Uma clínica médica que realizava procedimentos cirúrgicos de média e alta complexidade sem autorização foi interditada na quarta-feira (10) , pela prefeitura de Bagre, no arquipélago do Marajó. A ação contou com apoio da Polícia Militar, mas segundo mensagem enviada posteriormente pelo responsável pela clínica, a anulação dos alvarás teria sido feita pelo secretário de Administração, Cleiton Maia.
A Clínica Carlos Rodrigues Ltda operava de forma irregular sob responsabilidade do médico Carlos Roberto dos Santos Rodrigues. De acordo com a Secretaria Municipal de Saúde, o estabelecimento havia solicitado alvará apenas para consultas, mas executava cirurgias sem estrutura técnica adequada e sem licenças obrigatórias.
O parecer jurídico nº 18/2025 apontou que a solicitação de alvará foi negada porque a clínica pretendia realizar “procedimentos cirúrgicos e outros” sem apresentar documentação exigida pelos órgãos competentes.
A prefeitura informou que só poderá emitir novo alvará após entrega de todas as licenças necessárias e vistoria da Vigilância Sanitária. O caso se agravou devido à recusa do médico em responder notificações municipais.
A Secretaria Municipal de Saúde relatou ainda que não conseguiu obter informações básicas, como número de registro no Conselho Regional de Medicina do Estado do Pará (CRM-PA) do responsável pelos procedimentos, especialidade médica e cadastro do estabelecimento no Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde (CNES).
Diante da falta de cooperação, a secretária de Saúde, Iris Tatiana Marques da Costa, solicitou a abertura de investigação junto ao CRM-PA e à 8ª Coordenação Regional de Saúde da Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa).
A equipe de reportagem do Portal Ver-o-Fato entrou em contato com o médico responsável pela clínica e ele informou que “é importante esclarecer não foi a polícia que interditou, foi o secretário de administração Cleiton Maia, que anulou todos os alvará da clínica Dr. Rodrigues”, informou.
Horas depois, vazou um suposto áudio no aplicativo de mensagens WhatsApp, no qual o médico teria confessado no momento da interdição da clínica que não poderia realizar cirurgias, porém o mesmo havia publicado uma foto pós-cirurgia nas redes sociais; confira:

O caso segue sob análise das autoridades sanitárias e dos conselhos reguladores.















