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Home Cultura

“Miserável!”, “Desgraçado!”, “Cão!”, “Monstro!”: as agressões na construção do Teatro da Paz

Oswaldo Coimbra por Oswaldo Coimbra
24/04/2026
in Cultura
“Miserável!”, “Desgraçado!”, “Cão!”, “Monstro!”: as agressões na construção do Teatro da Paz

Ilustração: Teatro da Paz, em construção, no ano de 1867, por Joseph Leone Righini

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*Oswaldo Coimbra é escritor e jornalista

O autor do projeto original do Teatro da Paz, José Tibúrcio Pereira de Magalhães, é duplamente maltratado, como figura importante da História das Construções de Belém.

Em primeiro lugar porque embora esteja ligado a uma das obras arquitetônicas de que os paraenses mais se orgulham José Tibúrcio permanece quase completamente desconhecido em nosso Estado.

Em segundo lugar porque, quando é lembrado, aparece sempre de modo desfavorável, como o criador de uma espécie de monstrengo, “um caixotão”, que outros construtores teriam tido a obrigação de consertar.

Dele mesmo, há uma única manifestação sobre seu projeto para o teatro.

Um texto escrito sob muito constrangimento, guardado no Arquivo Público do Estado do Pará.

Tibúrcio, natural de Recife, tinha 38 anos quando veio a Belém.

Em Recife, de modo algum ele foi tratado como em Belém.

No site oficial da Assembléia Legislativa de Pernambuco ele aparece como um major do Corpo de Engenheiros do Império Brasileiro, bacharel em Ciências Físicas e Matemáticas.

A Tibúrcio, revela o site, coube projetar, em 1870, o belíssimo palácio que serviria, no futuro, como sede do Poder Legislativo Estadual.

No ano anterior, 1869, outra tarefa honrosa lhe tinha sido confiada.

A de conduzir as obras de reconstrução do Teatro de Santa Isabel, destruído por um incêndio.

Uma tarefa que ele teria que desempenhar seguindo as recomendações feitas pelo arquiteto francês Louis Léger Vauthier, autor do projeto do teatro, que, àquela altura, vivia em Paris.

A manifestação escrita de Tibúrcio guardada pelo Arquivo Público, por coincidência, foi produzida no mesmo ano em que ele dirigiu a reconstrução do teatro de Recife.

É um texto, elaborado no dia 15 de março de 1869, em obediência a uma ordem do presidente da província do Pará, José Bento da Cunha Figueiredo, a autoridade que havia contratado Tibúrcio para projetar o Teatro da Paz.

Três dias antes, José Bento havia recebido a ata de uma reunião dos engenheiros da Repartição de Obras Públicas do Pará, na qual eles tinham apontado nada menos que supostos doze defeitos no projeto do pernambucano.

Obviamente, a obrigação de se manifestar de maneira formal sobre aquela ata se constituiu numa clara humilhação imposta a Tibúrcio.

Antes, ele já tinha enfrentado o constragimento de, naquela reunião de engenheiros, responder pessoalmente sobre seu trabalho.

Os engenheiros da repartição pública eram os orgulhosos profissionais, todos formados no Rio de Janeiro ou na Europa.

Tinham como diretor o brilhante José Coelho da Gama e Abreu, responsável pela construção do Palácio Antônio Lemos.

Aparentemente o fato de o presidente da Província não ter confiado a eles a construção do Teatro da Paz gerou ciumes e ressentimentos contra Tibúrcio.

Porque, naquela reunião, se tornou evidente a intenção deles de desqualificar o projeto de Tibúrcio.    

No entanto, todas as objeções que eles fizeram a seu trabalho, Tibúrcio ouviu sem reagir com arrogância.

Depois que ele se retirou, a repartição pública oficializou sua posição.

Na ata enviada ao presidente da província consta o que foi decidido, na reunião.

A elaboração de um ofício a ser encaminhado ao presidente da Província com o pedido de que ele determinasse a Tibúrcio que fizesse doze alterações no seu projeto.

