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Home Cultura

Landi ter mudado da Itália para a Amazônia ainda intriga europeus

Oswaldo Coimbra por Oswaldo Coimbra
30/06/2026
in Cultura
Landi ter mudado da Itália para a Amazônia ainda intriga europeus

Ilustração: a igreja do Convento dos Agostinhos, única construção planejada por Landi, na Itália

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Em Bolonha, Antonio Giuseppe Landi, com quase 40 anos de idade, desfrutava dos privilégios reservado a quem tinha carreira de acadêmico e professor de Arquitetura, num dos mais importantes centros culturais da Europa, no século XVIII.

Estes privilégios de Landi, certamente, teriam sido ampliados, quando, ele assinou seu primeiro contrato como construtor.

A ele caberia levantar uma nova igreja em Cisena, pequena e antiquíssima cidade italiana, fundada há mais de 2.500 anos.

O templo pertencia ao Convento Agostinho de Cesena.

Sua estabilidade havia sido comprometida por um terremoto, ocorrido no século anterior.

Landi chegou a preparar o projeto da sua reconstrução.

E, numa antecipação do prestígio de que ele iria gozar com aquela obra, seu projeto foi submetido ao arquiteto pontifício Luigi Vanvitelli. E, ele o aprovou.

Não era pouca coisa.

Porque Vanvitelli era respeitado por realizações de obras relevantes.

Como, entre outras, as de estabilização da parte superior, esférica, da Basílica de São Pedro, quando nela surgiram rachaduras.

A ele coube, ainda, produzir as obras complexas dos afrescos na capela de Santa Cecília, em Trastevere.

Porém, foi exatamente neste ponto auspicioso de sua carreira, na Itália, que Landi decidiu interrompê-la bruscamente.

Deixando para Vanvitelli a tarefa de reconstruir aquela igreja, segundo o projeto que ele tinha elaborado.

Para internar-se no inóspito sertão da Amazônia, daquele período, quando a metade de sua vida já havia transcorrido.

Na Amazônia, ele assumiu a função de mero desenhista numa comissão organizada por Portugal para demarcar os limites de suas possessões na região, àquela altura, em negociações com outro império, o da Espanha, também dono de terras no continente.

Hoje, uma consequência da espécie de suicidio profissional que Landi cometeu, então, na Itália, pode ser visto na internet.

Onde, dos textos postados sobre a igreja do Convento Agostinho de Cesena, seu nome foi eliminado.

Nestes textos consta que a aparência atual daquele templo remonta a 1748, sem menção ao fato de que no mesmo período Landi elaborou seu projeto.

Os textos registram que o interior da igreja possui planta basilical e uma única nave com três capelas de cada lado.

E que o projeto de sua fachada, atribuído a Luigi Vanvitelli, permaneceu inacabada, sem os revestimentos de mármore planejados.

No entanto, nos últimos 70 anos, tem se mantido um interesse por Landi, nas universidades da Itália, e, de Portugal.

Mas, a decisão dele de vir para nossa região continua a desafiar, na Europa, a capacidade de compreensão dos estudiosos da sua biografia e de sua produção artística.

Alguns pesquisadores reconstituiram aquela fase da vida dele para mostrar que, aparentemente, não havia razão alguma para Landi se sujeitar às provações pelas quais ele passou na Amazônia.

A família e a carreira de Landi em Bolonha

Landi nasceu, em 1713, em Bolonha, quando a cidade já era um dos centros universitários de maior prestígio na Europa.

Naquela fase, a Europa atravessava um processo de renovação de idéias, desencadeado pela Revolução Industrial e pelo Iluminismo.

Giancarlo Roversi, jornalista, professore escritor e editor profissional, lembra no livro “Amazônia Felsinea” que o pai de Landi, também chamado de Antônio Landi, era um ilustre doutor em Filosofia e Medicina, docente da Universidade de Bolonha.

Sua mãe, Tereza, pertencia a uma família, Guglielmini, composta de pessoas cultas e famosas.

Aos 17 anos de idade, Landi já freqüentava a respeitada Academia Clementina.

Lá, iria se tornar o aluno predileto de Ferdinando Bibiena, membro de uma família de construtores de grandes teatros da Europa.

Com 19 anos, Landi ficou em segundo lugar, entre os alunos que receberam prêmios de Arquitetura, com uma série de desenhos das portas urbanas de Bolonha elaborados por ele.

