Um buraco com mais de 20 metros de profundidade, descoberto no Parque Estadual Serra Azul, reacendeu os mistérios que cercam Barra do Garças, município a 516 km de Cuiabá. A cidade, que já ganhou fama por relatos de desaparecimentos, avistamentos de luzes estranhas e supostas visitas de extraterrestres, soma agora mais um episódio enigmático à sua história.
O achado, segundo matéria do portal G1MT, ocorreu na quinta-feira (18), quando brigadistas atuavam no combate a um incêndio que já devastava a região há mais de duas semanas. Ainda não se sabe a origem do fogo, mas não se descarta ação criminosa. Quanto à cratera, as hipóteses variam: técnicos do parque acreditam que a estrutura seja anterior à criação da área protegida, possivelmente ligada a garimpos ilegais que operavam décadas atrás. Outras explicações, entretanto, permanecem em aberto.
O novo buraco apenas reforça a aura de enigma que envolve Barra do Garças. Desde 1925, a cidade guarda a memória do desaparecimento do arqueólogo britânico Percy Fawcett, que sumiu na Serra do Roncador enquanto procurava uma cidade perdida. Seu corpo jamais foi encontrado.
Com o tempo, surgiram teorias que extrapolam a fronteira do racional. Para alguns, Fawcett teria atravessado um “portal dimensional” associado a civilizações ocultas na floresta. Pesquisadores lembram ainda que o explorador relatou ter visto luzes estranhas durante a expedição — detalhe que se conecta aos frequentes registros de OVNIs na região.
Relatos de experiências ufológicas
Moradores de Barra do Garças e arredores relatam, há décadas, experiências com luzes e objetos voadores não identificados. O jornalista Konrad Felipe Hencke lembra que, aos 12 anos, presenciou um espetáculo luminoso ao lado da mãe: “Era uma luz central enorme, cercada por quatro ou cinco menores. Elas se moviam em ondas, apagavam e acendiam. Nunca esqueci.”
Já o empresário Lauro Aquino descreveu uma noite de março de 1996 em que um clarão intenso atravessou o céu, surpreendendo a todos que estavam em uma roda de baralho. Histórias assim alimentam o turismo e a curiosidade, atraindo visitantes interessados no chamado “misticismo do Roncador”.
Não faltam relatos ainda mais extraordinários. A comerciante Maria do Carmo Toledo, de Aragarças (GO), afirma ter ouvido de uma cliente que esta teria sido abduzida por alienígenas. Segundo o relato, a mulher foi levada a bordo de uma nave, sobrevoou montanhas da região e viu indígenas trabalhando em locais remotos. Depois, simplesmente acordou em casa, sem entender como retornara.
O “aeroporto de discos voadores”
Com tantos relatos, Barra do Garças apostou no turismo ufológico. Em 1995, a prefeitura oficializou a construção de um “discoporto” — um aeroporto simbólico para naves extraterrestres, localizado dentro do Parque Serra Azul. A iniciativa partiu do então vereador Valdon Varjão, que viu na mística local uma oportunidade de atrair turistas.
O discoporto jamais recebeu visitantes de outros planetas — pelo menos oficialmente. Mas virou um ícone do município e fortaleceu a marca de Barra do Garças como destino ufológico.
A fama inspirou ainda personagens folclóricos, como o “ET da Barra”, encarnado pelo morador Osmar Cláudio da Silva. Fantasiado de alienígena em eventos desde 1982, ele se tornou figura popular a ponto de ser homenageado com a criação do “Dia do ET”, celebrado anualmente no segundo domingo de julho.
Entre lenda e realidade
O buraco de 20 metros pode ter explicações banais, como garimpos antigos ou fenômenos geológicos. Já o sumiço de Percy Fawcett, embora real, é envolto em narrativas que oscilam entre a ficção científica e o mito regional. Os avistamentos de luzes, por sua vez, podem ser confundidos com fenômenos atmosféricos ou satélites, mas a intensidade e a recorrência dos relatos mantêm a dúvida no ar.
O que é fato é que Barra do Garças soube transformar esse conjunto de mistérios em identidade cultural. Sejam lendas, coincidências ou enigmas ainda sem resposta, eles atraem visitantes, alimentam o imaginário coletivo e tornam a cidade um dos polos mais curiosos do Brasil quando o assunto é o desconhecido.