A justificativa daqueles engenheiros: a Repartição de Obras Públicas não queria que “fosse, no futuro, responsabilizada por faltas tão salientes que, de certo, serão muito notadas”, no projeto.

As mudanças no projeto do teatro

As alterações que eles queriam implicavam:

1) no alargamento da distância entre as colunas e o corpo do teatro, no térreo de sua fachada;

2) na redução do tamanho das colunas da frente do teatro;

3) na substituição de um acrotério (escultura) no cume da fachada por um frontão (peça ornamental em geral triangular);

4) na abertura de portas laterais;

5) na introdução de um giro “em roda de um meio cilindro” nas escadas internas;

6) nos aumentos: da largura da saída da platéia inferior, do tamanho dos camarotes, do espaço destinado à orquestra, da profundidade do palco;

7) no acréscimo de caixa acústica;

8) na designação clara dos lugares dos sanitários;

9) na modificação do telhado.

No texto que escreveu por ordem do Presidente da Província, Tibúrcio se recusou a admitir que aquelas alterações corrigissem defeitos de seu trabalho.

Ele sustentou que elas envolviam aspectos secundários de um projeto de teatro, correspondentes ao gosto particular de cada construtor.

E concluiu com um comentário com o qual, de modo sutil, mostrou que havia percebido má vontade contra ele nos autores daquelas propostas de alterações. 

Escreveu que as propostas correspondiam ao “prisma dos sentimentos de que cada um está possuído”.

Para mostrar que os sentimentos dele não eram os de hostilidade, como pareciam ser os dos engenheiros da repartição, Tibúrcio aceitou tudo o que eles queriam.

Menos a redução do tamanho das colunas elevadas da frente do teatro.

Eram elas, argumentou, que davam beleza a seu projeto.

Tibúrcio lembrou que outros teatros, como o de Bordeaux, na França, tinham colunas elevadas.

Como Tibúrcio havia aceito as alterações requeridas pela repartição pública o presidente da Província concordou com elas.

Mas, numa concessão à vontade de Tibúrcio, ordenou que as colunas do projeto original fossem mantidas.

Os conflitos continuaram

De nada serviram, no entanto, todas aquelas decisões, quando novos conflitos surgiram, ao longo dos anos de construção do teatro.

Na verdade, o Teatro da Paz teve sua construção realizada de um modo tão atormentado, como jamais aconteceu com outra obra do patrimônio arquitetônico do Pará.

Isto ocorreu devido a uma conjugação de circunstâncias políticas e administrativas própria da sua época.

A primeira destas circunstância foi a de existir, naquele momento, uma corriqueira prática de violência verbal na luta político-partidária que se travava no Pará.

Violência que se manifestou em 1874, cinco anos depois de José Tibúrcio ter sido coagido a defender seu projeto.

Quando a construção do teatro estava, então, sob responsabilidade daqueles engenheiros da repartição pública que tinham desmerecido o trabalho dele.

A obra que eles executavam foi chamada de “construção com defeitos terríveis”, “logro escandaloso”, e, “barracão de trastes velhos que poderia ruir a qualquer momento”, no dia 3 de janeiro daquele ano, por dois jornais de Belém ligados a grupos políticos, O Liberal do Pará e Diário de Belém.

O primeiro destes dois jornais era propriedade do Partido Liberal.

Em seu editorial da mesma edição daquele dia 3 de janeiro o presidente da Província do Gram-Pará, naquele momento, o engenheiro da Repartição de Obras Públicas Guilherme Cruz, era chamado de fantoche do ex-presidente cônego Manoel José de Siqueira Mendes.

No dia 13 do mesmo mês, O Liberal do Pará foi ainda mais agressivo.

Afirmou que havia um vergonhoso contrato secreto assinado entre o empreiteiro das obras do teatro, João Fernandes e um representante do cônego Siqueira Mendes.

Pelo qual o empreiteiro pagaria a vantagem obtida com o ganho do contrato para a construção do teatro, através de sua desistência à concorrência em outra licitação pública, a das obras de calçamento de Belém.