Com 23 anos, ficou em primeiro lugar.

Maria Delbianco, pesquisadora italiana, autora do livro “A Sede Histórica do Monte di Pietà em Bolonha”, e, sua colega, Silvia Medee, escreveram também em “Amazônia Felsinea”, o seguinte:

Aquela série de desenhos de Landi é “uma das mais felizes reinterpretações da tipologia arquitetônica da porta urbana do século XVIII”.

Esta afirmação delas foi reforçado por outra pesquisadora, Isabel Mayer Godinho Mendonça, da Escola Superior de Artes Decorativas de Lisboa.

Segundo Mendonça, Landi realmente ficaria associado em Bolonha, às suas gravuras e àqueles seus desenhos dos mais importantes edifícios construídos nesta cidade, nos séculos XV e XVI.

Como 24 anos de idade, Landi foi nomeado membro da Academia Clementina.

E, aos 29 anos iniciou carreira de professor de Arquitetura.

Sua vinda para a Amazônia foi, portanto, um suicídio profissional?

Não. Mas, foi um rito de passagem, sofrido e perigoso, a que ele quis se submeter, deixando acadêmicos europeus desconcertados, intrigados e perplexos até hoje.

Com o qual, é verdade, depois, conseguiu sua ascensão artística em Belém.

Esta terrível fase de provações pareceu dividir pelo meio a vida pessoal de Landi, dotando-o de uma dupla existência.

Pois, ao se aventurar a fazer trabalhos técnicos pelo sertão amazônico setecentista, ele se expôs a infindáveis tipos de perigos.

Desde as picadas de carapanãs, muriçoca, piuns, mutucas, tocandiras, formigas-de-fogo, até mordidas de morcegos e candirus, e, calor intenso.

Em particular, os europeus ainda sofriam fome, por falta de comida que atendessem seus hábitos alimentares.

Frequentemente, eles eram atingidos por tremedeiras de febres provocadas por malária.

Um dos companheiros de Landi, na comissão de demarcações de limites, o capitão engenheiro português Gregório Rabelo Carvalho, mal conseguiu chegar à Amazônia.

Em Belém, ele entregou uma petição ao governador do Gram-Pará e chefe dos demarcadores, Francisco Xavier de Mendonça Furtado.

Nela, pleiteou seu regresso imediato à metrópole portuguesa.

Apoiado numa certidão médica, ele alegou que estava tendo perdas de sangue pela boca.

Perda de sangue semelhante teve outro companheiro de Landi, na comissão, o engenheiro-militar e desenhista alemão João André Schwebel.

O pai da esposa de Schwebel, Adão Leopoldo de Breunning também engenheiro-militar alemão, morreu, no Rio Negro.

O naturalista Alexandre Rodrigues Ferreira, no mesmo período, foi vítima de doenças, ainda em Belém, quando no vigor físico de seus 28 anos de idade, iniciou a missão de estudos e pesquisas na Amazônia, dada a ele, pela corte de Portugal.

Depois, ao avançar em sua longa viagem pela região, teve febres tão fortes no Rio Içana que o levaram diversas vezes ao delírio.

Freqüentemente, Ferreira sentia dores no estômago.

E, quando ele chegou ao Rio Paraguai, voltou a adoecer desta vez com maior gravidade ainda.

Além de Breunning, morreram no interior da Amazônia, em curto período de tempo, dois companheiros de expedição de Alexandre Ferreira.

O desenhista português Joaquim José Codina, no Rio Jauru.

E, o jardineiro-botânico Agostinho José do Cabo.

Outro engenheiro-militar português, Simões de Carvalho, morreu, quando viajava de barca a fim de tomar posse como governador da capitania do Rio Negro.

Os riscos sofridos por Landi

Landi escapou de doenças, no sertão da Amazônia.

Mas não de um seqüestro no qual também poderia ter morrido, ocorrido, numa das freqüentes crises de autoridade por que passou o governo colonial, no Gram-Pará.

Ele se tornou refém de 120 soldados que se rebelaram, em Mariuá, por não receberem seus salários.

A vida de Landi, naquela ocasião, só foi salva porque o arquiteto dispunha de 650 mil réis, e, usou este dinheiro para pagar salários dos militares.

Um risco ainda muito maior, Landi iria correr, em outro instante.

