundo gol o jogo ficou nervoso e faltoso, com muitas reclamações de ambos os lados. Mas com a bola no pé nada mudou, o Paysandu continuou sendo o dono do jogo e o Remo continuou lutando e não conseguindo ferir o rival. Ao apito final da primeira etapa, confirmou-se o panorama: vitória parcial do Papão, 2 a 0.
Mudanças e pressão
O segundo tempo começou com o Remo sendo o dono da bola, mas sem saber o que fazer com ela. Faltava a faísca, o passe vertical, o rasgo inesperado. Do outro lado, o Paysandu vestia o figurino da final: linhas baixas, compactas, coração frio e mente afiada. Esperava o erro como quem arma uma armadilha silenciosa. Quando a chance aparecia, mordia a saída azulina sem piedade e acelerava em contra-ataques venenosos.
Com o placar a seu favor, o Papão jogava com a inteligência de quem sabe sofrer. Defendia-se com disciplina, fechava os corredores e deixava o relógio correr como aliado fiel. Era um futebol pragmático, seguro, de final de campeonato — menos vistoso, talvez, mas absolutamente consciente do que precisava fazer para sair com a vitória.
Mas, aos 29 minutos, a sorte do Remo mudou. Em contra-ataque, Alef Manga foi lançado, entrou na área, cortou o zagueiro e chutou. A bola bateu no braço do defensor bicolor, e o árbitro marcou pênalti. Na cobrança, João Pedro bateu e não desperdiçou. Gabriel Mesquita ainda triscou na bola, mas não teve jeito: o Leão diminuiu, 1 a 2.
Depois de sofrer o gol que diminuiu o placar, o técnico Junior Rocha fez as alterações e oxigenou o ataque do Papão, que começou a ficar mais perigoso. Mas o jogo era do Remo, que desesperado se jogava ao ataque em busca do ataque. Já o Paysandu praticamente só se defendia e com raros contra-ataques. Esta cenário foi até o fim do jogo. No fim o placar registrou o que foi o derby: 2 a 1. Vitória merecida.
RAIO X DA PARTIDA
Local: Estádio Olímpico do Pará – Mangueirão
Gols: Caio Melo e Marcinho, no primeiro tempo (Paysandu); João Pedro, na segunda etapa (Remo)
Remo: Marcelo Rangel; João Lucas, Marllon, Léo Andrade (Marcelinho), Zé Ricardo(Thalisson) e Patrick de Paula(Catarozzi); Vitor Bueno, Pikachu (Picco), Diego Hernandez (Nicolas Ferreira), Alef Manga e João Pedro. Técnico: Juan Carlos Osório
Paysandu: Gabriel Mesquita; Edilson, Castro, Lucca (Iarley), Bonifazi; Pedro Henrique, Caio Melo (Henrico) e Marcinho; Thayllon (Thalysson), Kleiton Pego (Hinkel) e Ítalo( Danilo Peu). Técnico: Júnior Rocha
Árbitro: Ramon Abatti Abel (SC)
Árbitro assistente 1: Bruno Boschilla (PR)
Árbitro assistente 2: Fábio Pereira (TO)
Quarto árbitro: Dewson Freitas (PA)
VAR: Gilberto Castro Júnior (PE)
MELHORES MOMENTOS E GOLS:














