A situação está feia quando o tema é liberdade de expressão no Brasil e as últimas atitudes do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, ensejam um mergulho de cabeça da nossa frágil democracia em direção ao totalitarismo.
Nesta segunda-feira, 29, veio à tona o motivo da operação realizada semana passada pela Polícia Federal contra um grupo de empresários por conversas no whatsapp. Num relatório de 33 páginas, liberado por Alexandre Moraes, o delegado da PF, Fábio Alvarez Shor, informa o seguinte:
“De acordo com a matéria publicada no sitio eletrônico “Metrópoles”, empresários ligados à direita do espectro político estariam defendendo, em um grupo de WhatsApp denominado “Empresários & Política”, de forma ostensiva, a prática de atos para abolir o Estado de Direito, caso o candidato à Presidência da República, Luís Inácio Lula da Silva, seja eleito no próximo pleito eleitoral, ao cargo de presidente da República. De acordo com a reportagem, muitos dos integrantes do grupo realizam ataques sistemáticos ao STF e ao TSE”.
A matéria publicada, diz o delegado, relata que no dia 31 de julho, o empresário José Koury teria afirmado no grupo que: “prefiro golpe do que a volta do PT. Um milhão de vezes. E com certeza ninguém vai deixar de fazer negócios com o Brasil. Como fazem com várias ditaduras pelo mundo”.
Os alvos da operação da PF são também Meyer Nigri, presidente do conselho de administração da Tecnisa (TCSA3); Luciano Hang, fundador da Havan; Afrânio Barreira Filho, fundador do Coco Bambu; Marco Aurélio Raymundo, fundador da Mormaii; e Luiz André Tissot, fundador da loja de Móveis Sierra.
No mesmo contexto, continua a PF, a matéria afirma que o empresário Ivan Worbel, ao se apresentar no referido grupo virtual afirmou: “quero ver se o STF tem coragem de fraudar as eleições após um desfile militar na Av. Atlântica com as tropas aplaudidas pelo público”. No mesmo sentido, o empresário Marco Aurélio Raimundo teria afirmado: “ o 7 de setembro está sendo programado para unir o povo e o Exército e ao mesmo tempo deixar claro de que lado o Exército está. Estratégia top e o palco será o Rio. A cidade ícone brasileira no exterior. Vai deixar muito claro”. Em seguida, o mesmo empresário teria dito: “Golpe foi soltar o
presidiário!!! Golpe é o ‘supremo’ agir fora da constituição! Golpe é a velha mídia só falar merda”. E há mais relatos do delegado sobre outras conversas de outros empresários.
Para Moraes, “atividades ilícitas”
A matéria que ensejou a operação da PF foi assinada no Portal Metrópoles pelo colunista Guilherme Amado,. Segundo Alexandre de Moraes, existem ‘fortes indícios’ e ‘significativas provas’ apontaram para a existência de uma organização criminosa idênticos aos investigados no inquérito das milícias digitais, “com a nítida finalidade de atentar contra a democracia”.
Diz ainda o ministro do STF: “em face das circunstâncias apontadas é imprescindível a realização de diligências, inclusive com o afastamento de garantias, que não podem ser usadas como escudo para a prática de atividades ilícitas”. Moraes destaca ainda a “grande capacidade socioeconômica do grupo investigado, a revelar o potencial de financiamento de atividades digitais ilícitas e incitação à prática de atos antidemocráticos”.
Em sua sustentação, o ministro defendeu as ações de busca e apreensão nos endereços ligados aos empresários já que poderiam ser encontrados elementos que provem as irregularidades sustentadas no grupo de mensagens.
“Na espécie estão presentes os requisitos do art. 240 do Código de Processo Penal, para a ordem judicial de busca e apreensão no domicílio pessoal, pois devidamente motivada em fundadas razões que, alicerçadas em indícios de autoria e materialidade criminosas, sinalizam a necessidade da medida para colher elementos de prova relacionados à prática de infrações penais”, destacou o magistrado da Suprema Corte.
Com a palavra, os investigados
Em sua conta no Twitter, Luciano Hang disse que foi “tratado novamente como um bandido!”. e mais: “eu nunca falei sobre golpe, minha fala em determinado grupo de WhatsApp foi a seguinte: ‘Mais 4 anos de Bolsonaro, mais 8 de Tarcísio e aí não terá mais espaço para esses vagabundos’, me referindo aos maus políticos deste país”, afirmou, dizendo que sempre defendeu a democracia, a liberdade de expressão e de opinião.
A construtora Tecnisa, fundada por Nigri e na qual ele é presidente do Conselho de Administração, disse em nota ser uma empresa “apartidária, que defende os valores democráticos e cujos posicionamentos institucionais se restringem à sua atuação empresarial”.
Afrânio Barreira Filho disse, também em nota, que está “absolutamente tranquilo” por ter se manifestado sobre o assunto no grupo apenas por meio de um “emoji sinalizando a leitura da mensagem, sem estar endossando ou concordando com seu teor”.
Procurada, a operadora de shoppings de alta renda Multiplan, da qual Peres é presidente, não respondeu imediatamente a pedido de comentários. A defesa de Raymundo, da Mormaii, confirmou que o empresário foi contatado na manhã desta terça pela Polícia Federal. “Ainda desconhecemos o inteiro teor do inquérito, mas ele imediatamente se colocou e segue à disposição de todas autoridades para esclarecimentos”, disse a defesa. (Agências e Money Times)















