Em reunião ministerial, presidente afirma também já ter avisado Haddad que governo precisa falar em “investimento”, e não em despesas
Na primeira reunião ministerial de seu mandato – em que seus 37 ministros foram obrigados a entregar os celulares para não gravar a conversa -, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva pediu que a equipe aposente a palavra “gasto” de seu vocabulário. A portas fechadas, Lula afirmou que o único gasto aceito pelo mercado financeiro é o dos juros, mas destacou a importância da mudança desse discurso.
Lula foi taxativo: ” não adianta indicar somente técnicos e não conseguir votos suficientes nas votações do Congresso. “Muitos de vocês são resultado de acordos políticos. Não adianta a gente ter o governo mais tecnicamente formado em Harvard e não ter votos na Câmara dos Deputados”, disse o petista.
Entre os novos ministros fruto de acordos secretos de nomeação, estava o empresário paraense Jader Filho, irmão do governador Helder Barbalho e filho do senador Jader Barbalho. O Ministério das Cidades, hoje nas mãos de Jader Filho, é um saco de gatos de interesses de velhos caciques do MDB, dentre os quais o velho José Sarney e a filha, Roseana, que também dão as cartas na pasta supostamente nas mãos da família Barbalho.
“O governo tem de falar de investimento”, insistiu o presidente nesta sexta-feira, 6, segundo relatos de participantes da reunião, ao lembrar que deu essa orientação ao ministro da Fazenda, Fernando Haddad.
Pouco antes, Haddad havia dito que os gastos deste ano já estão contratados no Orçamento e pediu aos colegas cuidado para que não sejam feitas novas despesas, sob pena de corte. Argumentou, ainda, que todos os anúncios de medidas e programas devem levar isso em conta.
Diante de 37 ministros, na Sala Suprema do Palácio do Planalto, Lula assegurou que o governo não deixará de enfrentar a questão fiscal. Mais uma vez, porém, insistiu em que gasto social precisa ser encarado como investimento, e não como despesa.
O presidente repetiu ali trechos do que dissera na parte aberta da reunião. Sempre olhando para Haddad e para a ministra do Planejamento, Simone Tebet, Lula afirmou que o papel da equipe econômica é dizer que não tem dinheiro; o dos demais ministros é pedir recursos e o dele é o de arbitrar o impasse, na tentativa de descobrir uma brecha para arrumar verba.
Ao citar a vitória da Argentina na Copa do Mundo, o ministro da Casa Civil, Rui Costa, indicou como deve ser o trabalho da equipe. Na sua avaliação, o time do governo tem “muitos craques”, mas só será campeão se não fizer jogadas individuais. “Eu gosto muito de futebol”, avisou Costa, rindo.
Responsável pela articulação política do Planalto com o Congresso, o ministro da Secretaria de Relações Institucionais, Alexandre Padilha, repetiu palavras de Lula ao pedir que todos mantenham uma boa relação com o Legislativo.
Padilha disse que, diante de qualquer problema, é preferível um ministro tomar a iniciativa de ir ao Congresso do que esperar o problema virar uma crise, com possibilidade do constrangimento de uma convocação.
Participantes da reunião disseram não ter havido perguntas para a ministra do Turismo, Daniela Carneiro (União Brasil), desgastada após virem à tona suas relações políticas com acusados de chefiar milícias no Rio.
Recado duro
O discurso de Lula na abertura da reunião, porém, foi cheio de recados para os ministros. “Quem fizer errado sabe que tem só um jeito: a pessoa será simplesmente, da forma mais educada possível, convidada a deixar o governo. E, se cometer algo grave, a pessoa terá que se colocar diante das investigações e da própria Justiça”, afirmou o presidente.
Mesmo assim, Lula vestiu o figurino de “pai” sobre o qual havia se referido antes. “Estejam certos de que eu estarei apoiando cada um de vocês nos momentos bons e nos momentos ruins. Não deixarei nenhum de vocês no meio da estrada”, garantiu ele. (Do Ver-o-Fato, com informações do jornal O Estado de São Paulo.
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