Após duas semanas de muita pressão via redes sociais, depois que o assunto ganhou as ruas da cidade, o vereador Fernando Henrique (PSC) pediu retirada de pauta do seu projeto que visava conceder título de Cidadão Marabaense ao presidente da República, Jair Messias Bolsonaro. No lugar, convencido pelos colegas, ele apresentou outra proposta e o mandatário será homenageado com um título de Honra ao Mérito. Bolsonaro estará em Marabá nesta sexta-feira,18.
O título de Honra ao Mérito foi o resultado de um acordo costurado depois que os colegas de Fernando avisaram que votariam contra o primeiro projeto em plenário. Com isso, os vereadores se reuniram presencialmente na manhã de hoje, 15, na Câmara Municipal (CMM) e promoveram uma votação secreta para aprovar o título, que teve, também, tramitação relâmpago.
Segundo o Ver-o-Fato apurou, mesmo com a mudança de formato da honraria e com o “acordão”, a aprovação não foi unânime. Com 20 dos 21 edis da casa presentes, quatro votaram contra e foram voto vencido. Na CMM é necessário dois terços favoráveis para esse tipo de proposta. Sabendo que o assunto seria discutido hoje, populares ligados a movimentos sociais e sindicatos promoveram um protesto logo cedo na escadaria da Câmara, acendendo centenas de velas representando as 419 vítimas fatais da covid-19 em Marabá.
O objetivo dos manifestantes era questionar a urgência do legislativo em homenagear uma autoridade, em meio a um momento tão crítico da pandemia. No dia 14, o município fechou o dia com 96% dos leitos de UTI ocupados. No dia 18, em Marabá, Bolsonaro irá participar de evento do Incra, para entrega de 50 mil títulos de terra a colonos do Pará. Tão logo soube dessa vinda, o vereador de primeiro mandato Fernando Henrique (PSC), do mesmo partido do senador Zequinha Marinho, apresentou o projeto de lei 34/2021, propondo o título de Cidadão Marabaense a Bolsonaro.
Dizia a justificativa: “o homenageado com a propositura é capitão da reserva do Exército e atual presidente da República Federativa do Brasil, sendo eleito o 38º Presidente do Brasil, para o mandato de 2019 a 2022”. E mais adiante: “como presidente, distribuiu para o Estado do Pará cerca de quase 3 milhões de vacinas e, com um pouco mais de 1,3 milhões de paraenses vacinados. Na cidade de Marabá ultrapassa 26 mil vacinados contra a covid-19. O governo federal vem fazendo a sua parte para combater esse grande mal provocado pela pandemia. Além das doses destinou para o Estado R$ 3,4 bilhões para saúde assim como ao combate do vírus”.

Críticas ferozes
Nas redes sociais, quando o assunto ganhou as ruas, Fernando Henrique foi elogiado por seguidores do presidente, mas também teve suas redes inundadas por críticos, que foram ferozes nas postagens contra ele e a Câmara Municipal. A grande maioria questionando as prioridades e nível de produção dos vereadores em um momento em que a classe política não vai bem junto à coletividade.
O certo é que a reação feroz dos internautas direcionada a Fernando Henrique e respingando na Câmara azedou o clima nos bastidores e a proposta perdeu simpatizantes. Mais de um terço dos vereadores ameaçava votar contrário. De outro lado, agora com um título de Honra ao Mérito em mãos, Fernando Henrique sequer tem certeza de que terá acesso diretamente ao presidente na sua passagem por Marabá para entregar o diploma e um placa de metal que são emitidos pela CMM.
Líderes de movimentos que estiveram na Câmara, protestando contra o título a Bolsonaro, chamaram o presidente de “genocida” e o vereador Fernando Henrique de “subserviente” e “capacho” do governo. Para a maioria dos vereadores que aprovaram a honraria, sobrou a pecha de “covardes” e “medrosos”, que reuniram secretamente temendo a reação da população.
















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