O Remo não fez uma grande partida, é verdade. Mas, mesmo sem apresentar criatividade durante boa parte do jogo e enfrentando dificuldades para transformar a vantagem numérica em domínio efetivo, arrancou um empate importante com o Novorizontino, fora de casa, por 1 a 1, e dorme dentro do G4. Um ponto que, resta reta final, do campeonato, vale ouro.
O time paulista entrou aceso. Logo aos primeiros minutos, pressionou a saída de bola azulina e criou as melhores oportunidades. Aos 8 de jogo, Tavinho fez boa jogada pela direita e cruzou para Waguininho, que, livre, só empurrou para o fundo do gol. Era o começo perfeito para o Tigre. Mas o sonho durou pouco.
Aos 12 minutos, Waguininho entrou com carrinho por trás em Marcelinho e foi expulso. O lance, além de mudar o roteiro do jogo, provocou a saída do lateral remista, que deixou o campo lesionado.
Com um jogador a menos, o Novorizontino passou a se fechar em um compacto 4-4-1, bem disciplinado. Do outro lado, o Remo tinha posse, mas esbarrava na falta de criatividade. Não conseguia infiltrar, acelerava pouco pelas pontas e praticamente não finalizava com perigo. A primeira etapa terminou com o Tigre confortável e o Leão preso no próprio plano de jogo.
Remo muda postura e empata na marra
No segundo tempo, Guto Ferreira mexeu: João Pedro entrou para dar mais presença ofensiva. A mudança acordou o Remo — o time “saiu da jaula”. Aos 15 minutos, Nico forçou jogada pela esquerda, cruzou para a área e, no bate-rebate, a bola desviou em Dantas (contra) e entrou. Tudo igual: 1 a 1.
A partir daí, o jogo virou trocação. Mesmo com dez, o Novorizontino não desistiu e voltou a levar perigo. Bruno José, em chute rasteiro aos 20, obrigou Marcelo Rangel a grande defesa no canto. Na sequência, nova jogada pela direita e Robson empurrou para as redes, mas o gol foi anulado por impedimento.
O Remo respondeu com Sávio: primeiro em cobrança de falta defendida com dificuldade por Jordi; depois, em outra batida, acertou a trave. Nos minutos finais, faltou fôlego. O empate ficou justo. O Leão não brilhou. Mas pontuou. E, na reta final da Série B, é isso que separa quem sobe de quem fica pelo caminho.
O Remo está no rumo certo. A torcida já pode começar a sentir o cheiro da Série A — está perto.
Como subir, o que falta?
Para o Remo subir, não precisa reinventar o futebol — precisa fazer o básico com eficiência e maturidade. Eis o que o Leão precisa fazer nos dois jogos restantes (Avaí ,fora, e Goiás, no Mangueirão):
Contra o Avaí – O jogo fora é o divisor de águas. Um empate já mantém o Remo vivo para decidir em casa — e uma vitória pode colocar o time a um passo do acesso.
O que fazer: Segurança defensiva acima de tudo
O Avaí deve vir para o tudo ou nada. O Remo não pode oferecer espaços como no jogo contra o Novorizontino. Linha compacta, evitar faltas próximas da área, e proteger a entrada da área (zona onde o Remo costuma sofrer). Contra-ataque como arma principal Janderson e Pedro Rocha têm velocidade. O jogo pede transição rápida. Não pode insistir apenas em cruzamentos — usar triangulações e infiltrações.
Gestão emocional e de tempo – Tranquilidade: um empate fora é ótimo resultado. Jogar com relógio, controlar ritmo, esfriar o jogo quando necessário.
Regra do jogo fora: Não precisa vencer a qualquer custo. Precisa não perder.
Contra o Goiás, no caldeirão do Mangueirão – O jogo em Belém será uma final de campeonato. O Remo precisa entrar para definir.
O que fazer: Protagonismo desde o primeiro minuto. Pressão alta. Finalizações. Ritmo intenso. Evitar o erro que virou padrão em casa. Não recuar depois de fazer gol. Não virar refém do nervosismo. Precisão nas bolas paradas. Trabalhar jogadas ensaiadas para aproveitar escanteios e faltas.
Guto Ferreira precisa repetir time e modelo de jogo. Nada de invenções. Mexer apenas por necessidade. Quem sobe não é o time que encanta — é o time que erra menos.
RAIO X DA PARTIDA
Série B — 35ª Rodada
Novorizontino 1 x 1 Remo
Estádio: Jorge de Biasi — Novo Horizonte (SP)
Público: 3.722 torcedores . Renda: R$ 59.410,00
Gols: Novorizontino — Waguininho, 8’ do 1º T. Remo — Dantas (contra), 15’ do 2º T
Cartões amarelos: Novorizontino — Lucca, Robson, Jordi e Luís Oyama; Remo — Nathan Camargo e Kayky Almeida
Expulsão: Waguininho (Novorizontino)
Novorizontino: Jordi; Rodrigo Soares, César Martins, Dantas e Mayk; Luís Oyama, Fabio Matheus e Rômulo (Bruno José); Lucca (Robson), Waguininho e Tavinho (Léo Tocantins). Técnico: Enderson Moreira.
Remo: Marcelo Rangel; Marcelinho (Pedro Costa, depois Janderson), Klaus, Kayky Almeida e Jorge (Sávio); Pedro Castro, Nathan Camargo (João Pedro) e Tachtsidis (Nathan); Jáderson, Pedro Rocha e Nicolás Ferreira. Técnico: Guto Ferreira.
MELHORES MOMENTOS E GOLS















