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Home Cultura

Jovem companheiro de Landi se tornou poeta épico

Oswaldo Coimbra por Oswaldo Coimbra
01/07/2026
in Cultura
Jovem companheiro de Landi se tornou poeta épico

Ilustração: A obra de Wilckens, publicada pela Valer, editora de Manaus

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Os cerca de dez técnicos contratados, no início dos anos de 1750, para demarcarem as terras de Portugal na Amazônia eram todos, como Antonio Landi, profissionais experientes e respeitados.

Eram, sobretudo, engenheiros-militares e astrônomos, contratados na Itália, na Alemanha, e, em Portugal mesmo.

A chegada do grupo em Belém, “iria, de maneira singular, elevar o nível intelectual da cidade”, diz Germain Bazin, em “L’Architecture religieuse baroque au Brésil”.

Isto apenas seis anos depois de ter sido fundada, em Paris, a primeira escola de Engenharia Civil.

Mas, entre aqueles prestigiados profissionais, veio de Portugal para a Amazônia, também, Henrique João Wilckens, um jovem inexperiente, que era enteado do farmacêutico da Rainha-Mãe, Maria Ana Josefa Antónia Regina de Habsburgo.

E foi integrado à comissão por ordem do rei, dom José I.

O governador do Gram-Pará, Francisco Xavier de Mendonça Furtado deve ter logo se convencido de que cuidando bem dele agradaria ao Rei e à Rainha-Mãe.

Assim, inicialmente, fez dele soldado de sua força militar.

Depois, percebendo que ele tinha conhecimentos de Geometria, pediu a um dos engenheiros-militares da comissão que o encaminhasse na sua profissão.

O rapaz contudo não se mostrou inteiramente disposto a obedecer as ordens que o engenheiro-militar lhe dava.

Furtado, então, encarregou o padre astrônomo Inácio Sanmartoni de dar-lhe formação.

O padre levou-o para o Colégio dos jesuítas e lá ele iria se aplicar muito no estudo de Geometria.

Naquele mês de março de 1754, Furtado resolveu ajudar o rapaz a conseguir o cargo com que sonhava: o de ajudante de Engenheiro.

Como atribuição do cargo era também uma função exclusiva do Rei, Furtado escreveu, no dia 8, a seu meio-irmão, o Marquês de Pombal, Secretário de Estado do Reino de Portugal, para informá-lo sobre a aspiração do rapaz.

A carta surtiu o efeito desejado por ele, como se pode observar em outra correspondência de Mendonça Furtado enviada a Pombal, no mês de julho do ano seguinte.

Nela, pela primeira vez, naquela correspondência entre dois figurões, apareceu explícitamente o nome do rapaz.

Furtado escreveu:

“Em observância da ordem de Sua Majestade, expedida em uma das cartas de V. Exa., datada de 15 de março, mandarei logo passar patente de Ajudante-Engenheiro a Henrique Wilckens, que, na verdade, me parece, é um moço com boas disposições para se aproveitar”.

O padre Inácio continuava a fornecer formação profissional a Wilckens, cobrando dele muita aplicação.

Obtida pelo rapaz a nomeação para o cargo a que aspirava, Furtado quis mais uma vez lhe ser útil.

Abordou, então, na mesma carta a Pombal, a questão da remuneração dele.

Disse, mencionando a morte da Rainha Mãe, protetora de Wilckens:

“Como não vejo a sua petição não lhe posso declarar mais que o soldo ordinário de dez-mil réis.

E, quando Sua Majestade lhe queira fazer a mercê de que seja reputado, como os mais estrangeiros.

Sendo servido, me pode mandar declarar, cuja graça ele pode esperar da real grandeza do mesmo Senhor.

Atendendo assim ao seu desamparo como à altíssima proteção que tinha na recomendação que V. Exa. me diz da Exma. Senhora Rainha-Mãe, que está em glória”.

A originalidade da carreira de Wilckens

Assim, entre todos os técnicos integrantes da primeira fase da Comissão de Demarcações, o que teve a mais curiosa das carreiras foi, sem dúvida, Wilckens.

A originalidade de sua trajetória já aparecia na situação em que ele veio para o Pará, a de simples acompanhante dos técnicos, sem nenhuma qualificação profissional.

Outra peculiaridade de sua carreira, foi a de ter se tornado, anos depois, um profissional da área de engenharia-civil, cuja formação na área da Geometria, ele recebeu, em Belém, através de um padre astrônomo, Sanmartoni.

Seu primeiro salário, quando ele conseguiu, por fim, o título de ajudante de Engenheiro, foram modestíssimos 10 mil réis, a vigésima parte da média salarial dos técnicos da comissão de demarcações de limites.