Ao ser integrado, na cidade de Mariuá, a uma expedição militar, por ordem do chefe da Comissão de Demarcações de Limites, o governador Mendonça Furtado.

A expedição se destinou à busca de índios para os trabalhos da comissão, no interior da capitania do Rio Negro.

Landi escapou milagrosamente de ser morto por uma tribo.

Mas não foi poupado de grandes vexames e constrangimentos, no período de mais agudo sofrimento do processo de adaptação dos membros da comissão à realidade amazônica.

Como o de ser tratado com grosseria por Mendonça Furtado, que, depois se tornaria seu amigo e protetor.

Mas, porque se dispôs a suportar tantos riscos e ofensas, Landi, por fim, pôde ganhar a confiança de Mendonça Furtado e se instalar em Belém, começando, então, a construir as obras de que a cidade se orgulha hoje.

No Pará, Landi se casou. E aqui viveu quase outros 40 anos.

Em Belém, morreu e foi enterrado.

Mas, esta escolha da Amazônia, feita por Landi, em detrimento de sua terra natal, às vezes, gera algo pior do que incompreensão.

Porque tem sido vista por alguns estudiosos dentro de um ângulo que os leva às raias de um desagradável discurso preconceituoso.

Como ocorreu com dois outros colaboradores do livro “Amazônia Felsinea”, Augusto Titarelli e Mauro Bondi.

Eles, traçaram uma comparação entre a Amazônia e o Mediterâneo, de onde provieram Landi e seus companheiros de comissão de demarcações, mostrando nossa região em situação quase sempre desfavorável, nos itens relativos a aspectos físicos e geográficos.

E concluíram assim:

“Do ponto de vista das características humanas as diferenças são ainda mais marcantes.

A região mediterrânea se apresenta como a pátria da cultura urbana, das leis e das artes, tendo assistido a passagem de muitas civilizações extremamente ricas.

Nada disso, ocorre na Amazônia onde os nativos tem uma cultura material mais simples, embora houvesse uma grande diversidade cultural e lingüística”.

Segundo os dois autores, o homem mediterrâneo “crê em sua sorte, em sua estrela, em sua superioridade”.

Outros pesquisadores, como Isabel Mendonça apelaram para explicações simplistas.

Segundo Isabel, a atitude central e definitiva da vida de Landi, tomada ao decidir sair de Bolonha para viver na Amazônia, se deu como um “natural desejo de mudança” e, ainda como um “natural desejo de conhecer um novo continente”.

Uma única pesquisadora venceu seu eurocentrismo e admitiu abertamente que Landi permaneceu naquela longínqua colônia portuguesa – o Gram-Pará – porque nela encontrou condições mais favoráveis para alcançar o apogeu de sua criatividade.

Foi Anna Maria Matteucci Armandi, professora emérita da Universidade de Bolonha.

Em seu artigo para o livro “Amazônia Felsínea” ela reconhece que “como aconteceu com tantos outros jovens” foi necessário a Landi, “deixar Bolonha, uma cidade tão carente de oportunidades”.

Certamente, ela se referia à falta de oportunidades para quem quisesse se projetar como grande construtor, num centro cultural importante da Europa.

(Ilustração: a igreja do Convento dos Agostinhos, única construção planejada por Landi, na Itália)

Decision to Leave Italy for the Amazon Still Puzzles Europeans

In Bologna, at nearly forty years of age, Antonio Giuseppe Landi enjoyed the privileges reserved for those who had established themselves as scholars and professors of Architecture in one of eighteenth-century Europe’s foremost cultural centers.

Those privileges would almost certainly have increased when he signed his first contract as a builder.

He had been commissioned to construct a new church in Cesena, a small and ancient Italian city founded more than 2,500 years ago.

The church belonged to the Augustinian Convent of Cesena.

Its structural stability had been compromised by an earthquake that had struck the city during the previous century.

Landi went so far as to prepare the reconstruction project.

As an early indication of the prestige this commission was expected to bring him, his design was submitted to the papal architect Luigi Vanvitelli, who approved it.

That was no small distinction.

Vanvitelli was already renowned for major architectural achievements.

Among them was the stabilization of the great dome of St. Peter’s Basilica after dangerous cracks had appeared in its structure.

He was also responsible for the highly complex fresco work in the Chapel of Saint Cecilia in Trastevere.

Yet it was precisely at this promising stage of his career in Italy that Landi made the abrupt decision to abandon it.

