Um aperto de mão recusado. Foi esse o estopim para um assassinato que revela, de forma brutal, o grau de intolerância que corrói as relações humanas. A Justiça do Rio de Janeiro condenou a 18 anos de prisão Caio Sechim Simões, de 37 anos, que matou Gabriel Domingues Viegas, 28, dentro de uma lanchonete no bairro da Trindade, em São Gonçalo, em novembro de 2023.
Gabriel, conhecido na vizinhança, entrou no estabelecimento apenas para comprar uma coxinha. Minutos depois, Caio chegou ao balcão para comprar cervejas, aproximou-se e tentou cumprimentá-lo com um aperto de mão. A recusa — um gesto simples, cotidiano, legítimo — foi o suficiente para que o clima azedasse. Testemunhas relataram que os dois discutiram rapidamente.
Caio saiu, foi até o carro estacionado em frente à lanchonete e voltou com uma arma escondida sob a blusa. Sem qualquer chance de defesa, atirou contra Gabriel. Enquanto era atendido por médicos, já gravemente ferido, Gabriel disse não conhecer o homem que o havia baleado.
Após o crime, Caio fugiu. Foi localizado dias depois em Piracicaba, São Paulo. Na delegacia, demonstrou a frieza do ato: “acreditei que jamais seria encontrado”, afirmou. Foi submetido a júri popular e condenado.
Limite da barbárie
É nisso que o ser humano está se tornando incapaz de lidar? Um simples aperto de mão? O que deveria ser apenas um incômodo virou uma sentença de morte. A sensação é de que a sociedade se encontra no limite da barbárie — uma faísca, uma contrariedade, um olhar torto, e o gatilho é acionado.
Vivemos uma era em que o ego inflamado vale mais que uma vida. Onde o “você não tem que me aceitar” virou motivo para matar. Assistimos, estarrecidos, ao colapso do diálogo, da tolerância, da civilidade.
Se um simples ato de civilidade não é capaz de ser suportado, o que isso diz sobre nós? Sobre nossa capacidade de conviver? Se por tão pouco se mata, que valor resta para a vida?















