A Polícia Civil do Pará prendeu um homem acusado de simular o próprio sequestro e exigir R$ 35 mil de resgate da própria esposa, no município de Marituba, na região metropolitana de Belém. O caso, revelado nesta segunda-feira (13), chamou atenção pela audácia e pelo grau de premeditação do suspeito.
Segundo as investigações, a mulher procurou a polícia ao receber mensagens de um suposto grupo de sequestradores, que ameaçava matar o marido caso o valor exigido não fosse pago. O homem, motorista de aplicativo, teria saído de casa para trabalhar, desaparecendo em seguida.
A investigação, conduzida pela Delegacia de Repressão a Roubos a Bancos e Antissequestro (DRRBA), logo encontrou inconsistências nas informações prestadas pela suposta vítima. Com o avanço das apurações, os agentes descobriram que o próprio homem havia enviado as mensagens, fingindo ser um dos criminosos, numa tentativa de extorquir a esposa.
De acordo com o delegado Augusto Potiguar, diretor da Divisão de Repressão ao Crime Organizado (DRCO), o suspeito nunca esteve em cativeiro.
“Durante as diligências, verificamos que ele estava circulando normalmente pela região metropolitana, trabalhando como motorista de aplicativo. Em momento algum sua liberdade foi restringida”, explicou Potiguar.
O homem foi localizado e preso em flagrante na BR-316, em Marituba, enquanto ainda simulava conversas com a companheira, tentando sustentar a farsa. Levado para a sede da DRRBA, ele foi autuado por extorsão e por violência psicológica e patrimonial, com base na Lei Maria da Penha — uma agravante que reflete o uso de manipulação emocional e chantagem para causar sofrimento à mulher.
Mentiras e chantagens
Essa foi não apenas uma tentativa criminosa de fraude, mas também um caso emblemático de violência doméstica em forma de abuso psicológico. Fingir o próprio sequestro para arrancar dinheiro da esposa é um ato de extrema manipulação, que transforma o medo e a compaixão em instrumentos de controle.
Casos assim evidenciam a necessidade de atenção não apenas à repressão penal, mas também ao aspecto psicológico das relações abusivas, onde o agressor usa mentiras e chantagens para subjugar emocionalmente a vítima.
A atuação rápida da Polícia Civil evitou que o crime avançasse, e o enquadramento pela Lei Maria da Penha reforça que violência contra a mulher não se limita à agressão física — ela pode se manifestar também na mente e no bolso.