Para que, por sua vez, o empreiteiro beneficiado com a desistência dele desse uma comissão de 10% do valor da obra de calçamento a Siqueira Mendes.

Mas, desqualificações ainda mais desabonadoras foram publicadas pelos jornais em referências ao empreiteiro João Fernandes, construtor do teatro.

Ele foi tratado, nestes jornais, com termos como “cínico”, “miserável”, “desgraçado”, “ente abjeto”, “energúmeno”, “vil caluniador”, “profissional de suja e maldita carreira” “nojento ludíbrio”, e, “monstro”.

João Fernandes, de sua parte, reagiu com a publicação de textos em outros jornais destinadas a ofender cada um dos autores daqueles ataques a ele.

Tratou-os individualmente com palavras como “miserável”, “ladrão”, “assassino”, “leproso”, “cão”, “grande salteador fugido das galés”, “despeitado”, “meliante”, e, “bandido”.

Promiscuidade entre engenheiros e empreiteiros

A segundo circunstância que contribuiu para tornar tão lastimável a fase da edificação do Teatro da Paz foi a  promiscuidade existente entre a Repartição de Obras Públicas e o ambiente político-empresarial, quando consideráveis volumes de dinheiro público estavam sendo investidos em obras relevantes para a população de Belém.

Por exemplo, o engenheiro civil Guilherme Cruz que acumulou o cargo de presidente da Província do Pará com o de funcionário da Repartição de Obras Públicas se tornou autor de um livro cujo título era “Negócios do Pará”.

Ao mesmo tempo, o maior concorrente de João Fernandes, o também empreiteiro Augusto Michel Andreossy, foi um dos fundadores do Clube de Engenharia, onde se reuniam os engenheiros da Repartição de Obras Públicas.

Talvez por isto, João Fernandes atribuisse a Andreossy a responsabilidade pelos ataques às obras do teatro.

Pior ainda: segundo João Fernandes os ataques eram feitos através de um ex-engenheiro daquela repartição, Antônio Augusto Calandrini de Chermont.

A terceira circunstância favorável à criação de conflitos durante a execução das obras do teatro era a “arrematação”, uma espécie de leilão de obras públicas às avessas.

Do qual só participavam empreiteiros credenciados na repartição pública.

Oficialmente ganhava uma licitação quem apresentasse a proposta com menor orçamento.

O que diminuía os ganhos dos empreiteiros e, por si só, gerava rancores entre eles.

Isto alimentava mais rancores entre eles.

Neste clima de desentendimentos, decisões extremas foram tomadas.

Num ano, o governo da Província recusou-se a receber as obras realizadas no teatro.

Em outro ano, a Repartição de Obras Públicas demitiu um engenheiro que havia participado da vistoria daquelas obras, acusando-o de ter prejudicado a Fazenda da Província, por negligência. 

Nem o artista Domenico De Angelis contratado para executar a pintura do teto do teatro, trabalhou com tranquilidade. 

A certa altura, ele também enfrentou contrariedades.

E entrou em litígio jurídico com o administrador do teatro, José Olímpio Rangel, e, com um presidente da Província, Miguel Pernambuco.

(Ilustração: Teatro da Paz, em construção, no ano de 1867, por Joseph Leone Righini)

“Wretch!”, “Scoundrel!”, “Dog!”, “Monster!”:the attacks during the construction of the Teatro da Paz

*Oswaldo Coimbra is a writer and journalist.

The author of the original design of the Teatro da Paz, José Tibúrcio Pereira de Magalhães, is doubly mistreated as an important figure in the History of Construction in Belém.

First, because although he is linked to one of the architectural works of which the people of Pará are most proud, José Tibúrcio remains almost completely unknown in our state.

Second, because when he is remembered, he always appears in an unfavorable light, as the creator of a kind of monstrosity, “a big box,” which other builders would have been obliged to fix.

From Tibúrcio himself, there is only one statement about his design for the theater.

