A recente decisão do Departamento de Estado dos Estados Unidos de classificar o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações terroristas expôs uma fratura na estratégia de segurança pública do Palácio do Planalto.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), em um movimento que denota apreensão com os impactos eleitorais, alterou subitamente seu discurso. Se antes o governo argumentava que as facções possuíam fins puramente lucrativos, agora o presidente as rotula como terroristas, tentando assumir o protagonismo da narrativa.
A manobra, contudo, vem acompanhada de uma retórica de defesa da soberania nacional, desenhada para desviar o foco da cooperação internacional e mirar na oposição — especificamente no senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) — que, em 24 horas, voltou a empatar com Lula nas medições de pesquisa no 2º Turno.
Lula o acusa de atuar contra os interesses do país. A tentativa de politizar uma medida que, segundo especialistas, poderia trazer tecnologia avançada e um cerco financeiro inédito contra o crime organizado, revela um governo mais preocupado com o controle da narrativa do que com a eficácia pragmática do combate ao narcoterrorismo e a infiltração do PCC e do CV em partidos como o próprio PT e ligações obscuras com integrantes do PSOL.
A insistência no STF e o recado ao Senado
Em outra frente de embate institucional, Lula dobrou a aposta ao confirmar que reenviará o nome do Advogado-Geral da União, Jorge Messias, para a vaga aberta no Supremo Tribunal Federal (STF).
A rejeição de Messias pelo Senado, lida pelo presidente como uma retaliação puramente política orquestrada por Davi Alcolumbre (UB-AP), expõe a fragilidade da articulação do Executivo no Legislativo.
Ao afirmar que “derrotar por derrotar” é inaceitável e reivindicar o respeito à função presidencial, Lula manda um recado direto aos senadores, tentando constranger publicamente seus adversários. No entanto, a retórica esbarra na dura realidade das regras parlamentares.
O muro regimental de 2026
Lula não perde a chance de insultar a inteligência do eleitor. A promessa de reconduzir Messias ao STF encontra um obstáculo intransponível no curto prazo: o Ato da Mesa nº 1 de 2010 do Senado Federal. A regra é clara ao vedar a reapreciação de uma indicação rejeitada na mesma sessão legislativa. Na prática, isso significa que o nome de Jorge Messias está bloqueado até fevereiro de 2027.
A insistência do presidente, ciente dessa limitação, serve mais para manter sua base mobilizada e sinalizar lealdade incondicional ao seu AGU do que como uma estratégia jurídica viável.
O Planalto parece disposto a deixar a cadeira da Suprema Corte vaga por mais tempo, transformando a indicação frustrada em um palanque antecipado para 2026.
Estatais, nostalgia e a fatura política
Completando o quadro de um governo focado em narrativas retrospectivas, as recentes declarações de Lula sobre estatais revelam um saudosismo intervencionista.
Ao criticar as privatizações da Eletrobras, BR Distribuidora e Sabesp, o presidente acena para sua base histórica, embora reconheça as amarras contratuais e financeiras que impedem qualquer reestatização.
O tom anedótico usado para alertar a presidente da Petrobras, Magda Chambriard, de que os erros da estatal recaem invariavelmente sobre o colo presidencial, ilustra a extrema personalização da gestão pública.
É um lembrete de que, no atual xadrez político, o Planalto busca centralizar os louros e terceirizar as responsabilidades, equilibrando-se de forma precária entre o pragmatismo econômico necessário e o discurso de palanque.
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O eleitor está cansado de ouvir tantas besteiras, mentiras e promessas falsas proferidas no palanque. Será que vai resolver aplicar o antídoto nas urnas?Val-André Mutran é repórter especial para o Portal Ver-o-Fato e está sediado em Brasília.
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