O médium João Teixeira de Faria, mais conhecido como João de Deus, foi condenado a mais de 109 anos de prisão por oito crimes de estupro e 26 violações sexuais, nesta quarta-feira (7). As sentenças foram proferidas pelo juiz Marcos Boechat Lopes Filho, titular da comarca de Abadiânia, no interior de Goiás.
Durante anos, o réu — conhecido internacionalmente — realizou atendimentos espirituais nos quais operava supostos milagres, no centro Dom Inácio de Loyola, em Abadiânia. Segundo as vítimas, a casa foi cenário de diversos abusos.
João de Deus já havia sido condenado em outros seis processos, por violação sexual mediante fraude, estupro de vulnerável e posse ilegal e irregular de armas de fogo. Juntas, as penas dos nove processos somam mais de 223 anos e três meses de prisão.
De acordo com o TJ-GO (Tribunal de Justiça de Goiás), o réu ainda terá de pagar R$ 100 mil em danos morais às vítimas. Até o momento, os oito processos que envolvem violência sexual já julgados englobam 39 vítimas. Ainda há em tramitação mais sete ações penais da mesma natureza, que devem ser julgadas até março do ano que vem.
O advogado de defesa Anderson Van Gualberto de Mendonça afirmou que vai recorrer das sentenças, “em especial à inobservância do prazo decadencial de seis meses para a representação da vítima”. Veja abaixo a nota na íntegra.
Conforme o MPGO, os promotores de Justiça Luciano Miranda Meireles e Izabella Artiaga Dias Maciel levaram em consideração os relatos de 42 vítimas. Em 25 situações os crimes, que teriam acontecido entre 1985 e 2018, estavam prescritos.
A Justiça já recebeu 15 denúncias contra João de Deus por crimes sexuais cometidos durante atendimentos espirituais. Em oito delas, já houve a condenação.
As penas impostas ao médium já somam 223 anos e 3 meses de reclusão:
– 19 anos e quatro meses de reclusão por violação sexual mediante fraude, na modalidade tentada; violação sexual mediante fraude; e dois estupros de vulneráveis.
– 40 anos de reclusão por cinco estupros de vulneráveis.
– 2 anos e seis meses de reclusão por violação sexual mediante fraude contra uma vítima.
– 44 anos e seis meses de reclusão por estupro contra duas vítimas e estupro de vulnerável em relação a outras duas vítimas
– 4 anos de reclusão por violação sexual mediante fraude.
– 41 anos e quatro meses de reclusão por três crimes de estupro de vulnerável e por 21 crimes de violação sexual mediante fraude
– 16 anos e 10 meses de reclusão por um estupro de vulnerável, uma violação sexual mediante fraude e uma violação sexual mediante fraude na modalidade tentada.
– 51 anos e nove meses de reclusão por quatro crimes de estupro de vulnerável e três crimes de violação sexual mediante fraude.
– Também foi condenado a 3 anos de reclusão por posse irregular de arma de fogo de uso permitido e por posse irregular de arma de fogo de uso restrito.
Andamento das investigações
No fim do ano de 2018, o programa Conversa com Bial, da Rede Globo, veiculou reportagem com relatos de vítimas de João de Deus. As mulheres contaram que sofreram crimes sexuais enquanto faziam tratamento espiritual na Casa Dom Inácio de Loyola, em Abadiânia (GO).
Em 10 de dezembro do mesmo ano, o MPGO instituiu uma força-tarefa para apurar os crimes. Foram ouvidas testemunhas e formados núcleos específicos para tratar da questão.
Ele ficou preso entre dezembro de 2018 e março de 2020 no Complexo Prisional de Aparecida de Goiânia, na região metropolitana da capital, mas deixou o presídio para cumprir pena em regime domiciliar por pertencer ao grupo de risco em caso de contágio pela covid-19. Desde então, é obrigado a usar tornozeleira eletrônica e está proibido de manter contato com testemunhas e vítimas.














