Aos 12 anos, o estudante Enzo Santos, conhecido como Enzinho, tem uma rotina pouco comum para alguém de sua idade. Morador de Aurora, no Ceará, o garoto dedica parte do seu dia aos estudos para o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), faz cursinho preparatório e já traça planos ambiciosos para o futuro. Entre simulados, revisões e técnicas de memorização, ele afirma que mantém uma rotina equilibrada e ainda encontra tempo para lazer, como assistir a filmes e ler livros de ficção científica.
O nome Enzo não é raro entre os nascidos na década de 2010, mas o garoto cearense chama atenção por fugir de estereótipos associados à sua geração. Atualmente no 7º ano de uma escola particular em Aurora, ele decidiu iniciar desde cedo a preparação para o exame que normalmente é realizado por estudantes que estão concluindo o ensino médio.
“Achei melhor já começar, porque tenho sonhos muito grandes: quero fazer medicina e ser perito criminal”, diz o menino.
Para organizar a rotina de estudos, Enzinho elaborou um planejamento detalhado que inclui compromissos escolares, aulas extras e tempo dedicado a revisões.
“Para ter uma boa base, montei cronogramas semanais com os horários bem certinhos da escola, do cursinho preparatório e das aulas de inglês.”
A partir de sua escrivaninha, posicionada ao lado de um microscópio que pediu de presente de aniversário, o garoto grava vídeos para as redes sociais relatando o que estudou ao longo do dia. Nas publicações, ele descreve como organiza as atividades e quais métodos utiliza para fixar o conteúdo.
“Hoje, depois que cheguei em casa, fiz um simulado”, afirma em um dos posts.
“Terminei de jantar e fui fazer anotações sobre os conteúdos vistos mais cedo; depois, treinei com flash cards para ver se aprendi”, conta em outro.
Em disciplinas como matemática e ciências da natureza, áreas que envolvem conteúdos mais avançados do que aqueles normalmente ensinados no ensino fundamental, o estudante seleciona apenas as questões do Enem que tratam de temas que já aprendeu. Entre eles estão operações básicas, porcentagem e razão e proporção.
“Lá para o final do ano, vou poder fazer simulados dessas disciplinas.”
Os vídeos publicados por Enzinho já alcançaram grande repercussão nas redes sociais. Alguns deles ultrapassam 2 milhões de visualizações. Em uma das gravações mais populares, o garoto aparece usando uma camiseta dos personagens Tom e Jerry enquanto relata o que estudou no dia. Na publicação, ele explica que analisou enunciados de questões da área de Linguagens, resolveu exercícios e registrou os erros em um caderno.
“É isso, gente! Esse é meu diário de hoje!”, diz ele, ao finalizar o vídeo de forma animada.
A exposição da rotina de estudos também gera questionamentos entre os internautas. Entre elogios, há comentários demonstrando preocupação com a intensidade das atividades para uma criança de 12 anos. Enzo afirma, no entanto, que a iniciativa de estudar parte exclusivamente dele.
“Desde pequenininho, sempre tive sede por me sentir inteligente, sabe? Mas respeito meu cansaço e vou dormir, senão, meu cérebro não aprende mais”, conta.
Segundo ele, o cuidado com o descanso também faz parte da organização da rotina.
“Com essa questão de burnout, hoje em dia, a gente precisa colocar limites. No meu tempo livre, leio livros de ficção científica e vejo telas, como toda criança. Amo documentários.”
A professora Priscilla Brígida, mãe de Enzinho, reforça que o interesse pelos estudos sempre foi espontâneo e que a família procura manter equilíbrio entre aprendizado e infância.
“Enzo nunca foi forçado a isso. Aqui em casa, sempre existiu e existe o equilíbrio. O que vocês veem realmente nasce dele. Nasce da curiosidade, nasce do brilho nos olhos. É impressionante a alegria que Enzo sente quando ele aprende algo novo”, afirma.
Ela também ressalta a importância de preservar o desenvolvimento da criança.
“A infância dele, para mim, é sagrada. Quero que ele cresça seguro e amado.”
Além de compartilhar a própria rotina de estudos, Enzo também interage com seguidores que acompanham seus vídeos. Nos comentários das publicações, adolescentes e adultos deixam mensagens, muitas vezes em tom bem-humorado, reagindo ao empenho do garoto.
Entre as frases publicadas estão: “Quero ser como você quando crescer!”, “E eu, vendo isso depois de procrastinar mais um dia?”, “Graças a Deus, já passei no Enem. Boa sorte aos concorrentes dele.” e “Eu estava fazendo slime nessa época.”
Alguns internautas também pedem dicas para iniciar a preparação para o Enem ou solicitam palavras de incentivo para retomar os estudos.
“Tento responder com mensagem de voz para dar um apoio. Muita gente quer saber como começar. Dou conselhos e falo sempre que o estudo move montanhas”, diz o menino.