A text written under great constraint, preserved in the Public Archive of the State of Pará.

Tibúrcio, a native of Recife, was 38 years old when he came to Belém.

In Recife, he was by no means treated as he was in Belém.

On the official website of the Legislative Assembly of Pernambuco, he appears as a major in the Corps of Engineers of the Brazilian Empire, holding a degree in Physical and Mathematical Sciences.

According to the website, Tibúrcio was responsible for designing, in 1870, the beautiful palace that would later serve as the headquarters of the State Legislative Branch.

In the previous year, 1869, another honorable task had been entrusted to him:

to oversee the reconstruction works of the Santa Isabel Theater, which had been destroyed by fire.

A task he carried out following the recommendations made by the French architect Louis Léger Vauthier, author of the theater’s design, who at that time lived in Paris.

The written statement by Tibúrcio preserved in the Public Archive, coincidentally, was produced in the same year in which he directed the reconstruction of the Recife theater.

It is a text prepared on March 15, 1869, in compliance with an order from the president of the Province of Pará, José Bento da Cunha Figueiredo, the authority who had hired Tibúrcio to design the Teatro da Paz.

Three days earlier, José Bento had received the minutes of a meeting of the engineers of the Public Works Department of Pará, in which they had pointed out no fewer than twelve supposed defects in the design by the Pernambuco-born engineer.

Obviously, the obligation to formally comment on those minutes constituted a clear humiliation imposed on Tibúrcio.

Before that, he had already faced the embarrassment of personally responding, at that engineers’ meeting, about his work.

The engineers of the public department were proud professionals, all trained in Rio de Janeiro or in Europe.

Their director was the brilliant José Coelho da Gama e Abreu, responsible for the construction of the Antônio Lemos Palace.

Apparently, the fact that the president of the Province had not entrusted them with the construction of the Teatro da Paz generated jealousy and resentment against Tibúrcio.

Because, at that meeting, their intention to disqualify Tibúrcio’s design became evident.

However, all the objections they raised to his work were heard by Tibúrcio without any arrogant reaction.

After he withdrew, the public department formalized its position.

The minutes sent to the president of the Province recorded what had been decided at the meeting:

the drafting of an official letter to be sent to the president of the Province requesting that he order Tibúrcio to make twelve changes to his design.

The justification given by those engineers: the Public Works Department did not wish to be “held responsible in the future for such glaring faults which will certainly be much noticed” in the design.

Changes to the theater project

The changes they demanded involved:

  1. widening the distance between the columns and the body of the theater on the ground floor of its façade;
  1. reducing the size of the front columns;
  1. replacing an acroterion (a sculpture at the top of the façade) with a pediment (an ornamental, generally triangular element);
  1. opening side doors;
  1. introducing a turn “around a half cylinder” in the internal staircases;
  1. increasing: the width of the lower audience exit, the size of the boxes, the space for the orchestra, and the depth of the stage;
  1. adding an acoustic shell;
  1. clearly designating the locations of the restrooms;
  1. modifying the roof.

In the text he wrote by order of the president of the Province, Tibúrcio refused to admit that those changes corrected defects in his work.

He maintained that they involved secondary aspects of a theater design, corresponding to the particular taste of each builder.

He concluded with a comment in which, in a subtle way, he showed that he had perceived ill will against him among the authors of those proposed changes.

He wrote that the proposals corresponded to the “prism of the feelings that each one is possessed of.”

To show that his own feelings were not those of hostility, as seemed to be the case with the department’s engineers, Tibúrcio accepted everything they wanted—except the reduction in the size of the tall front columns of the theater.

These, he argued, were what gave beauty to his design.

Tibúrcio recalled that other theaters, such as the one in Bordeaux, France, had tall columns.

Since Tibúrcio accepted the changes required by the public department, the president of the Province agreed to them.

But, as a concession to Tibúrcio’s wishes, he ordered that the columns of the original design be maintained.

Conflicts continued

All these decisions, however, proved useless when new conflicts arose throughout the years of the theater’s construction.

