Uma semana após o segundo turno da eleição presidencial, atos convocados por apoiadores do presidente Jair Bolsonaro (PL) persistiam na porta de quartéis do Exército. Nesta segunda, 7, manifestantes permaneciam em concentrações nas sedes de comandos militares em São Paulo e no Rio. Nesta terça, 08, também há muita gente em frente aos quartéis.
Em Belém, os manifestantes que ocupam a calçada do quartel do 2º BIS, na avenida Almirante Barroso, foram alertados de que, por ordem do governador Helder Barbalho, as polícias Militar , Civil e Guarda Municipal devem fazer a completa remoção das tendas que foram erguidas no calçamento. Isso seria o começo de uma grande operação para a retirada completa dos manifestantes e desobstrução do local.
Um problema, porém, surgiu. Um militar da área de segurança disse ao Ver-o-Fato que a retirada das tendas e dos manifestantes esbarraria no fato de que, embora a calçada seja pública, ela está inserida na área de segurança do quartel do Exército e, desse modo, seria área militar federal. Ou seja, os manifestantes só poderiam desmontar as tendas e deixar o local por meio de ordem expressa do Exército.
Na capital paulista, onde o lema da intervenção foi substituído nos últimos dias por “resistência civil”, a mobilização era no trecho de avenida localizada entre o prédio da Assembleia Legislativa e o Comando Militar do Sudeste. Manifestantes passaram o dia entre gritos de “Forças Armadas, salvem o Brasil”, orações e cantos do Hino Nacional.
Ainda ontem, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou que as polícias Civis e Militares dos Estados e do Distrito Federal, assim como a Polícia Federal e a Polícia Rodoviária Federal (PRF), apresentem todas as informações sobre os organizadores, financiadores e líderes dos atos promovidos por bolsonaristas. O ministro cobrou o compartilhamento dos dados de envolvidos nas manifestações em frente aos quartéis.
Resultado
Os manifestantes dizem não reconhecer o resultado das urnas, que deram a vitória ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Alguns apoiadores vão e voltam do local, onde há barracas de camping e espaços para distribuição de alimentos. Assim como no feriado de Finados, famílias trouxeram crianças e adolescentes para o protesto.
Nas redes bolsonaristas há pedidos para que os manifestantes “não cometam o mesmo erro dos americanos” e não invadam “o STF ou qualquer instituição”. “Se fizer isso, as Forças Armadas não vão nos ajudar”, diz uma das publicações.
No Rio, os manifestantes seguiam reunidos em frente ao Palácio Duque de Caxias, sede do Comando Militar do Leste. Os protestos na Avenida Presidente Vargas, no centro da cidade, começaram no Dia de Finados. Foi montado um acampamento, onde manifestantes se instalaram em barracas e lonas. Ontem, um caminhão de som executava músicas militares e o Hino Nacional.
Em nota, o Ministério da Defesa disse que manifestações “ordeiras” são “exercício da liberdade de manifestação de pensamento e de reunião”. (Do Ver-o-Fato, com informações do jornal O Estado de S. Paulo.















