O Ministério Público do Paraná (MP-PR) identificou indícios de crime de omissão de socorro no caso do jovem Roberto Farias Tomaz, de 19 anos, que ficou cinco dias desaparecido após se perder durante a trilha de retorno do Pico Paraná, nos primeiros dias do ano. O entendimento do órgão diverge da conclusão da Polícia Civil do Paraná (PC-PR), que decidiu pelo arquivamento do inquérito por não identificar infração penal.
A manifestação do MP foi apresentada pela 2ª Promotoria de Justiça de Campina Grande do Sul, na Região Metropolitana de Curitiba, e aponta que a jovem Thayane Smith, que acompanhava Roberto na trilha, teria deixado o rapaz para trás mesmo após perceber que ele estava em situação de risco.
Segundo o Ministério Público, a conduta configura omissão de socorro com dolo, já que Thayane teria ciência do estado debilitado de Roberto — que apresentou vômitos, dificuldade de locomoção e enfrentava condições adversas como frio, chuva, neblina e alto grau de dificuldade da trilha.
“Mesmo após constatar a vulnerabilidade da vítima e os riscos que ele corria, a jovem permaneceu sem intenção de auxiliar nas buscas, demonstrando interesse apenas em seu próprio bem-estar físico”, afirma o MP-PR.
Ainda conforme o órgão, mesmo após alertas feitos por outros montanhistas sobre a gravidade da situação, a investigada optou reiteradas vezes por deixá-lo à própria sorte.
MP propõe acordo com pagamento de indenização e serviços comunitários
Diante dos fatos, a Promotoria solicitou o envio do caso ao Juizado Especial Criminal e propôs uma transação penal. Pela proposta, Thayane deverá cumprir as seguintes medidas:
- Pagamento de três salários mínimos (R$ 4.863) a Roberto, por danos materiais e morais;
- Pagamento de R$ 8.105 ao Corpo de Bombeiros de Campina Grande do Sul, que atuou nas buscas;
- Prestação de serviços comunitários por três meses, com carga de cinco horas semanais, junto ao Corpo de Bombeiros.
Procurada, a advogada Kellen Larissa, que representava Thayane no Paraná, informou que deixou a defesa da jovem no dia 9 de janeiro. Já a defesa no Amazonas declarou que ainda não teve acesso aos autos e irá se manifestar após analisar o processo.
Polícia Civil arquivou investigação
A Polícia Civil havia iniciado a investigação no dia 3 de janeiro, após a família registrar um boletim de ocorrência. O delegado Glaison Lima Rodrigues ouviu a jovem que acompanhava Roberto, outros montanhistas e familiares.
Segundo a PC-PR, as apurações indicaram que Roberto teria passado mal apenas na subida, estando aparentemente bem durante a descida. Para a polícia, ele teria se separado do grupo e pegado uma trilha errada, o que levou ao desaparecimento, sem caracterizar crime ou omissão de socorro.
Entenda o caso
Roberto iniciou a trilha do Pico Paraná no dia 31 de dezembro, acompanhado de uma amiga, com o objetivo de assistir ao primeiro nascer do sol de 2026 no ponto mais alto da Região Sul do Brasil. Após alcançarem o cume, a descida começou por volta das 6h30 do dia 1º de janeiro, junto a outro grupo.
Em determinado ponto da trilha, antes do acampamento, Roberto se separou do grupo e não foi mais visto. As buscas começaram ainda no mesmo dia e mobilizaram bombeiros, voluntários, drones, câmeras térmicas e equipes especializadas em resgate em montanha.
Após caminhar cerca de 20 quilômetros, seguindo o rio Cacatu, Roberto conseguiu chegar a uma fazenda em Antonina, no dia 5 de janeiro, onde pediu ajuda e entrou em contato com a família. Ele foi levado ao hospital, passou por exames, recebeu alta no dia seguinte e voltou para casa, onde foi recebido com uma festa surpresa. Com informações de G1















