A execução brutal de Taysso Rodrigues Baia, 25 anos, encontrada na manhã de ontem (8), na Estrada Icuí-Guajará, em Ananindeua, aponta mais uma vez o avanço do crime organizado na Região Metropolitana de Belém. O corpo estava decapitado e trazia, cravada no peito com um objeto cortante, a inscrição “X9” — gíria usada por facções para rotular supostos informantes. A cena é típica de execuções usadas como mensagem de terror.
Taysso havia saído na noite anterior para comprar itens para um churrasco que faria com a mãe. Não voltou para casa. Horas depois, um policial militar relatou que o irmão do jovem procurou a Delegacia da Cidade Nova para registrar o desaparecimento. Quando os agentes exibiram a foto do corpo localizado à família, veio a confirmação: era Taysso.
A Polícia Civil informou que a vítima tinha passagem anterior por tráfico de drogas, o que fortalece a principal linha de investigação: um acerto de contas. A decapitação e o recado no peito indicam que o crime foi cometido como advertência pública, um método típico de facções que disputam território e “disciplina” dentro do tráfico.
Equipes da Polícia Militar isolaram a área e acionaram a Polícia Científica, que recolheu o corpo e iniciou a perícia. Câmeras de segurança e depoimentos de moradores devem ajudar a identificar autores e motivação. Até o momento, ninguém foi preso.
Em nota oficial, a Polícia Civil afirmou que “as diligências iniciais foram realizadas pela Divisão de Homicídios (DH) e a investigação seguirá com a Seccional que atende à área. Perícias foram solicitadas e testemunhas são ouvidas para auxiliar nas investigações e identificar os envolvidos.”
O recado das facções
Casos como esse não são apenas homicídios — são demonstrações de poder. A região metropolitana de Belém vive, há anos, uma disputa silenciosa entre facções rivais que se estende para bairros periféricos de Ananindeua e Marituba. Quando o Estado falha em oferecer presença constante e serviços básicos, quem ocupa o vazio são os grupos criminosos que passam a controlar comunidades, impor regras e punir quem consideram “traidor”.
A inscrição “X9” funciona como sentença e aviso: “Quem falar, morre.” Esse tipo de execução pública não é improvisada. É estratégia de dominação.
A violência extrema tem sido cada vez mais usada para marcar território e garantir silêncio. A disputa entre facções pelo controle do varejo de drogas na Grande Belém cresce com a mesma velocidade com que diminui a presença do Estado nas áreas periféricas. Enquanto isso, moradores vivem entre o medo e a omissão do poder público.
A morte de Taysso é mais um alerta: as facções não estão apenas cometendo crimes — estão construindo poder. E onde o crime organizado prospera, a vida humana perde valor.















