O primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer, anunciou nesta segunda-feira (22) que deixará o cargo, encerrando um período marcado por crescente pressão política dentro do Partido Trabalhista. O comunicado foi feito à imprensa em frente à sede do governo britânico, e a expectativa é que um novo líder assuma a chefia do governo até o retorno do Parlamento, em setembro.
Durante o pronunciamento, Starmer informou que conversou com o rei Charles III na manhã desta segunda-feira e afirmou que deseja conduzir uma transição de poder tranquila e organizada. Segundo ele, o processo para a indicação de candidatos à sucessão deverá começar em 9 de julho.
“Permanecerei no cargo até o término da disputa e farei tudo o que estiver ao meu alcance para garantir uma transição de poder ordenada. Darei total apoio ao meu sucessor”, declarou.
A saída de Starmer ocorre após meses de questionamentos sobre sua permanência na liderança do Partido Trabalhista. A pressão interna vinha se intensificando gradualmente e, nos últimos dias, ganhou ainda mais força.
No sábado (20), o jornal The Observer já havia antecipado que o primeiro-ministro pretendia renunciar. Segundo a publicação, Starmer chegou à conclusão de que sua posição já não era sustentável após uma série de conversas com ministros do gabinete, assessores, doadores e líderes sindicais.
Com a renúncia, o Reino Unido passará a ter seu sétimo chefe de governo em apenas dez anos, evidenciando um período de intensa instabilidade política no país.
Além de comunicar sua saída, o premiê informou que solicitará ao comitê executivo nacional do Partido Trabalhista a definição de um cronograma para a escolha de seu sucessor.
Em tom de despedida, Starmer afirmou que continuará apoiando a legenda e destacou o legado que acredita deixar para o país.
O líder trabalhista declarou que o partido agora “herdará uma Grã-Bretanha mais forte e justa do que aquela que herdei há dois anos”.
Ele também agradeceu colegas, amigos e servidores públicos pelo trabalho realizado ao longo de sua gestão e revelou o desejo de dedicar mais tempo à vida familiar.
“Quero ser o melhor marido possível para minha fantástica esposa e o melhor pai para meus lindos filhos, que são meu orgulho. A questão que meu partido faz agora é se sou a melhor pessoa para nos conduzir à próxima eleição geral. Ouvi a resposta do meu partido parlamentar e a aceito com humildade.”
Pressão aumentou após avanço de rival interno
A crise política enfrentada por Starmer ganhou novos contornos nesta semana após o fortalecimento de seu principal rival dentro do Partido Trabalhista, Andy Burnham.
Na quinta-feira (19), Burnham conquistou uma cadeira no Parlamento britânico, movimento que abriu caminho para um possível desafio à liderança do primeiro-ministro.
A vitória foi vista por parlamentares trabalhistas como uma oportunidade de renovação para o partido. Conhecido por suas habilidades de comunicação, Burnham passou a ser considerado por integrantes da legenda como alguém capaz de revitalizar a sigla, que perdeu apoio sob a liderança de Starmer.
Apesar da pressão crescente, o primeiro-ministro ainda demonstrava resistência à possibilidade de deixar o cargo há poucas semanas.
Em 18 de maio, Starmer afirmou publicamente que seu tempo à frente do governo não havia terminado e garantiu que não pretendia abandonar a função.
“Não vou desistir”, disse Starmer.
Questionado na ocasião sobre a possibilidade de seu mandato como primeiro-ministro estar chegando ao fim, ele negou.
“Precisamos mostrar que podemos reverter a situação”, comentou o político.
Como será escolhido o novo líder
O processo para a escolha do sucessor de Starmer seguirá as regras internas do Partido Trabalhista.
Qualquer candidato interessado em disputar a liderança precisará reunir o apoio de 20% dos parlamentares trabalhistas. Como o partido possui atualmente 403 cadeiras no Parlamento, isso significa obter o respaldo de 81 parlamentares, incluindo o próprio candidato.
Além desse requisito, os postulantes deverão alcançar níveis mínimos de apoio junto às organizações de base do Partido Trabalhista e também de entidades filiadas, como sindicatos.
Caso apenas um nome consiga atingir o número necessário de apoios, não haverá votação. Nessa situação, o candidato será eleito sem oposição para a liderança do partido e, consequentemente, assumirá o cargo de primeiro-ministro.
Entretanto, se mais de um candidato preencher todos os requisitos exigidos, a definição ocorrerá por meio de uma votação envolvendo todos os membros e afiliados do Partido Trabalhista.
Até que o processo seja concluído, Keir Starmer permanecerá no cargo, conduzindo a administração do governo britânico durante o período de transição.














