Novos documentos da Polícia Federal (PF) revelam um capítulo inédito nas investigações da Operação Compliance Zero. Segundo relatórios encaminhados ao Supremo Tribunal Federal (STF), Joana Mourão, irmã de Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido como “Sicário”, teria ameaçado divulgar informações comprometedoras sobre a família do empresário Daniel Vorcaro caso não recebesse apoio financeiro.
De acordo com os investigadores, Joana afirmava possuir documentos e arquivos capazes de causar sérios danos à reputação da família Vorcaro. Em mensagens analisadas pela PF, ela teria declarado que poderia “acabar com a família inteira” caso suas demandas não fossem atendidas. Os documentos fazem parte dos desdobramentos da investigação sobre a estrutura conhecida como “A Turma”, grupo apontado pela PF como responsável por ações de intimidação, monitoramento clandestino e obtenção ilegal de informações.
A apuração indica que, após a morte de Luiz Phillipi Mourão, ocorreram negociações envolvendo pessoas ligadas ao núcleo investigado e familiares do chamado “Sicário”. Os relatórios apontam tentativas de auxílio financeiro e discussões sobre possíveis acordos para evitar a divulgação do material mencionado por Joana Mourão. A PF investiga se houve tentativa de extorsão, compra de silêncio ou outras práticas ilícitas relacionadas ao caso.
Luiz Phillipi Mourão foi preso em março de 2026 durante uma fase da Operação Compliance Zero. Apontado pelas autoridades como integrante central do grupo investigado, ele morreu dias depois após uma tentativa de suicídio dentro da Superintendência da Polícia Federal em Minas Gerais. Antes de sua morte, depoimentos colhidos pela PF indicam que Mourão orientou sua mãe e sua irmã a procurarem Henrique Vorcaro, pai de Daniel Vorcaro, caso precisassem de ajuda.
As investigações também apontam Henrique Vorcaro como figura relevante na estrutura financeira do grupo investigado. Em maio deste ano, ele foi preso durante nova fase da Operação Compliance Zero, sob suspeita de financiar e coordenar ações do núcleo denominado “A Turma”. A defesa nega irregularidades.
O caso amplia a complexidade da investigação que já envolve suspeitas de ameaças, invasões de sistemas, obtenção ilegal de dados sigilosos e lavagem de dinheiro. Até o momento, não há decisão judicial definitiva sobre as acusações relacionadas às ameaças atribuídas a Joana Mourão, e as apurações seguem sob supervisão do STF.
Com novos documentos surgindo a cada fase da operação, o episódio reforça a dimensão do escândalo que envolve o antigo Banco Master e pessoas próximas à família Vorcaro, em uma investigação que continua produzindo desdobramentos de grande repercussão política, econômica e policial.