In fact, the Teatro da Paz was built in such a troubled manner as never occurred with any other work of architectural heritage in Pará.

This resulted from a combination of political and administrative circumstances characteristic of the time.

The first of these circumstances was the existence, at that moment, of a common practice of verbal violence in the partisan political struggle taking place in Pará.

This violence manifested itself in 1874, five years after José Tibúrcio had been compelled to defend his design—when the construction of the theater was under the responsibility of those same engineers from the public department who had discredited his work.

The work they were carrying out was described as a “construction with terrible defects,” a “scandalous fraud,” and a “shed of old junk that could collapse at any moment,” on January 3 of that year, by two Belém newspapers linked to political groups: O Liberal do Pará and Diário de Belém.

The first of these newspapers belonged to the Liberal Party.

In its editorial of that same January 3 edition, the president of the Province of Grão-Pará at that time—engineer Guilherme Cruz of the Public Works Department—was called a puppet of former president Canon Manoel José de Siqueira Mendes.

On the 13th of the same month, O Liberal do Pará became even more aggressive.

It claimed that there was a shameful secret contract signed between the theater’s contractor, João Fernandes, and a representative of Canon Siqueira Mendes.

According to the accusation, the contractor would pay for the advantage obtained in winning the theater construction contract by withdrawing from another public bidding process—that for the paving works of Belém.

In turn, the contractor who benefited from this withdrawal would give a 10% commission of the paving contract to Siqueira Mendes.

But even more discrediting attacks were published in the newspapers regarding João Fernandes, the builder of the theater.

He was described in these papers with terms such as “cynic,” “wretch,” “scoundrel,” “abject being,” “madman,” “vile slanderer,” “professional of a filthy and accursed trade,” “disgusting mockery,” and “monster.”

João Fernandes, for his part, reacted by publishing texts in other newspapers aimed at offending each of the authors of those attacks against him.

He addressed them individually with words such as “wretch,” “thief,” “murderer,” “leper,” “dog,” “great robber escaped from the galleys,” “spiteful man,” “delinquent,” and “bandit.”

Promiscuity between engineers and contractors

The second circumstance that contributed to making the construction phase of the Teatro da Paz so regrettable was the promiscuity between the Public Works Department and the political-business environment, at a time when considerable amounts of public money were being invested in works of relevance to the population of Belém.

For example, the civil engineer Guilherme Cruz, who accumulated the positions of president of the Province of Pará and official of the Public Works Department, became the author of a book titled Business in Pará.

At the same time, João Fernandes’s greatest competitor, the contractor Augusto Michel Andreossy, was one of the founders of the Engineering Club, where the engineers of the Public Works Department gathered.

Perhaps for this reason, João Fernandes attributed responsibility for the attacks on the theater works to Andreossy.

Worse still: according to João Fernandes, the attacks were carried out through a former engineer of that department, Antônio Augusto Calandrini de Chermont.

The third circumstance favorable to the emergence of conflicts during the execution of the theater works was the “arrematação,” a kind of reverse auction of public works.

Only contractors accredited by the public department could participate.

Officially, a bid was won by whoever presented the lowest budget.

This reduced contractors’ profits and, in itself, generated resentment among them.

This, in turn, fueled even more hostility.

In this climate of disagreements, extreme decisions were made.

In one year, the provincial government refused to accept the works carried out in the theater.

In another year, the Public Works Department dismissed an engineer who had participated in the inspection of those works, accusing him of having harmed the Provincial Treasury through negligence.

Not even the artist Domenico De Angelis, hired to paint the theater’s ceiling, worked in peace.

At a certain point, he too faced difficulties.

And he entered into legal disputes with the theater’s administrator, José Olímpio Rangel, and with a president of the Province, Miguel Pernambuco.

(Illustration: Teatro da Paz under construction in 1867, by Joseph Leone Righini)

Tags: Belém AntigaculturaDestaqueteatro da paz
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Oswaldo Coimbra

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Oswaldo Coimbra é escritor, jornalista e pesquisador.

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