He left to Vanvitelli the task of rebuilding the church according to the plans he himself had drawn.

Instead, he ventured into the inhospitable Amazonian wilderness at a time when half of his life had already passed.

In the Amazon, he accepted the modest position of draftsman on a commission organized by Portugal to demarcate the boundaries of its possessions in the region, then under negotiation with another empire, Spain, which also controlled vast territories on the South American continent.

Today, one consequence of what amounted to a kind of professional suicide on Landi’s part can easily be seen on the internet.

In online accounts of the Church of the Augustinian Convent of Cesena, his name has disappeared altogether.

These texts merely state that the church assumed its present appearance in 1748, without mentioning that it was Landi who prepared its reconstruction project during that same period.

They describe the church as having a basilica floor plan with a single nave flanked by three chapels on each side.

They also note that the façade—attributed to Luigi Vanvitelli—was never completed, remaining without the marble cladding originally intended.

Nevertheless, over the past seventy years, Landi has continued to attract scholarly interest at universities in both Italy and Portugal.

Even so, his decision to leave Europe for the Amazon continues to challenge the understanding of European scholars who study both his life and his artistic legacy.

Some researchers have painstakingly reconstructed this period of his life in an attempt to demonstrate that, apparently, there was no compelling reason for Landi to subject himself to the hardships he would endure in the Amazon.

Landi’s Family and Career in Bologna

Landi was born in Bologna in 1713, at a time when the city was already one of Europe’s most prestigious centers of higher learning.

During this period, Europe was undergoing an intellectual transformation driven by the Industrial Revolution and the Enlightenment.

In the book Amazônia Felsinea, journalist, professor, writer, and editor Giancarlo Roversi recalls that Landi’s father, also named Antonio Landi, was a distinguished Doctor of Philosophy and Medicine and a professor at the University of Bologna.

His mother, Teresa, belonged to the Guglielmini family, a lineage renowned for its cultured and prominent members.

By the age of seventeen, Landi had already been admitted to the prestigious Clementine Academy.

There, he became the favorite pupil of Ferdinando Bibiena, a member of the celebrated family responsible for designing many of Europe’s great theaters.

At nineteen, Landi was awarded second prize in Architecture for a remarkable series of drawings depicting Bologna’s city gates.

At the age of twenty-three, he won first prize.

Maria Delbianco, the Italian scholar and author of The Historic Headquarters of the Monte di Pietà in Bologna, together with her colleague Silvia Medee, wrote in Amazônia Felsinea that Landi’s series of drawings constituted “one of the finest reinterpretations of the eighteenth-century architectural typology of the urban gate.”

Their assessment was reinforced by another scholar, Isabel Mayer Godinho Mendonça, of the Lisbon School of Decorative Arts.

According to Mendonça, Landi became closely associated in Bologna with his engravings and with the drawings he produced of the city’s most important fifteenth- and sixteenth-century buildings.

At the age of twenty-four, he was elected a member of the Clementine Academy.

Five years later, at twenty-nine, he began his career as a professor of Architecture.

Was his decision to come to the Amazon, then, an act of professional suicide?

No. Rather, it was a painful and dangerous rite of passage that he deliberately chose to undergo—a decision that has left European scholars bewildered, intrigued, and perplexed to this day.

Yet it was precisely through this experience that he ultimately achieved his artistic ascent in Belém.

This harrowing period of trials seems to have divided Landi’s personal life into two distinct halves, giving him, in a sense, a double existence.

By venturing into the eighteenth-century Amazonian wilderness to carry out technical work, he exposed himself to countless dangers.

These ranged from the bites of mosquitoes, black flies, sand flies, horseflies, giant tropical ants, and fire ants, to attacks by vampire bats and candiru fish, not to mention the relentless tropical heat.

Europeans, in particular, often suffered from hunger because they could not obtain food compatible with their customary diet.

They were also frequently stricken with violent bouts of malaria-induced fever.

One of Landi’s companions on the Boundary Demarcation Commission, the Portuguese military engineer Captain Gregório Rabelo Carvalho, barely managed to reach the Amazon.

Once in Belém, he submitted a petition to the Governor of Grão-Pará and head of the demarcation commission, Francisco Xavier de Mendonça Furtado.

In it, he requested immediate permission to return to Portugal.

Supported by a medical certificate, he claimed that he had begun coughing up blood.