Mas, a partir deste ponto inicial de sua carreira, ao longo das mais de quatro décadas de sua permanência na Amazônia, Wilckens, numa escalada incessante, chegou ao posto de Tenente Coronel Engenheiro.

E tornou-se Comissário, na segunda fase da Comissão de Demarcações, com salário de 380 mil réis.

E mais: também se tornou uma figura histórica da Literatura Brasileira.

Como o artista que produziu o primeiro poema épico sobre a Amazônia.

Na segunda fase da comissão, ele, como engenheiro-militar, inicialmente atuou no Rio Negro.

Posteriormente, recebeu a incumbência de dar continuidade às obras do Forte de Macapá, iniciadas por Antonio Henrique Galluzzi, outro companheiro de Landi, na primeira fase da comissão.

Em fevereiro de 1781, já como Sargento-Mor de Artilharia, “com exercício de Engenheiro”, e, Segundo Comissário da Quarta Divisão de Limites, Wilckens realizaria uma viagem ao Rio Japurá, como informa Manuel Barata, em “Formação Histórica do Pará”.

Sobre esta viagem, ele posteriormente escreveria um “Diário”.

Nesta altura, o engenheiro-militar já casara, havia muito tempo.

Logo, seus descendentes, como aconteceria com Landi, se encarregariam de tornar sua história pessoal parte da do Gram-Pará.

Sua filha, Joanna Wilckens, casada com Severiano Euzébio de Mattos, lhe daria quatro netos.

Um deles, João Henrique de Mattos, nascido no Rio Negro, em 1784, como Capitão de Artilharia, seria eleito em 15 de agosto de 1823, membro do Governo Provisório do Estado.

Casado com Joanna Gualberto de Mattos, João de Mattos, por sua vez, deu um bisneto e quatro bisnetas a Wilckens.

Uma destas bisnetas, Joanna Wilckens de Mattos, se casou com um primo, João Wilckens de Mattos.

O qual ao receber um título de nobreza, faria com que mais uma vez a biografia de Wilckens se ligasse à vila, onde ficou sediada a Comissão de Demarcações de Limites, Mariuá.

Quando faleceu, no dia 8 de agosto de 1857, o neto de Wilckens, João Henrique, além de ocupar o cargo de Tenente-Coronel reformado, se tornara ainda Comendador da Ordem de S. Bento de Aviz e Cavaleiro da Ordem do Cruzeiro.

Dois outros netos do engenheiro-militar, irmãos de João Henrique, tornaram-se igualmente pessoas ilustres no Gram-Pará.

Um deles, Manuel Lourenço de Mattos, ocupou o cargo de Coronel de Milícias da Ilha de Joannes.

E, outro, o religioso Raimundo Severiano de Matos, se tornou o mais importante cônego – o Arcedíago – da Sé.

A carreira de Wilckens como literato

Como literato, o valor de Wilckens não foi até hoje inteiramente alcançado porque sua abundante epistolografia, composta de mais de 600 cartas, com um raro retrato da região, na sua época, só recentemente começou a ser estudada.

Seu texto conhecido é o poema épico “A Conversão e Reconciliação do Gentio Muhra”, ou simplesmente, “A Muhraída”.

Foi escrito a partir da vivência dele, no exercício de um dos cargos de sua ascendente carreira: o de Comandante Militar do Quartel da Vila de Ega, hoje, Tefé.

Neste cargo, Wilckens teve contato com os habitantes do Rio Japurá, os índios Muhra.

Tratava-se de um povo valoroso, de ferozes guerreiros que jamais aceitaram a dominação branca em suas terras e resistiram aos portugueses até o século XIX.

Assim os descreveu o mais importante escritor amazonense da atualidade, Márcio Souza, em “A Expressão Amazonense – do Colonialismo ao Neocolonialismo“.

Wilckens, no entanto, integrado aos valores dos colonizadores portugueses, mesmo reconhecendo a bravura dos Muhra, tinha deles uma visão bem diferente, carregada de desprezo.

Numa de suas notas ao poema, ele diz dos membros da tribo:

“Só se empregam em matar e roubar indiferentemente os brancos, como os índios domésticos, isto é, os já aldeados”.

Diz ele ainda: os carmelitas e os mercedários buscaram estes índios nos bosques e nos rios, tentando “reduzi-los e convocá-los ao grêmio da Igreja”, para isto, “explicando-lhes as verdades da Religião”, mas nada conseguiram.

O “poema genocida” de Wilckens, como o denomina Márcio Souza, celebra o massacre dos Muhra pelos portugueses.

Do ponto de vista artístico, Souza encontra no texto do poema méritos por ele ser “direto, objetivamente contundente e despido”.

Contudo, o escritor amazonense critica, na sua elaboração, a adoção do gênero épico – em decadência, naquele instante, segundo ele.

A obra por ser épica, carregaria uma “corrupção estilística”.

