Poucos jogadores conseguiram evoluir tanto em Copas do Mundo quanto Lionel Messi. Da promessa de 18 anos que marcou seu primeiro gol na Alemanha, em 2006, ao capitão campeão no Catar em 2022, o camisa 10 argentino chegou à Copa do Mundo de 2026 cercado por dúvidas sobre sua idade e condição física. Bastou uma partida para responder aos críticos e, mais uma vez, escrever seu nome na história do futebol.
Na estreia da Argentina diante da Argélia, em 16 de junho de 2026, Messi marcou os três gols da vitória por 3 a 0 e alcançou uma série de marcas históricas. Aos 38 anos, o argentino igualou o recorde de 16 gols em Copas do Mundo, pertencente ao alemão Miroslav Klose, tornou-se o primeiro jogador da história a disputar seis edições do Mundial e também o atleta mais velho a marcar um hat-trick na competição. A partida ainda coincidiu com sua 200ª atuação pela seleção argentina.
A atuação reforçou uma característica que acompanha Messi desde o início de sua carreira: a capacidade de reinventar seu jogo. Se nas primeiras Copas chamava atenção pela velocidade e pelos dribles curtos, hoje seu diferencial está na leitura de jogo, na precisão dos passes, na inteligência tática e na liderança dentro de campo. Mesmo com menos explosão física, continua sendo o principal organizador das ações ofensivas da Argentina.
Sua trajetória nos Mundiais é marcada por uma evolução constante. Em 2006, apareceu como uma jovem promessa ao marcar contra a Sérvia e Montenegro. Em 2010, viveu uma Copa sem balançar as redes, apesar de participar ativamente da campanha argentina. Quatro anos depois, no Brasil, assumiu definitivamente o protagonismo ao conduzir a equipe até a final e conquistar a Bola de Ouro da competição.
Na Rússia, em 2018, enfrentou talvez o momento mais difícil da carreira em Mundiais. A Argentina oscilou durante toda a competição e acabou eliminada nas oitavas de final pela França. Ainda assim, Messi mostrou sua capacidade de decidir jogos importantes e manteve viva a esperança da seleção.
A consagração definitiva veio em 2022, no Catar. Capitão da equipe comandada por Lionel Scaloni, Messi liderou uma campanha histórica que terminou com o tricampeonato mundial da Argentina. Além do título, encerrou o torneio como melhor jogador da competição e ampliou diversos recordes individuais, consolidando uma trajetória que muitos consideram suficiente para colocá-lo entre os maiores jogadores da história.
Chegar à Copa de 2026 já representava um feito extraordinário. Diversas análises publicadas antes do início do torneio apontavam que sua presença, aos 38 anos, seria mais simbólica do que decisiva, especialmente após um período de recuperação de uma lesão muscular. No entanto, o desempenho na estreia mostrou que a experiência pode compensar limitações físicas e que sua influência sobre o time permanece intacta.
Além dos recordes individuais, Messi continua impulsionando a Argentina em busca de outro objetivo histórico: conquistar títulos mundiais consecutivos, algo que nenhuma seleção masculina consegue desde o Brasil de 1958 e 1962. A manutenção da base campeã do Catar, aliada à liderança do camisa 10, mantém a equipe entre as favoritas ao título.
A repercussão internacional da atuação foi imediata. Veículos da Europa, América e Ásia destacaram que Messi transformou a estreia argentina em um espetáculo particular, reacendendo o debate sobre quem é o maior jogador de todos os tempos. Muitos também ressaltaram o novo duelo estatístico com Kylian Mbappé, que continua acumulando recordes em Copas do Mundo e desponta como o principal sucessor da geração liderada pelo argentino.
Independentemente do desfecho da Copa de 2026, Lionel Messi já ampliou um legado construído ao longo de duas décadas. O jovem que encantou o mundo em 2006 transformou-se em um líder capaz de redefinir seu próprio futebol, quebrar recordes e continuar decisivo na principal competição do esporte. Em uma carreira marcada por conquistas históricas, sua sexta participação em uma Copa do Mundo demonstra que alguns jogadores não apenas atravessam gerações: eles ajudam a definir cada uma delas.