Another member of the commission, the German military engineer and draftsman João André Schwebel, suffered from the same alarming symptom.

Schwebel’s father-in-law, the German military engineer Adão Leopoldo de Breunning, died on the Rio Negro.

During the same period, the naturalist Alexandre Rodrigues Ferreira also fell ill while still in Belém, shortly after beginning, at the age of twenty-eight and in the prime of his life, the scientific expedition through the Amazon entrusted to him by the Portuguese Crown.

As he advanced deeper into the region, he suffered such severe fevers on the Içana River that they repeatedly drove him into delirium.

He was also plagued by persistent stomach pains.

Later, upon reaching the Paraguay River, he fell gravely ill once again, this time even more seriously.

Besides Breunning, two other members of Alexandre Ferreira’s expedition died in the Amazonian interior within a short period.

One was the Portuguese draftsman Joaquim José Codina, who died on the Jauru River.

The other was the botanist and gardener Agostinho José do Cabo.

Another Portuguese military engineer, Simões de Carvalho, died while traveling by riverboat to assume the governorship of the Captaincy of Rio Negro.

The risks faced by Landi

Landi, however, escaped illness during his years in the Amazonian wilderness.

Landi, however, did not escape being kidnapped—an ordeal that could also have cost him his life during one of the frequent crises of authority that afflicted the colonial government of Grão-Pará.

He was taken hostage by 120 soldiers who had mutinied in Mariuá after going unpaid.

On that occasion, Landi survived only because he happened to have 650,000 réis at his disposal and used the money to pay the soldiers’ overdue wages.

An even greater danger, however, still lay ahead.

While in Mariuá, he was ordered by the head of the Boundary Demarcation Commission, Governor Mendonça Furtado, to join a military expedition.

The expedition’s mission was to capture Indigenous people to work for the commission in the interior of the Captaincy of Rio Negro.

Landi narrowly escaped being killed by an Indigenous tribe.

Yet he was not spared the humiliation and hardship that marked the most difficult period in the commission members’ adaptation to the realities of the Amazon.

Among the indignities he endured was being treated with harshness by Mendonça Furtado himself, who would later become both his friend and protector.

By willingly facing so many dangers and affronts, Landi ultimately earned Mendonça Furtado’s confidence and was able to settle in Belém, where he began creating the architectural works that the city still takes pride in today.

In Pará, Landi married and lived for nearly another forty years.

He died in Belém, where he was also buried.

Yet Landi’s decision to choose the Amazon over his native land has sometimes provoked something even more troubling than mere incomprehension.

Some scholars have interpreted that choice through a perspective that borders on an unfortunate form of cultural prejudice.

Such was the case with two other contributors to the book Amazônia Felsinea, Augusto Titarelli and Mauro Bondi.

They compared the Amazon with the Mediterranean world, from which Landi and his fellow members of the demarcation commission had come, portraying the Amazon as almost invariably inferior in terms of its physical and geographical characteristics.

They concluded:

“From the standpoint of human characteristics, the differences are even more striking.

The Mediterranean region stands as the cradle of urban culture, laws, and the arts, having witnessed the rise and passage of numerous extraordinarily rich civilizations.

Nothing comparable occurred in the Amazon, where the native peoples possessed a simpler material culture, despite the region’s remarkable cultural and linguistic diversity.”

According to the two authors, Mediterranean man “believes in his destiny, in his guiding star, and in his own superiority.”

Other scholars, such as Isabel Mendonça, have also resorted to rather simplistic explanations.

According to her, the decisive turning point in Landi’s life—his decision to leave Bologna and settle in the Amazon—stemmed from a “natural desire for change” and from a “natural desire to discover a new continent.”

Only one scholar managed to overcome this Eurocentric perspective and openly acknowledged that Landi remained in that distant Portuguese colony—Grão-Pará—because it offered him more favorable conditions for reaching the height of his creative powers.

That scholar was Anna Maria Matteucci Armandi, Professor Emerita at the University of Bologna.

In her contribution to Amazônia Felsinea, she recognizes that, “as happened to so many other young people,” Landi found it necessary “to leave Bologna, a city so lacking in opportunities.”

She was undoubtedly referring to the limited opportunities available to anyone aspiring to establish himself as a great architect and builder within one of Europe’s foremost cultural centers.

(Illustration: The Church of the Augustinian Convent, the only building designed by Landi in Italy.)

Tags: Antonio Landi
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