Souza, alegando falta de brilhantismo no texto, classifica-o duramente como medíocre, dizendo-o “fruto, talvez de um coração arrebatado pelos ócios da caserna, e, pela fidelidade muito típica do militar com pendores artísticos”.

Nem, por isto, todavia, ele deixa de reconhecer a existência de valor no poema.

Ao contrário, afirma:

“A Muhraída é muito mais que um devaneio no interior da extensão histórica”.

E mais:

“O poema de João Wilckens é um dos grandes momentos da fixação portuguesa e através dele se pode conhecer a conquista como um desenhado completo, ao lado dos esboços de história, dos decretos, relatórios e leis coloniais”.

(Ilustração: A obra de Wilckens, publicada pela Valer, editora de Manaus)

A Young Companion of Landi Became an Epic Poet

The approximately ten specialists hired in the early 1750s to demarcate Portugal’s territories in the Amazon were all, like Antonio Landi, experienced and highly respected professionals.

They were primarily military engineers and astronomers, recruited in Italy, Germany, and Portugal itself.

The group’s arrival in Belém “would, in a singular way, raise the city’s intellectual level,” writes Germain Bazin in L’Architecture religieuse baroque au Brésil.

This occurred only six years after the founding, in Paris, of the world’s first school of Civil Engineering.

Among those distinguished professionals, however, there also arrived from Portugal to the Amazon a young and inexperienced man named Henrique João Wilckens, the stepson of the pharmacist to the Queen Mother, Maria Ana Josefa Antónia Regina of Habsburg.

He had been appointed to the commission by order of King José I.

The governor of Grão-Pará, Francisco Xavier de Mendonça Furtado, must soon have realized that treating the young man well would please both the King and the Queen Mother.

He therefore initially enlisted him as a soldier in his military force.

Later, noticing that Wilckens possessed some knowledge of Geometry, he requested that one of the commission’s military engineers train him in the profession.

The young man, however, did not prove entirely willing to follow the engineer’s instructions.

Mendonça Furtado then entrusted the astronomer Father Inácio Sanmartoni with his education.

The priest took him to the Jesuit College, where Wilckens devoted himself diligently to the study of Geometry.

In March 1754, Mendonça Furtado decided to help the young man obtain the position he most desired—that of Assistant Engineer.

Since appointments to that office were the exclusive prerogative of the King, on March 8 he wrote to his half-brother, the Marquis of Pombal, Secretary of State of the Kingdom of Portugal, informing him of Wilckens’s aspirations.

The letter produced the desired effect, as can be seen in another letter sent by Mendonça Furtado to Pombal in July of the following year.

In that correspondence between the two influential statesmen, the young man’s name appeared explicitly for the first time.

Mendonça Furtado wrote:

“In compliance with His Majesty’s order, conveyed in one of Your Excellency’s letters dated March 15, I shall immediately issue Henrique Wilckens’s commission as Assistant Engineer, for he truly seems to me a young man of good abilities and well suited to benefit from the opportunity.”

Father Inácio continued to supervise Wilckens’s professional training, demanding great dedication from him.

After the young man obtained the appointment he had long sought, Mendonça Furtado wished once again to assist him.

In the same letter to Pombal, he therefore raised the question of Wilckens’s salary.

Referring to the recent death of the Queen Mother, who had been the young man’s patroness, he wrote:

“As I have not seen his petition, I can grant him no more than the ordinary salary of ten thousand réis.

And should His Majesty be pleased to extend to him the favor of being regarded in the same manner as the other foreigners.

If so ordered, Your Excellency may instruct me accordingly, a grace which he may well hope to receive from His Majesty’s royal generosity.

Thus taking into consideration both his helpless condition and the distinguished protection he formerly enjoyed through the recommendation of Her Most Excellent Majesty the Queen Mother, who now rests in glory.”

The Uniqueness of Wilckens’s Career

Among all the specialists who took part in the first phase of the Boundary Demarcation Commission, Henrique Wilckens undoubtedly had the most unusual career.

The originality of his trajectory was already evident in the circumstances of his arrival in Grão-Pará.

He came merely as a companion to the commission’s specialists, without any professional qualifications of his own.

Another distinctive aspect of his career was that, years later, he became a civil engineering professional whose training in Geometry had been acquired in Belém under the guidance of the astronomer Father Inácio Sanmartoni.

His first salary, after he finally obtained the rank of Assistant Engineer, was a very modest 10,000 réis—only one-twentieth of the average salary earned by the members of the Boundary Demarcation Commission.

From that humble beginning, however, Wilckens steadily climbed the ranks during more than four decades in the Amazon, eventually attaining the position of Lieutenant Colonel of Engineers.

He also became a Commissioner during the second phase of the Boundary Demarcation Commission, earning a salary of 380,000 réis.

His accomplishments went even further.

