O ex-prefeito de Campo Grande, Alcides Bernal, morreu na madrugada desta segunda-feira (13), aos 60 anos, na Santa Casa de Campo Grande. A causa da morte não foi divulgada até o momento. Bernal estava preso preventivamente no Presídio Militar desde o dia 24 de março, acusado de matar o servidor público Roberto Carlos Mazzini durante uma disputa pela posse de um imóvel.
A defesa alegava que o ex-prefeito enfrentava graves problemas cardíacos e vinha solicitando à Justiça a concessão de prisão domiciliar por questões humanitárias. No entanto, os pedidos foram negados.
Internações e problemas cardíacos
Bernal havia sido internado pela primeira vez no dia 30 de junho, após passar mal no Presídio Militar. Na ocasião, ele foi submetido a um procedimento cardíaco. Conforme a defesa, exames identificaram uma série de lesões no coração.
Após receber alta hospitalar, o ex-prefeito retornou ao presídio.
Neste fim de semana, Bernal voltou a passar mal e precisou ser levado novamente para a Santa Casa. A nova internação ocorreu um dia depois de a Justiça negar mais um pedido de prisão domiciliar.
O advogado de defesa Ricardo Machado informou que Bernal desmaiou dentro do Presídio Militar. Ao chegar ao hospital, ele foi encaminhado para a Unidade de Terapia Intensiva (UTI) em razão do estado de saúde.
A defesa também detalhou os procedimentos médicos aos quais o ex-prefeito foi submetido.
“Ele começou com cateterismo, mas depois foi submetido a uma angioplastia coronariana. E dessa angioplastia, ele foi submetido depois a outra angioplastia, quando foi colocado os stents nele”, disse a defesa.
Pedidos de prisão domiciliar
Segundo a defesa, diversos pedidos de prisão domiciliar foram apresentados em razão do quadro clínico de Bernal, que já enfrentava problemas cardíacos antes mesmo da cirurgia realizada no fim de junho.
De acordo com o advogado, o ex-prefeito era considerado um paciente cardíaco de alto risco.
Ainda conforme a defesa, um ofício do próprio Presídio Militar informava que a unidade não possuía condições adequadas para mantê-lo preso diante do estado de saúde.
“Houve uma alerta da defesa ao Poder Judiciário desde o início do processo de que ele possuía doença grave, foi alertado essa semana que ele não poderia retornar ao presídio, fizemos um pedido de domiciliar, fizemos um pedido adendo, de uma questão temporária de ele retornar para casa, isso não aconteceu. Ficou com certeza um sentimento de frustração”, afirmou.
Antes de morrer, Bernal teve três pedidos da defesa negados, sendo o último um pedido de prisão humanitária.
Acusação de assassinato

Segundo as investigações, Roberto Carlos Mazzini e um chaveiro estavam em uma residência localizada na Rua Antônio Maria Coelho quando foram surpreendidos por Alcides Bernal.
O imóvel havia pertencido ao ex-prefeito, mas foi levado a leilão judicial e arrematado por Roberto Carlos Mazzini.
Bernal era acusado de atirar duas vezes contra o servidor público e fugir sem prestar socorro. Horas depois, ele se apresentou à polícia e permaneceu preso no Presídio Militar de Campo Grande.
No dia 30 de junho, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) negou o habeas corpus que solicitava a liberdade do ex-prefeito. A decisão foi tomada menos de uma semana após o Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS) determinar que Bernal fosse submetido a julgamento pelo Tribunal do Júri.
Velório e sepultamento
O velório de Alcides Bernal será realizado no Cemitério Jardim das Palmeiras a partir das 11h desta segunda-feira (13).
O sepultamento está previsto para as 16h, no mesmo local.