Wilckens also secured a place in the history of Brazilian literature.

He was the author of the first epic poem ever written about the Amazon.

During the commission’s second phase, he initially served as a military engineer in the Rio Negro region.

Later, he was entrusted with continuing the construction of the Fortress of Macapá, a project begun by Antonio Henrique Galluzzi—another of Landi’s companions during the commission’s first phase.

In February 1781, by then serving as Major of Artillery, “performing the duties of Engineer,” and as Second Commissioner of the Fourth Boundary Division, Wilckens undertook an expedition to the Japurá River, as reported by Manuel Barata in Formação Histórica do Pará.

He would later write a Diary describing that journey.

By then, the military engineer had long been married.

Like Landi, his descendants would ensure that his personal history became intertwined with that of Grão-Pará itself.

His daughter, Joanna Wilckens, married Severiano Euzébio de Mattos and gave him four grandchildren.

One of them, João Henrique de Mattos, born in Rio Negro in 1784, later became a Captain of Artillery and, on August 15, 1823, was elected to the Provisional Government of the State.

Married to Joanna Gualberto de Mattos, João Henrique, in turn, gave Wilckens one great-grandson and four great-granddaughters.

One of these great-granddaughters, Joanna Wilckens de Mattos, married her cousin, João Wilckens de Mattos.

After receiving a noble title, he would once again connect Wilckens’s biography to the village of Mariuá, where the Boundary Demarcation Commission had established its headquarters.

When Wilckens’s grandson João Henrique died on August 8, 1857, he had not only retired as a Lieutenant Colonel but had also become a Commander of the Order of Saint Benedict of Aviz and a Knight of the Order of the Southern Cross.

Two of the military engineer’s other grandsons, brothers of João Henrique, likewise achieved distinction in Grão-Pará.

One of them, Manuel Lourenço de Mattos, served as Colonel of the Militia on Joannes Island.

Another, the clergyman Raimundo Severiano de Mattos, became the highest-ranking canon of the Cathedral, serving as its Archdeacon.

Wilckens’s Career as a Man of Letters

Henrique Wilckens’s literary significance has yet to be fully recognized, largely because his extensive correspondence—comprising more than 600 letters that offer an exceptionally rare portrait of the Amazonian region in his time—has only recently begun to receive scholarly attention.

His best-known work is the epic poem The Conversion and Reconciliation of the Muhra People, more commonly known simply as Muhraída.

It was written from the author’s own experiences while serving in one of the positions that marked the steady rise of his career: Military Commander of the Barracks in the town of Ega, now the city of Tefé.

It was in this post that Wilckens came into contact with the inhabitants of the Japurá River region, the Muhra people.

They were a courageous nation of fierce warriors who never accepted white domination over their lands and continued resisting the Portuguese until the nineteenth century.

This is how they were described by the foremost contemporary writer from the Brazilian Amazon, Márcio Souza, in A Expressão Amazonense – do Colonialismo ao Neocolonialismo (The Amazonian Expression: From Colonialism to Neocolonialism).

Wilckens, however, fully identified with the values of the Portuguese colonizers. Although he acknowledged the Muhra people’s bravery, his view of them was markedly different and deeply contemptuous.

In one of the notes accompanying his poem, he wrote of the tribe:

“They devote themselves solely to killing and robbing, showing no distinction between whites and domestic Indians—that is, those already settled in mission villages.”

He further states that the Carmelite and Mercedarian missionaries sought out these Indigenous people in the forests and along the rivers, attempting “to bring them into the bosom of the Church” by “explaining to them the truths of the Christian faith,” but without success.

Wilckens’s work, described by Márcio Souza as a “genocidal poem,” celebrates the Portuguese massacre of the Muhra people.

From a literary standpoint, however, Souza acknowledges the poem’s artistic qualities, praising it for being “direct, objectively forceful, and unadorned.”

At the same time, the Amazonian writer criticizes Wilckens’s decision to adopt the epic genre, which, in his view, was already in decline by that period.

Because it is an epic poem, Souza argues, the work suffers from a form of “stylistic corruption.”

Claiming that the poem lacks brilliance, he harshly classifies it as mediocre, describing it as “perhaps the product of a heart carried away by the idleness of military life, and by the very characteristic loyalty of a soldier endowed with artistic inclinations.”

Even so, he does not deny the work’s historical importance.

On the contrary, he affirms:

“Muhraída is far more than a mere reverie within the course of history.”

He goes even further:

“João Wilckens’s poem is one of the great moments in the Portuguese occupation, and through it one can understand the conquest as a complete picture, alongside the sketches of history, the decrees, reports, and colonial legislation.”

(Illustration: Wilckens’s work, published by Valer, a publishing house based in Manaus.)

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Oswaldo Coimbra é escritor, jornalista e pesquisador.

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